O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifeste sobre a decisão do Brasil de impedir que a Venezuela faça parte do Brics. "Prefiro ser cauteloso. Espere que Lula observe, esteja bem informado dos acontecimentos, e que ele como chefe de Estado diga o que tem a dizer", afirmou Maduro durante seu programa de rádio e televisão, quando questionado sobre o assunto, na noite de segunda-feira. O ditador gastou 40 minutos das 2h30min de seu programa semanal, o Con Maduro Más, para falar sobre as relações com o Brasil.
À frente de uma tela que exibia o momento em que cumprimentou o presidente da Rússia, Vladimir Putin, o líder venezuelano tentou afastar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) da polêmica, qualificada por ele de "facada nas costas".
Na versão do ditador, funcionários brasileiros afirmaram em conversas privadas que não vetariam a entrada do país no Brics. Foi apenas quando iam anunciar a lista de convidados para entrar no grupo que a posição teria mudado, ainda de acordo com o líder.
Naquele momento, segundo Maduro, "apareceu um funcionário de obscuro e triste passado bolsonarista". O alvo da retórica conspiracionista é Eduardo Paes Saboia, conhecido por, em 2013, ajudar o ex-senador boliviano Roger Pinto Molina a fugir da embaixada brasileira em La Paz, onde o diplomata era encarregado de negócios.
O líder venezuelano disse também que nove membros do Brics apoiaram o ingresso da Venezuela no bloco, durante o encontro da cúpula na semana passada, realizado na Rússia. O Brasil, porém, bloqueou a iniciativa.
Maduro ainda criticou o Ministério das Relações Exteriores, ao dizer que o prédio da pasta em Brasília "é há muitos anos uma potência dentro do poder do Brasil" e "sempre conspirou contra a Venezuela". "O veto do Itamaraty não poderá impedir nosso caminho no Brics", afirmou.