Porto Alegre,

Publicada em 28 de Abril de 2026 às 14:15

Nova homenagem a Ernesto Geisel em Bento teve só um voto contrário

Alcindo Gabrielli citou alternativas e criticou exaltação de governante que não foi eleito pelo voto popular

Alcindo Gabrielli citou alternativas e criticou exaltação de governante que não foi eleito pelo voto popular

Câmara de Bento Gonçalves/Divulgação/Cidades
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Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
O vereador e ex-prefeito Alcindo Gabrielli (MDB) foi o único parlamentar a votar contra a denominação da nova sede da Câmara de Bento Gonçalves como “Palácio Presidente Ernesto Geisel”, aprovada na sessão de segunda-feira (27). A proposta, que homenageia o general do Exército que presidiu o país entre os anos de 1874 e 1978, foi validada por ampla maioria.
O vereador e ex-prefeito Alcindo Gabrielli (MDB) foi o único parlamentar a votar contra a denominação da nova sede da Câmara de Bento Gonçalves como “Palácio Presidente Ernesto Geisel”, aprovada na sessão de segunda-feira (27). A proposta, que homenageia o general do Exército que presidiu o país entre os anos de 1874 e 1978, foi validada por ampla maioria.
Gabrielli afirmou que respeita a decisão do plenário, mas defendeu alternativas que, segundo ele, evitariam controvérsias. “Eu respeito a decisão do Executivo e do plenário, que é soberana, mas conto com respeito às opiniões contrárias”, disse. O parlamentar destacou que sua posição não teve como foco o julgamento do período da ditadura militar, mas a escolha do nome para o espaço público.
Entre os argumentos apresentados, está a existência de outras possibilidades de homenagem no município. O vereador sugeriu a manutenção do nome atual da sede, “Palácio 11 de Outubro”, em referência à data de emancipação de Bento Gonçalves, ou ainda a valorização de figuras locais. “Quem é contra a emancipação do município? Não teria polêmica nenhuma”, afirmou. Ele também mencionou a possibilidade de homenagear a primeira mulher eleita vereadora na cidade ou ex-prefeitos ainda sem reconhecimento oficial.
Outro ponto levantado por Gabrielli diz respeito à natureza do Legislativo municipal. Para ele, por se tratar de uma casa composta por representantes eleitos pelo voto direto, característica do período democrático, a homenagem a um presidente que não foi eleito pelo povo seria inadequada. “A Câmara é formada por representantes eleitos pelo voto popular. O ex-presidente foi escolhido pelo voto indireto”, argumentou.
A decisão ocorre em meio a um contexto de debates recorrentes no município sobre homenagens ao ex-presidente. Em 2025, o Ministério Público Federal (MPF) recomendou a retirada de um memorial dedicado a Geisel na Universidade de Caxias do Sul (UCS), com base em entendimento da Comissão Nacional da Verdade, que atribuiu ao período de sua gestão a continuidade de violações de direitos humanos — apenas em 1974, primeiro ano de governo, foram registrados 54 desaparecimentos políticos.
Para Gabrielli, o cenário reforça a necessidade de cautela na escolha de homenagens públicas. “Eu preferi um caminho que não criasse uma polêmica maior”, disse. Ainda assim, reiterou que não se trata de “apagar a história”, mas de avaliar o contexto e o simbolismo das decisões do poder público.
Além disso, o vereador também argumentou que Geisel já foi homenageado na cidade anteriormente, com a Casa Geisel (local em que o general nasceu), e o Batalhão Presidente Geisel (6º Batalhão de Comunicações do Exército Brasileiro). “Eu não retiro os méritos para a designação”, afirmou.

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