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Guerra na Ucrânia

- Publicada em 07 de Abril de 2022 às 19:00

Guerra na Ucrânia faz 6 semanas com nova fase e Europa em crise

Russos atacaram depósitos de combustível que abasteciam ucranianos no leste

Russos atacaram depósitos de combustível que abasteciam ucranianos no leste


FADEL SENNA/AFP/JC
A guerra na Ucrânia entrou na sua sétima semana nesta quinta-feira (7) com uma nova fase militar em pleno andamento e a crescente dificuldade da Europa em manter na prática o discurso de apoio a Kiev contra a invasão russa de seu território. As forças de Vladimir Putin atacaram, durante a madrugada, cinco grandes depósitos de combustível nas regiões de Kharkiv, Nikolaev e Donbass que abasteciam o esforço de guerra dos ucranianos no leste do país. Na véspera, ocorrera o mesmo em Dnipro.
A guerra na Ucrânia entrou na sua sétima semana nesta quinta-feira (7) com uma nova fase militar em pleno andamento e a crescente dificuldade da Europa em manter na prática o discurso de apoio a Kiev contra a invasão russa de seu território. As forças de Vladimir Putin atacaram, durante a madrugada, cinco grandes depósitos de combustível nas regiões de Kharkiv, Nikolaev e Donbass que abasteciam o esforço de guerra dos ucranianos no leste do país. Na véspera, ocorrera o mesmo em Dnipro.
Esta é a senha para o novo foco da guerra, anunciado pela Rússia na semana passada e confirmado na quarta (6) pelo presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, que pediu a retirada dos moradores da parte sob seu controle das duas províncias do Donbass, Lugansk e Donetsk. Situadas no leste do país e russófonas, elas estão no centro da justificativa oficial de Putin pela mais sangrenta guerra ocorrida na Europa desde 1945: após reconhecer as áreas tomadas por rebeldes pró-Kremlin em 2014 como países, o russo prometeu protegê-las militarmente.
Com o desmoronamento da campanha russa no nordeste da Ucrânia, fracassando em cercar Kiev por mau planejamento, insuficiência de forças e por ter subestimado a resistência, o Kremlin afirmou que faria uma "redução drástica" das operações por lá, alegando que isso favoreceria negociações de paz.
Kiev e o Ocidente disseram que era mentira, mas o fato é que não há mais forças ofensivas significativas em toda a área, tanto que a desocupação de cidades como Bucha levou à comoção mundial em torno das cenas de horror nas ruas. Desta vez, se dissimulou o motivo, Moscou falou a verdade em relação ao que iria fazer.
No caso, concentrar forças no Donbass para a nova fase da operação, como o Ministério da Defesa anunciou, evitando o erro de ter poucos soldados à disposição em múltiplas frentes. O apelo de Zelensky para a retirada dos moradores indica que seu governo leva a sério a noção de que uma grande batalha se avizinha, e ele quer evitar a repetição das cenas em Mariupol.
Antes da guerra, moravam na parte rebelde do Donbass cerca de 3,8 milhões de pessoas. Na parte ucraniana, pouco mais de 2 milhões. A área de Lugansk já foi quase completamente tomada até as fronteiras históricas da região, enquanto em Donetsk os russos falam em 60%.
A Ucrânia tem 44 milhões de moradores, 10% deles já refugiados fora do país e quase 20% deslocados internamente. Os números de mortos são incertos, mas na casa dos milhares até aqui.
A dúvida é se Zelensky irá retirar suas forças para evitar um colapso de parte importante de sua tropa ou as trará para perto de Kiev, onde estariam mais bem protegidas. Diferentemente da defesa da capital, eficaz com o uso de infantaria leve armada com letais mísseis antitanque, a batalha no Donbass precisará de uso de forças mecanizadas.
E os russos dizem ter destruído 1.987 tanques e blindados ucranianos até aqui, quase dois terços do que o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (Londres) contabilizava antes da guerra. E o Ocidente não fornece esse tipo de arma para Kiev, ainda pelo menos.
Se reconquistar o Donbass e finalizar o domínio da ponte terrestre o ligando à Crimeia, com a virtual destruição de Mariupol, Putin terá uma vitória para vender para o público doméstico. Poderá dizer que "libertou", as áreas da chamada Nova Rússia no vizinho e que degradou o poder de combate dele. Por outro lado, nada garante que tal consolidação não seja o início de algo maior, como a tomada da costa toda do mar Negro ou mesmo uma guerra contínua contra Kiev.

 

Críticas a pouca eficácia das sanções ocidentais são unânimes

Também é unânime a crítica às sanções ocidentais, que até aqui não se refletiram em redução do esforço de guerra do Kremlin - Putin auferiu um recorde de popularidade desde o começo da invasão,de 83% segundo o independente Centro Levada.
As sanções também entraram em nova etapa na quarta-feira, com o anúncio de uma nova rodada de restrições norte-americanas e britânicas. Mas o nó se encontra na Europa, que vive um dilema sobre como punir Putin e não ser prejudicada em demasia por isso.
A questão central é o mercado energético, já que 40% do gás natural consumido no continente é russo, além de fatias expressivas do petróleo e do carvão. Nesta quarta, o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, deu um número chocante para ilustrar o problema.
"Nós demos quase 1 bilhão de euros (R$ 5,1 bilhões) para a Ucrânia (se armar desde a invasão). Parece muito, mas estamos pagando 1 bilhão de euros por dia para Putin pela energia que ele nos fornece. Desde o começo da guerra, nós demos a ele 35 bilhões de euros (R$ 180 bilhões), comparado com o 1 bilhão que demos para a Ucrânia", afirmou o espanhol ao Parlamento Europeu.
A questão é que o aumento nos preços de energia na crise já está afetando as perspectivas de inflação no continente, e isso tem impacto político relevante. Além disso, aliados históricos de Putin, o premiê Viktor Orbán (Hungria) e o presidente Aleksandr Vucic (Sérvia), venceram eleições importantes na semana passada.
Mas os olhos estão na França, onde a extrema-direita de Marine Le Pen está se aproximando do presidente Emmanuel Macron. O primeiro turno da disputa ocorre neste domingo (10). Le Pen é uma aliada discreta de Putin, e Macron tem misturado críticas duras a Moscou a tentativas frustradas de mediar negociação. Com o combustível em alta devido à guerra, corre riscos antes vistos como improváveis.