A luta por igualdade representada pelo Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, diz respeito a avanços sociais e ao combate à violência e injustiças enfrentadas historicamente pelas mulheres em todas as culturas. Mas, em Caxias do Sul, a luta também é literal: a academia Donna Fight, inaugurada em março de 2022, foi o primeiro espaço de artes marciais exclusivo para o público feminino. Em sua série sobre mulheres empreendedoras, o Jornal Cidades conversou com Débora Ferreira, idealizadora do espaço.
Após dez anos de experiência no ensino de artes marciais, Débora conta que o empreendimento nasceu no mês da mulher. "O objetivo foi oferecer um ambiente onde o público feminino pudesse treinar com liberdade e segurança", explica a fundadora. Localizada no bairro Exposição, a academia recebeu investimentos superiores a R$ 40 mil em infraestrutura, incluindo tatames, sacos de pancada e vestiários reformulados, refletindo um crescimento expresso pelo contingente de mais de 100 alunas fixas.
A equipe da academia é composta por quatro professoras, com o principal foco no ensino do muay thai. A estrutura do espaço se expandiu por meio de parcerias com plataformas como Gympass e Total Pass, o que gerou um aumento significativo no fluxo de frequentadoras, matriculadas diretamente ou usuárias dos aplicativos de benefício corporativo.
A procura pelo estabelecimento é impulsionada pelo desejo de um espaço acolhedor, "livre do receio que muitas mulheres sentem ao treinar em academias mistas", explica Débora. "Para muitas frequentadoras, a exclusividade é o fator decisivo para a matrícula. Elas buscam um local onde se sentem seguras não apenas para o exercício físico, mas para a criação de vínculos que transcendem o tatame", complementa. Esse sentimento de comunidade, reforça a fundadora, transformou a academia em um ponto de convivência e terapia, onde eventos sociais e celebrações de aniversários ocorrem integrados à rotina de treinos.
A importância de locais com essa configuração reside na promoção da autoestima e do empoderamento feminino. Segundo a fundadora, embora sua trajetória pessoal em competições tenha sido tranquila em ambientes mistos, a experiência de suas alunas demonstrou a necessidade de um refúgio que aumente a confiança da mulher.
As perspectivas de crescimento para o segundo semestre de 2026 incluem a expansão das modalidades e o fortalecimento do impacto social da academia. Está prevista a implementação de turmas de Jiu-Jitsu, além da ampliação dos horários para o público infantil (Kids). Um dos projetos mais aguardados é o lançamento de aulas gratuitas de defesa pessoal voltadas especificamente para mulheres vítimas de violência doméstica, utilizando as técnicas de luta como ferramenta de proteção e superação. Com essas iniciativas, a Dona Fight projeta não apenas crescer como negócio, mas consolidar seu papel social na comunidade caxiense.