Porto Alegre,

Publicada em 18 de Maio de 2026 às 18:24

Pint of Science tem primeira edição em Frederico Westphalen

Atividade busca levar temas científicos com mais leveza ao público em geral; programação se estende até a quarta-feira

Atividade busca levar temas científicos com mais leveza ao público em geral; programação se estende até a quarta-feira

Gabriel Cocco/Divulgação/Cidades
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Maria Vitória Marca
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Na tentativa de unir uma conversa descontraída de bar com pesquisas científicas de universidades, cientistas de Londres, em 2012, criaram o evento Pint of Science. A iniciativa deu certo e este ano acontece em mais de 200 cidades brasileiras, entre elas Frederico Westphalen, no norte do RS. O município recebe o evento pela primeira vez e conta com a presença de professores e mestrandos do campus municipal da Universidade de Santa Maria. Além de comemorar os 20 anos da abertura de um campus da UFSM na cidade, a primeira edição do Pint of Science busca demonstrar a qualidade das pesquisas realizadas na instituição
Na tentativa de unir uma conversa descontraída de bar com pesquisas científicas de universidades, cientistas de Londres, em 2012, criaram o evento Pint of Science. A iniciativa deu certo e este ano acontece em mais de 200 cidades brasileiras, entre elas Frederico Westphalen, no norte do RS. O município recebe o evento pela primeira vez e conta com a presença de professores e mestrandos do campus municipal da Universidade de Santa Maria. Além de comemorar os 20 anos da abertura de um campus da UFSM na cidade, a primeira edição do Pint of Science busca demonstrar a qualidade das pesquisas realizadas na instituição
São três noites de programação, do dia 18 a 20 de maio, cada uma com professores convidados que palestram sobre temas variados, desde inovações tecnológicas até o impacto da comunicação em tempos de crise. A proposta é que cada convidado realize uma apresentação curta sobre o tema de sua pesquisa, para, depois, interagir com o público - estudantes universitários, outros professores, agricultores, empresários e a comunidade em geral - com atividades variadas, como um concurso de fotografia e distribuição de brindes. 
A ideia do evento é expressa no próprio slogan: “um brinde à ciência”. Conversas com tons casuais se unem ao ambiente descontraído de um bar já conhecido pela população do município. Mesmo que os temas das apresentações dos professores pareçam complicados, a interatividade do público busca tornar as palestras algo descomprometido. Já a sede da programação ser bares vem do próprio nome do evento: Pint, uma palavra em inglês sem tradução direta ao português, mas usada como uma medida de cerveja, principalmente em pubs ingleses. 
A programação acontece nos mesmos dias no mundo inteiro. Em Frederico Westphalen, são dois bares que participam do evento, A Vitrola e o Maudito Gastro Bar, a partir das 18h30. Na segunda, 18, a casa do evento será A Vitrola, com duas apresentações: da professora Denise Schmidt, que responderá se os aromas podem proteger as plantas, e do professor Cristiano Bertolini que vai pontuar os erros de tradução que a IA comete.
Na terça e na quarta, a programação muda de local, agora no Maudito Gastro Bar, onde os debates estarão voltados a tecnologia e informação. No início da noite, a professora Mirian Redin de Quadros discutirá “Por que ainda acreditamos em fake news?”. Na sequência, Emanuel Araújo Silva lidera a conversa intitulada de “dois chopes parecem iguais, mas não são”, na qual explica a gestão de um olival de 34 hectares, em busca de responder “o que a cerveja, o drone, a IA e a oliveira têm em comum?”. Para finalizar o segundo dia, a professora Letícia Trevisan Gressler discute sobre a resistência antimicrobiana, na palestra “A próxima pandemia já começou: você faz parte dela”.
A última noite do evento é voltada para estudantes do campus da UFSM, que irão apresentar suas pesquisas. A mestranda Luma Dal’Astra Zanella apresenta a conversa “Será que você já comeu plástico hoje?”, na qual discute sobre a presença de microplásticos no cotidiano. Já a segunda palestra é da estudante Júlia Negrello Decarli, que busca responder a pergunta “como noticiar uma tragédia quando você também é vítima dela?”. A última noite de programação fecha com o debate liderado pela mestranda Suzan Kamine Kunz, a qual realiza sua fala a partir da pergunta: “e se máquinas fossem moléculas?”. 
A organização do evento começou ainda em julho do ano passado, por meio do Comitê de Internacionalização da UFSM, que procurava por um evento que também se encaixasse na comemoração dos 20 anos do campus de Frederico Westphalen. De acordo com a professora idealizadora do projeto, Patrícia Pérsigo, a expectativa é que, por dia, mais de 100 pessoas compareçam às palestras. 
Pérsigo também destaca a importância do município receber iniciativas como o Pint of Science. “Frederico Westphalen é uma das maiores cidades da região do Médio Alto Uruguai e eventos de divulgação científica ajudam a inserir o município no mercado internacional. Não só isso, também demonstra aos cidadãos da cidade e do Estado as pesquisas de ponta que fazemos aqui, com nossos próprios professores, laboratórios, mestrandos e alunos de iniciação científica. A questão do desenvolvimento e do conhecimento científico também é uma questão de soberania nacional”, afirma.
No Brasil, diversas cidades recebem a iniciativa desde 2015. No ano passado, em torno de 150 cidades brasileiras sediaram o Pint of Science. Foram mais de 800 eventos em todo o país, com cerca de 300 cientistas palestrantes e um público de 50 mil pessoas, que gastaram, em média, R$60,00 em consumo nos bares. 

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