Porto Alegre,

Publicada em 08 de Janeiro de 2026 às 17:53

Chegada de cruzeiros a Rio Grande impulsiona cadeia do turismo

Feiras de artesanato, apresentações culturais e pontos de informação turística são montados para receber os visitantes ainda no cais do porto

Feiras de artesanato, apresentações culturais e pontos de informação turística são montados para receber os visitantes ainda no cais do porto

/Portos RS/Divulgação/Cidades
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Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
O desembarque de cruzeiros marítimos em Rio Grande, ainda que de ocorrência pontual, vem se consolidando como um vetor relevante de movimentação econômica durante o verão no Sul do Rio Grande do Sul. A temporada 2025/2026 teve início em 24 de dezembro e segue até o fim de fevereiro, com três escalas confirmadas no Porto do Rio Grande: a primeira foi realizada na véspera do Natal de 2025 e outras duas estão previstas para os dias 31 de janeiro e 19 de fevereiro. A expectativa da prefeitura é de que cerca de 2,5 mil passageiros nacionais e estrangeiros circulem pela cidade ao longo do período, ativando uma extensa cadeia ligada ao turismo, ao comércio e aos serviços.
O desembarque de cruzeiros marítimos em Rio Grande, ainda que de ocorrência pontual, vem se consolidando como um vetor relevante de movimentação econômica durante o verão no Sul do Rio Grande do Sul. A temporada 2025/2026 teve início em 24 de dezembro e segue até o fim de fevereiro, com três escalas confirmadas no Porto do Rio Grande: a primeira foi realizada na véspera do Natal de 2025 e outras duas estão previstas para os dias 31 de janeiro e 19 de fevereiro. A expectativa da prefeitura é de que cerca de 2,5 mil passageiros nacionais e estrangeiros circulem pela cidade ao longo do período, ativando uma extensa cadeia ligada ao turismo, ao comércio e aos serviços.
A primeira escala da temporada ocorreu com a atracação do cruzeiro de luxo Seven Seas Splendor, operado pela Regent Seven Seas Cruises. O navio, com bandeira das Ilhas Marshall, trouxe mais de 1,3 mil pessoas entre passageiros e tripulantes. Desse total, aproximadamente 600 turistas participaram de city tours guiados e bilíngues, percorrendo o Centro Histórico, museus, igrejas e espaços culturais do município.
Temporada de cruzeiros iniciou na véspera de Natal, com navio das Ilhas Marshall | Prefeitura de Rio Grande/Divulgação/Cidades
Temporada de cruzeiros iniciou na véspera de Natal, com navio das Ilhas Marshall Prefeitura de Rio Grande/Divulgação/Cidades
Segundo o secretário adjunto de Desenvolvimento, Inovação, Turismo e Economia do Mar de Rio Grande, Dado Moraes, a principal mudança em relação a anos anteriores foi a consolidação de Rio Grande não apenas como ponto técnico de abastecimento, mas como parada turística estruturada. “O porto sempre recebeu navios para limpeza, retirada de resíduos e abastecimento. O que mudou foi a articulação para transformar essa escala em experiência turística, com venda de pacotes ainda dentro do navio, receptivo organizado e roteiros definidos”, explica.
A operação envolve diretamente agências receptivas locais, guias de turismo, intérpretes, empresas de transporte, artesãos, comerciantes e prestadores de serviços. No dia do desembarque, dezenas de ônibus fazem o traslado entre o porto e os principais atrativos da cidade, enquanto feiras de artesanato, apresentações culturais e pontos de informação turística são montados para receber os visitantes. O comércio do entorno, que vai de lojas a farmácias, passando por cafés e restaurantes, também sente o impacto positivo do fluxo concentrado em poucas horas.
Além do consumo direto dos turistas, há reflexos fiscais imediatos. De acordo com Moraes, a arrecadação de ISS começa antes mesmo do desembarque, a partir da prestação de serviços portuários, do trabalho de despachantes aduaneiros, das agências de turismo e dos guias contratados. “É uma cadeia econômica ampla. Mesmo sem uma estimativa fechada de gasto médio por passageiro, o volume de serviços envolvidos já representa um movimento significativo de recursos para o município”, afirma.
A estratégia adotada pela prefeitura inclui a mobilização de diferentes secretarias para garantir segurança, limpeza urbana, atendimento em saúde e organização do trânsito. Praças e equipamentos culturais permanecem abertos durante todo o período de visitação, e a Guarda Municipal reforça a presença nas áreas de maior circulação. Avaliações coletadas pelo Observatório de Turismo, integrado pela prefeitura e pela Universidade Federal do Rio Grande (Furg) indicam que a receptividade da população, a conservação do Centro Histórico e a presença de áreas verdes urbanas estão entre os aspectos mais elogiados pelos visitantes estrangeiros.
City-tours levam turistas nacionais e estrangeiros a atrações como o Museu Oceanográfico e o Centro Histórico de Rio Grande | Prefeitura de Rio Grande/Divulgação/Cidades
City-tours levam turistas nacionais e estrangeiros a atrações como o Museu Oceanográfico e o Centro Histórico de Rio Grande Prefeitura de Rio Grande/Divulgação/Cidades
Embora o número de escalas ainda seja modesto, o município vê potencial de crescimento. Para efeito de comparação, o Porto de Santos, maior da América Latina, mantém uma temporada de cruzeiros entre outubro e abril e soma 134 atracações previstas em 2025/2026, com dias em que até quatro navios operam simultaneamente. Já o Porto do Rio de Janeiro tem 112 embarcações programadas no mesmo período. Em Rio Grande, a limitação está principalmente na ausência de um terminal específico para passageiros, já que o porto opera prioritariamente cargas, aponta Moraes.
A ampliação desse mercado, segundo a gestão municipal, depende de articulação com o governo do Estado e com a administração portuária para a criação de uma estrutura dedicada ao turismo de cruzeiros. Ainda assim, a avaliação é de que a cidade já dispõe de atrativos e logística suficientes para absorver gradualmente um número maior de visitantes, especialmente pela integração regional com Pelotas e municípios da Costa Doce, fortalecida no âmbito da Associação de Municípios da Zona Sul (Azonasul). “O transatlântico não é um fim em si mesmo, mas uma porta de entrada. Ele ajuda a posicionar a cidade no mapa e a criar um ambiente favorável para novos investimentos e para o desenvolvimento econômico ligado ao turismo”, resume Moraes.

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