A fronteira gaúcha e brasileira com o Uruguai, na frente com Rivera, quer reforçar a inserção no mapa de roteiro turístico e gastronômico, além do circuito de compras dos freeshops. O tom foi dado na oitava edição do Fronte(i)ra - Festival Binacional de Enogastronomia, que ocorreu entre 28 de julho e 5 de agosto nos dois lados da fronteira, entre a gaúcha Santana do Livramento e a uruguaia Rivera.
O público de mais de 95 mil pessoas nos nove dias do evento foi quase quatro vezes maior que a edição de 2022, e deu mais gás aos propósitos que dominaram os fóruns, um deles com os ministros da Secretaria de Comunicação do Brasil, Paulo Pimenta, e o do Turismo uruguaio, Tabaré Vieira, feiras de produtos e literatura e ambientes de intercâmbio.
"Foi espetacular. Saltamos de 20 mil pessoas na edição anterior para quase 100 mil agora", reagiu a coordenadora do festival, Jussara Dutra.
"Foi uma verdadeira festa de integração da fronteira, foram atividades binacionais com o objetivo de estabelecer uma integração econômica e cultural", resumiu ela. A organização ainda está calculando resultados, como a movimentação financeira gerada pelas feiras da Agricultura Familiar e de livros.
"Foi a primeira vez que tivemos representantes dos ministérios da Cultura, Turismo, Agrário e Desenvolvimento. Eles puderam ver de fato o alcance do evento, não só de público, mas do potencial da fronteira", valoriza Jussara. Segundo ela, grupos técnicos, ligados a universidades, institutos federais e entidades setoriais vão consolidar documentos com as principais iniciativas e demandas que a região considera fundamentais para elevar o desenvolvimento fronteiriço. A previsão é de entregar, no fim de setembro, um documento completo com as pautas.
Entre os setores que estarão no documento com ênfase estão o da ovinocultura, produção de mel, de azeite e empreendimetnos ligados à vitivinicultura. "Os setores público e privado precisam sentar e planejar as perspectivas de desenvolvimento e estabelecer um projeto estratégico", pontuou ela.
Uma das medidas que deve estar no conjunto de ações é a criação de um observatório de turismo e gastronomia. O organismo pode ser coordenado pelo Instituto Federal Sul-Riograndense, que tem campus binacional em Santana do Livramento, defendeu Jussara.
Ministros debatem ações comuns na fronteira
Pimenta (e) garantiu que intensificar ações na região é uma prioridade
/GONÇALO CABRERA/DIVULGAÇÃO/JC
Ministros do Brasil e Uruguai entraram no circuito dos temas que entraram no foco do festival. Em Rivera, o Fórum Binacional de Integração Brasil-Uruguai, reuniu os ministros Paulo Pimenta, da Secretaria de Comunicação do Brasil, e Tabaré Vieira, titular do Turismo, no Uruguai. Pimenta citou que o Brasil está na presidência rotativa do Mercosul, o que abre oportunidades para impulso à integração regional, que é foco do governo Lula. O ministro brasileiro chegou a se reunir com universidades e institutos federais do Bioma Pampa, em Santana do Livramento, para avaliar ações como reconhecer automaticamente diplomas de cursos técnicos nos dois países. "Se pudermos estender este acordo aos cursos de graduação, poderemos criar um processo intenso de desenvolvimento local", afirmou Pimenta.
Tabaré Viera defendeu que a integração binacional com base no turismo é uma oportunidade e projetou que é preciso avançar na oferta de produtos comuns na zona fronteiriça, como o turismo de compras, visitas às minas uruguaias, turismo esportivo e a realização de eventos. Uma das demandas é o credenciamento do aeroporto de Rivera como binacional. A coordenadora de gestão de territórios do Ministério de Integração e Desenvolvimento Regional, Simone Noronha, reforçou que o desenvolvimento das zonas de fronteira são prioridade, com impulso a cadeias produtivas, como a da ovinocultura. "Dados oficiais apontam que apenas 5% do rebanho ovino e caprino do Brasil têm abate certificado. Temos muito a aprender com o Uruguai", observou ela.
Azeite busca mercado comprador
Um dos temas do festival foi a busca de mercado para escoar o azeite produzido pelo Rio Grande do Sul, que cada vez ganha mais projeção pela qualidade frente a concorrentes internacionais. Mas o dilema é conseguir chegar ao varejo, principalmente nos primeiros meses de envazamento. "O aumento da produção de azeites traz o desafio de comercializar o produto de alta gama no mercado nacional", observou o coordenador da Câmara Setorial da Citricultura e Olivicultura do Estado, Paulo Lipp, durante o Fórum Binacional do Azeite de Oliva, que foi um dos painéis temáticos do festival.
Lipp informou que está sendo feito estudo do governo gaúcho e o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) para identificar alternativas que impulsionem o acesso ao mercado, como a criação de uma marca forte para o azeite gaúcho (que responde por 90% do volume de azeite extravirgem produzido no Brasil). A intenção é abrir mercado para o azeite fresco, recém produzido, por exemplo, nos Estados Unidos e em outros países do hemisfério
norte. Rosane Abdalla, do Ibraoliva, destacou que os maiores produtores ainda têm estocado produto da safra 2022 e a situação tende a se repetir com a safra 2023. "Esta questão comercial que se apresenta agora é mais um desafio que o setor precisa enfrentar", disse ela.


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