As Forças de Israel detiveram e retiraram dezenas de ativistas - incluindo a sueca Greta Thunberg, a ex-prefeita de Barcelona Ada Colau e a deputada federal brasileira Luizianne Lins (PT-CE) - da flotilha que tentou romper o bloqueio israelense a Gaza para levar ajuda à região. Tel Aviv afirmou nesta quinta-feira (2) que deportará para a Europa os ativistas da flotilha.
- LEIA TAMBÉM: Israel diz que vai deportar ativistas de flotilha humanitária em meio a nova crise diplomática
Os militantes disseram esperar que o grande número de barcos dificultasse a interceptação de todos eles pelas autoridades israelenses, mas o Ministério das Relações Exteriores do país declarou o fim da operação nesta quinta.
A Flotilha Global Sumud foi a maior até agora a tentar romper o bloqueio, e a operação ocorre em um momento de crescentes críticas à conduta de Israel em Gaza. Nesta quinta, ataques e tiroteios israelenses mataram pelo menos 57 palestinos na Faixa de Gaza, segundo autoridades de saúde.
Diplomatas do Itamaraty devem visitar nesta sexta-feira (3) os brasileiros detidos por Israel que integravam a flotilha. A informação foi anunciada pelo ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, em uma reunião com parlamentares em Brasília.
Ao menos 12 brasileiros que integravam o grupo foram detidos, segundo a assessoria do movimento: o ativista Thiago Ávila; Mariana Conti, vereadora de Campinas pelo PSOL; Luizianne Lins, deputada federal pelo PT; e a presidente do PSOL no Rio Grande do Sul, Gabi Tolotti. "Estamos muito preocupados", afirmou a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS), que estava na reunião com o ministro. "Reafirmamos a necessidade do imediato regresso dos brasileiros".
A iniciativa tentava romper o bloqueio de Israel e levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Os organizadores da flotilha afirmam que perderam contato com dois brasileiros, o cineasta Miguel de Castro, que estava no barco Catalina, e o ativista João Aguiar, que estava à bordo do veleiro Mikeno.
O paradeiro deles é desconhecido. Acredita-se que eles também tenham sido detidos, mas não há confirmação. Os organizadores afirmam que não houve mais sinais de navegação desde a interceptação.
Já o fotojornalista Hassan Massoud não foi detido pois ele estava a bordo do barco Shein, com advogados e membros da imprensa, que não entrou na zona de risco de interceptação. Segundo o movimento, a embarcação funcionava como observadora.
O Ministério de Relações Exteriores israelense afirmou em um post no X que os ativistas "estão a caminho de Israel com segurança e tranquilidade", onde serão iniciados os "procedimentos de deportação para a Europa". A pasta não esclareceu para quais países os detidos serão enviados.
O ministério também disse que nenhuma embarcação conseguiu furar o bloqueio. "Um último barco desta provocação permanece à distância. Caso se aproxime, também será impedido em sua tentativa de entrar em uma zona ativa de combate e romper o bloqueio", afirmou.