O líder do grupo radical libanês Hezbollah, Hassan Nasrallah, fez ontem uma aparição pública em um protesto em Beirute contra o filme anti-islã que provoca manifestações em países islâmicos desde a terça-feira passada.
Nasrallah raramente fala em público. Desde o fim da guerra entre Líbano e Israel, em 2006, ele só discursou cinco vezes em locais abertos por receio de um ataque de agentes do Estado judeu, preferindo videoconferências. A última aparição pública de Nasrallah havia sido em dezembro de 2011, durante o dia da Ashoura, sagrado para os islâmicos xiitas, mas o último discurso fora em 2008.
Ontem, em discurso de 15 minutos, defendeu os protestos contra o vídeo, os quais havia pedido que se prolongassem por uma semana em comunicado divulgado no domingo. “Este é o início de um movimento sério, que deve continuar por todo o mundo muçulmano em defesa do profeta de Alá (Maomé, criticado no filme). Enquanto tivermos sangue, não ficaremos calados ao ver insultos contra nosso profeta”, disse.
Ele ainda fez duras críticas aos Estados Unidos. “Os norte-americanos, que usam o pretexto da liberdade de expressão, precisam entender que se lançarem esse filme completo sofrerão consequências muito graves em todo o mundo.”
Devido aos atos, os Estados Unidos emitiram um alerta a respeito dos riscos de se viajar ao Líbano e suspenderam as garantias para os norte-americanos que desejam ficar nesse país. Ao pedir que os cidadãos evitem viagens ao país árabe, o Departamento de Estado destacou os recentes sequestros de estrangeiros por diferentes grupos e clãs e as tensões causadas pelo conflito na Síria.
“O potencial no Líbano de um surto espontâneo de violência está em vigor. Autoridades governamentais libanesas não estão capacitadas para garantir a proteção dos cidadãos ou visitantes (norte-americanos) no país se a violência emergir de repente”, informou comunicado do Departamento de Estado.
Nasrallah convocou os muçulmanos do Líbano a protestar contra o filme que satiriza o profeta Maomé, com manifestações contra os Estados Unidos.
“Mostrem ao mundo inteiro nossa ira e nossa voz, hoje e nos dias seguintes”, declarou o líder do poderoso movimento xiita em discurso transmitido pela Al Manar, a TV do Hezbollah.
O filme “A Inocência dos Muçulmanos”, produzido nos Estados Unidos e que mostra o profeta Maomé como imoral e brutal, provocou violentos protestos diante das representações diplomáticas dos EUA no Cairo e em Benghazi na terça-feira passada, se espalhando depois para outros países.
Na Líbia, o protesto deu lugar a um ataque com armas pesadas contra o consulado norte-americano, resultando na morte de quatro funcionários, inclusive na do embaixador Christopher Stevens. Na sexta, o principal dia de oração do Islã, os protestos sacudiram Iraque, Irã, Iêmen, Egito, Síria, Marrocos, Argélia, Tunísia, Sudão e Líbano, além de vários países muçulmanos na Ásia, deixando ao menos 11 manifestantes mortos.