A queda do Muro de Berlim foi o ato final de um processo que havia iniciado antes, com o enfraquecimento do bloco soviético a partir dos primeiros anos da década de 1980. O início disso tudo, entretanto, remonta à aos primeiros anos da década de 1970.
Foi neste período que a superestrutura da União Soviética começou a colapsar. O aumento do preço do petróleo permitiu que a URSS acumulasse capital. Com o dinheiro obtido, patentes tecnológicas foram compradas. A tecnologia importada, no entanto, traz consigo um problema: exige constante atualização. Quando os soviéticos adotaram essa política, o preço do petróleo estava em alta. O bloco não se deu conta, porém, de que ficou dependente do mercado internacional. Nos anos 1980, o preço do petróleo caiu, e ocorreu um estrangulamento econômico.
Paralelamente, os EUA de Ronald Reagan desencadearam uma corrida armamentista que a URSS não tinha recursos para competir. Assim, a sociedade começou a se desencantar. Quando Mikhail Gorbachev assumiu o governo, em 1985, havia esperança de uma renovação. O que ocorreu, no entanto, foi uma desagregação com a consequente cisão no Partido Comunista: de um lado, Gorbachev, o líder da URSS, e, de outro, Boris Yeltsin, o presidente da Rússia.
Enquanto o primeiro queria realizar algumas reformas, o segundo desejava acabar com o que estava estabelecido. "A URSS se dissolve não porque as repúblicas saíram do bloco, mas porque a Rússia saiu", diz o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Paulo Visentini. Assim, a força para mudança existia dentro da Rússia, mas não da União Soviética. A maioria das repúblicas ficou independente contra a vontade.
Em 1991, por fim, Yeltsin decide que toda a arrecadação das empresas em território russo pertenceria ao governo da Rússia. Sem contar com uma fonte de financiamento, o bloco não se sustentou.