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Internacional

- Publicada em 06 de Agosto de 2022 às 08:41

Entenda por que Taiwan é área histórica de tensão para a China

Região de 23 milhões de habitantes se autodenomina independente, mas Pequim a considera uma província separatista rebelde que deve ser recuperada

Região de 23 milhões de habitantes se autodenomina independente, mas Pequim a considera uma província separatista rebelde que deve ser recuperada


SAM YEH/AFP/JC
Palco de uma das maiores tensões recentes entre China e EUA, Taiwan sempre esteve na órbita de Pequim, mas já viveu sob o jugo de outros domínios: foi colônia holandesa no século 17 e domínio do Japão do final do século 19 até a Segunda Guerra Mundial.
Palco de uma das maiores tensões recentes entre China e EUA, Taiwan sempre esteve na órbita de Pequim, mas já viveu sob o jugo de outros domínios: foi colônia holandesa no século 17 e domínio do Japão do final do século 19 até a Segunda Guerra Mundial.
A ilha viveu sob influência de autoridades de Pequim do final do conflito até a Guerra Civil chinesa, encerrada em 1949. À época, nacionalistas que haviam sido derrotados pelas tropas de Mao Tse-tung, que instauraria o regime comunista de partido único na China, fugiram para Taiwan e ali forjaram um governo capitalista. A região de 23 milhões de habitantes se autodenomina independente, mas Pequim a considera uma província separatista rebelde que deve ser recuperada - à força, caso necessário.
Apenas 14 países a reconhecem como uma nação, sendo a maioria da América Latina e do Caribe - como Guatemala e Haiti. O isolamento diplomático é, em grande parte, fruto da pressão exercida pela política de "uma só China", segundo a qual países só podem ter relação com Pequim, gigante econômica, ao romperem laços com Taipé.
O imbróglio geopolítico com Washington, com quem a China trava uma Guerra Fria 2.0, nasce daí. Os EUA estabeleceram laços formais com Pequim em 1979, mas descrevem Taiwan como uma parceira-chave na região do Indo-Pacífico, onde também disputam influência com o regime comunista asiático, e mantêm relações econômicas e militares com a ilha.
Ao se tornar a mais alta autoridade norte-americana a visitar Taiwan em 25 anos, Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Deputados, atingiu diretamente pontos sensíveis da administração do líder Xi Jinping.
A caminho de consolidar seu terceiro mandato como dirigente do regime chinês, Xi tem alçado Taiwan novamente como uma das prioridades de Pequim. Reiteradas vezes ele afirmou que o objetivo de rejuvenescimento nacional, meta para o centenário da República Popular da China, em 2049, incluiu a reunificação do país. "A tarefa histórica da reunificação completa da pátria deve ser e será definitivamente cumprida", afirmou, em meados de outubro passado.
O discurso coincide com a mudança de postura dos Estados Unidos em relação a Taipé durante o governo de Joe Biden - o presidente norte-americano já disse, por exemplo, que os EUA usariam a força para defender a região caso ela fosse invadida militarmente pela China.
Inúmeros exercícios militares foram registrados nos últimos meses, sendo que os mais agressivos estão em andamento. Taipé, por sua vez, já tem até cartilhas prontas para reagir a uma possível invasão e realizou exercícios de treinamento. De certo modo, a Guerra da Ucrânia também se tornou ingrediente de tensão. Afinal, no Leste Europeu, a Rússia - uma aliada da China no xadrez geopolítico - também invadiu um território menor e militarmente mais fraco com o qual sua história está entrelaçada.
Com PIB avaliado em US$ 766 mil, segundo cifras oficiais, Taiwan hoje é considerada uma democracia. As primeiras eleições presidenciais diretas foram realizadas em 1996, quando Lee Teng-hui (1923-2020), que já estava no cargo, foi eleito pelo voto popular. Ele é conhecido como "o pai da democracia taiwanesa". A atual presidente é Tsai Ing-wen, reeleita em 2020. Na ocasião, ela, avessa à reaproximação com Pequim, recebeu quase 8,2 milhões de votos, o máximo que um candidato conseguiu desde 1996.
Folhapress
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