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Publicada em 10 de Janeiro de 2024 às 20:39

Entenda as origens da crise de segurança do Equador

País vive a insegurança do controle do narcotráfico em algumas frentes

País vive a insegurança do controle do narcotráfico em algumas frentes

STRINGER/AFP/JC
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Agência Brasil
O Equador voltou ao noticiário mundial devido a mais uma onda de violência protagonizada pelo narcotráfico. Ao menos desde 2021, o país é sacudido por rebeliões, motins e enfrentamentos entre facções do crime organizado e das forças de segurança. Para entender as origens dessa crise na segurança pública do país sul-americano, especialistas em América Latina analisam a situação.
O Equador voltou ao noticiário mundial devido a mais uma onda de violência protagonizada pelo narcotráfico. Ao menos desde 2021, o país é sacudido por rebeliões, motins e enfrentamentos entre facções do crime organizado e das forças de segurança. Para entender as origens dessa crise na segurança pública do país sul-americano, especialistas em América Latina analisam a situação.
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A violência no Equador tem origem na pobreza da população, que oferece abundante mão de obra para o tráfico, na demanda de drogas dos EUA e da Europa, principais centros consumidores do planeta, e nas mudanças na dinâmica do tráfico internacional de drogas, em especial, relacionadas ao papel da Colômbia, vizinha do Equador.

O presidente do Instituto de Estudos Latino-Americanos (Iela) da Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc), professor Nildo Ouriques, destaca o papel que as políticas sobre drogas nestes lugares desempenham nos países da América Latina. "O consumo de cocaína na Europa e nos EUA é gigantesco e não há política lá que possa minimizar. Isso coloca uma demanda sobre os países latino-americanos que estão submetidos à deterioração dos termos de troca e o único produto que não cai no mercado mundial é a cocaína", destacou.

Ele acrescenta que a piora do mercado de trabalho, tanto no Equador quanto nos demais países latino-americanos, facilitou o tráfico internacional. "Nunca antes no desenvolvimento capitalista da América Latina a situação do trabalho foi tão aviltada, de tal maneira que o convite para o crime é gigantesco. É um exército industrial de reserva inesgotável".
Já para o professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (Unb), Roberto Goulart Menezes, coordenador do Núcleo de Estudos Latino-americanos, a crise de segurança causada pelo narcotráfico ameaça a soberania do Estado equatoriano.

O especialista considera que o desmantelamento dos cartéis de Medellin e Cali, na Colômbia, ao longo dos anos 1990, gerou uma ramificação do narcotráfico para outros países da América Latina. "Esse combate ao crime organizado e aos cartéis na Colômbia fez o tráfico ramificar seus negócios e parte dos seus negócios foi para o Equador", afirmou.
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O professor Ouriques acrescentou que o acordo de paz firmado na Colômbia com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em 2016, contribuiu para a situação atual do Equador.

"A criminalidade no Equador tem íntima relação com a Colômbia. Quem regulava as fronteiras com o narco eram as Farc. As Farc regulavam áreas inteiras e administrava isso com mão duríssima. Quando as Farcsaíram, os cartéis do México e os equatoriais se associaram livremente", comentou.

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