A dois dias do anúncio do Nobel da Paz de 2025, prêmio pelo qual o presidente Donald Trump espera participar, a Rússia fez um anúncio frustrante para o americano: seu esforço para alcançar uma trégua na Guerra da Ucrânia fracassou.
"Infelizmente, temos de admitir que o poderoso momento em favor de acordos de Anchorage foi amplamente exaurido pelos esforços de nossos oponentes e apoiadores da guerra", disse nesta quarta-feira (8) o vice-chanceler Serguei Riabkov, o número 2 da diplomacia russa. Anchorage é a cidade do Alasca em que Trump recebeu Putin no dia 15 de agosto, o primeiro encontro do tipo em quatro anos. Três dias depois, o ucraniano Volodimir Zelenski e líderes europeus que apoiam Kiev estiveram na Casa Branca.
Desses encontros saiu o anúncio, feito pelo republicano, de que ele, Putin e Zelenski iriam se encontrar e que haveria um acordo acerca das garantias de segurança a Kiev no caso de um cessar-fogo. Entretanto, isso não ocorreu na prática. Em campanha, Trump dizia que acabaria com o conflito iniciado por Putin em 2022 em um dia. Depois, foi estendendo o prazo, abrindo negociações com o russo e afastando-se do apoio incondicional a Kiev. Agora, está em modo agressivo novamente.
O vice-chanceler culpou, contudo, principalmente líderes europeus pelo atual estágio de degradação das chances de alguma paz. Os combates seguem intensos, com trocas de fogo aéreo em alta: cinco pessoas morreram nos dois países nesta madrugada. Já a Duma, Câmara baixa do Parlamento em Moscou, enviou outro sinal mais duro ao aprovar em primeiro turno a retirada da Rússia de um acordo com os EUA que faz os países se livrarem das reservas de plutônio usado em armas nucleares.
Na semana passada, Putin havia dito que os EUA não cumpriram sua parte do acordo sobre o plutônio e, por isso, pediu à Duma a medida. O acordo já estava congelado desde 2016, após sanções decorrentes da anexação da Crimeia dois anos antes.
Folhapress