Porto Alegre,

Publicada em 08 de Maio de 2026 às 18:54

Canoas busca governo federal para obra de elevação da linha do Trensurb

Projeto também envolve a criação de boulevares e espaços voltado à convivência

Projeto também envolve a criação de boulevares e espaços voltado à convivência

Simulação/Prefeitura de Canoas/Divulgação/Cidades
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Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
Um novo projeto para diminuir o conflito entre a malha urbana da região central de Canoas e a linha férrea do Trensurb está em andamento. A iniciativa, liderada pela prefeitura, prevê a elevação de cerca de 2,4 quilômetros da via percorrida pelo trem, entre a estação Matias Velho e o viaduto da rua Doutor Barcelos.
Um novo projeto para diminuir o conflito entre a malha urbana da região central de Canoas e a linha férrea do Trensurb está em andamento. A iniciativa, liderada pela prefeitura, prevê a elevação de cerca de 2,4 quilômetros da via percorrida pelo trem, entre a estação Matias Velho e o viaduto da rua Doutor Barcelos.
Atualmente, a Secretaria de Projetos e Captação de Recursos elabora os termos de uma parceria com o Ministério das Cidades. O documento deve ser concluído em até 30 dias e entregue para avaliação. No início de março, conforme noticiado pelo Jornal Cidades, o prefeito Airton Souza esteve em Brasília, onde se reuniu com o secretário nacional de Mobilidade Urbana, Denis Andia e com o presidente da Trensurb, Nazur Garcia, “onde apresentaram o cenário atual de Canoas e discutiram alternativas de financiamento e enquadramento do município em diferentes linhas de recursos federais”, informava a assessoria de imprensa da prefeitura.
O novo movimento marca uma mudança de direção da gestão municipal em relação a outro projeto, iniciado em 2011 com o mesmo objetivo mas que, à época, previa o rebaixamento da estrada de ferro, com a construção de túneis em diferentes pontos. Em 2023, ano em que a obra foi novamente submetida a seleção para o PAC – sem sucesso, de acordo com a atual gestão - a obra estava orçada em R$ 953 milhões.
Segundo a titular da pasta de Projetos, Daniela Fontoura, a justificativa principal é proporcionar uma integração maior entre os lados Leste e Oeste de Canoas, divididos tanto pela linha do metrô quanto pela rodovia BR-116. “Queremos superar essa barreira física que se apresenta hoje para o município”, pontua. Segundo Jerusa Mattos, secretária-adjunta, “Para fazerem essa transposição, os carros têm que fazer um deslocamento muito maior. Isso representa não só custo, mas influência na qualidade do ar”, complementa.
A adjunta também pontuou que a proposta antiga, de rebaixamento, seria “mais dispendiosa” e “exigiria mais interferências na vida cotidiana, haveria escavações em que se teria de suspender, inclusive, a operação do trem”, o que não deve ocorrer no novo modelo, que segundo Jerusa, é baseado na elevação do Trensurb em Novo Hamburgo concluída em 2014. "É a nossa referência mais próxima dentro da realidade da Região Metropolitana", cita.
Além da questão da mobilidade, a prefeitura pretende usar a área liberada pela elevação do trem para criar espaços públicos, bulevares e áreas de convivência, promovendo uma requalificação urbana da região central e do lado Oeste da cidade. “A ideia é trazer vida para o lado do Centro e do Oeste, que sofreu muito com a enchente. Nos fins de semana, diminui todo o movimento para esse lado da cidade, porque os parques são mais a leste ou mais entre os bairros. Então, isso é planejado para trazer mais desenvolvimento econômico para esse lado”, explica Daniela.
O projeto da elevação da Trensurb é tratado em conjunto com a trincheira da Rua Domingos Martins, obra histórica aguardada pela cidade, que fará a ligação sob a BR-116. A prefeitura considera as duas intervenções complementares para melhorar a mobilidade urbana e trará “um ganho de urbanização para a cidade”, complementa a secretária.
Embora o trecho não tenha sofrido alagamentos durante as enchentes de 2024, que trouxeram impacto significativo em Canoas - a troca de ideia não ocorreu em função da catástrofe, disse a secretária -, a prefeitura relaciona a proposta a um processo mais amplo de reconstrução urbana e desenvolvimento resiliente após a inundação da cidade.
Com a obtenção de recursos federais, possivelmente por meio do PAC Mobilidade, a execução de todo o projeto ficará a cargo da prefeitura de Canoas. Ainda não há prazo para o início das obras, e nem dos custos necessários. Apesar da sinalização positiva do governo federal, a concretização do projeto depende, além do termo de cooperação com o Planalto, é necessária a realização de estudos de viabilidade Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental, além da elaboração de um projeto básico e um projeto executivo, antes de que haja a licitação propriamente dita para a execução das obras.
No caso do projeto de rebaixamento da via do Trensurb, que não foi selecionado pelo PAC, desde o início do processo, com o envio da proposta pela Metroplan ao governo federal para o PAC2 Mobilidade, passando pela fase de estudos e elaboração de projetos, até a nova tentativa de viabilizar a obra, em novembro de 2023, passaram-se 12 anos.
A assessoria de comunicação da Trensurb não comentou sobre o projeto de elevação, nem sobre a proposta anterior, mas informou que “a empresa, porém, está à disposição para contribuir nessa iniciativa conforme necessário”.

O "desce-e-sobe" do Trensurb em Canoas

Projeto de rebaixamento da linha férrea foi publicado em informativo de obras da prefeitura de Canoas em 2016

Projeto de rebaixamento da linha férrea foi publicado em informativo de obras da prefeitura de Canoas em 2016

Simulação/Prefeitura de Canoas/Reprodução/Cidades
O projeto atual que prevê alterações no trecho de Canoas da linha do Trensurb, com a construção de uma via elevada, não é o primeiro que busca mais fluidez na circulação de veículos na região central do município metropolitano. A proposta que obteve mais avanço e recebeu mais recursos financeiros envolvia o rebaixamento da linha, na prática tornando o metrô subterrâneo, entre as ruas Ipiranga e Barão de Santo Ângelo, uma extensão de 2,1 quilômetros sob a avenida Guilherme Shell.
A trajetória relacionada ao tema tem início em abril de 2011, quando foi enviada pela Metroplan uma carta-consulta ao Ministério das Cidades, com propostas para melhorias na rede de transportes e acesso a estação de trem de pelo menos 10 municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre, com o objetivo de inclusão no PAC 2- Mobilidade Grandes Cidades.
Um levantamento realizado pela reportagem do Cidades nos sites da prefeitura de Canoas, governo do Estado, governo federal e Trensurb, trazem notícias de diferentes etapas relacionadas ao tema. Em 2012 houve a assinatura do contrato para a execução dos projetos básico e executivo da obra, cuja concorrência foi vencida pela empresa Bourscheid Engenharia e Meio Ambiente S/A. Essa fase custou R$ 6 milhões ao governo federal. Na época, a proposta previa que a estação Canoas/La Salle ficaria no subsolo e seria deslocada para a Praça da Bandeira; também seria feito o alargamento da Guilherme Shell e da Vitor Barreto.
O projeto executivo foi apresentado em 2014, segundo jornais da época e, em 2015, a mesma empresa fez análises do solo em Canoas para a realização de estudos inspeção, sondagem e levantamento deflectométrico. Nesta época, o site do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional apontava que o custo de toda a obra era estimado em R$ 400 milhões.
Nas ferramentas de busca da internet, a obra de rebaixamento só volta a aparecer em 2023, quando a prefeitura de Canoas noticiou que inscreveu 30 projetos para avaliação no PAC, a linha subterrânea do metrô entre elas; desta vez, o projeto estava orçado pela prefeitura em R$ 953 milhões, valor 138% superior ao divulgado em 2014. Segundo a atual gestão, iniciada em 2025, o projeto não foi selecionado, sem justificativa apresentada. O procedimento é considerado comum.
Por considerar que a obra original seria “dispendiosa” e traria mais transtornos à mobilidade local, a prefeitura optou por iniciar uma nova proposta, desta vez com a elevação da linha férrea.

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