Um duplo ataque suicida perpetrado por duas mulheres-bomba provocou a morte de pelo menos 38 pessoas no metrô de Moscou na manhã de ontem, informaram autoridades locais. Mais de 60 pessoas ficaram feridas. A Interpol (polícia internacional) ofereceu ajuda à Rússia para investigar os responsáveis pelos ataques.
Nenhum grupo havia reivindicado a autoria das explosões até a noite de ontem, mas Alexander Bortnikov, diretor do Serviço Federal de Segurança (FSB, por suas iniciais em russo), disse que investigações iniciais apontam para rebeldes radicados no Cáucaso. Em uma reunião com o presidente Dmitry Medvedev transmitida pela televisão russa, Bortnikov sugere que pedaços dos corpos das duas mulheres-bomba apontam para uma conexão com o Cáucaso. Ele não forneceu mais detalhes.
Rebeldes islâmicos em busca de independência atuam na região do Cáucaso desde a primeira metade da década de 1990, em especial na Chechênia e em suas adjacências. No fim do ano passado, rebeldes chechenos reivindicaram a autoria de um ataque a um trem de passageiros que seguia de Moscou para São Petersburgo. “Nós continuaremos a combater o terrorismo até o fim e não iremos nos dobrar”, destacou o presidente Medvedev. Em visita oficial à Sibéria, o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, prometeu que “os terroristas serão destruídos”.
A primeira explosão ocorreu na estação Lubyanka, na região central de Moscou, às 7h56min locais. A estação situa-se logo abaixo da sede do FSB, organismo que sucedeu a KGB após o colapso da União Soviética. Cerca de 45 minutos depois, uma segunda explosão atingiu a estação Parque Kultury. Os dois ataques resultaram em um total de 38 mortos e mais de 60 feridos. Não havia detalhes mais precisos sobre a cifra de vítimas em cada uma das estações.
“Eu ouvi uma explosão. Quando olhei para o lado vi fumaça por toda a parte. As pessoas corriam em pânico para as saídas”, relatou Alexander Vakulov, de 24 anos, que estava na plataforma oposta à da explosão na estação Parque Kultury. Emissoras russas de televisão exibiram filmagens feitas por cinegrafistas amadores na estação Lubyanka. Pessoas feridas e outras possivelmente mortas eram vistas pelo chão e a plataforma estava repleta de fumaça.
A assessoria de imprensa do serviço de metrô informou que o número de passageiros caiu significativamente depois dos ataques. Apesar da segurança reforçada em toda a rede de metrô, o horário de rush do fim de tarde teve apenas metade do número habitual de passageiros.
A capital russa não era alvo de um ataque extremista desde agosto de 2004, quando dez pessoas morreram em uma ação suicida em frente a uma estação de metrô. Na ocasião, o atentado foi reivindicado por rebeldes chechenos. As explosões de ontem praticamente pararam o centro da cidade enquanto ambulâncias eram enviadas às estações atacadas. O metrô de Moscou é um dos mais movimentados do mundo. Em média, sete milhões de passageiros utilizam os trens por dia.