Há 50 anos, José Lutzenberger lançou um grito de alerta no seu Manifesto Ecológico Brasileiro, que trazia no título não uma afirmação, mas uma pergunta:
Fim do Futuro? Foi durante uma viagem a Torres que o ecologista e engenheiro agrônomo, concebeu a obra, que traz, em seu
texto enxuto e didático, as problemáticas e as alternativas para uma sociedade que agia, segundo ele, de
maneira autodestrutiva.
Meio século depois, o grito de Lutz está de volta ao debate. A
Editora da Ufrgs acaba de
reeditar e lançar em formato digital e gratuito a obra, que já está disponível para download pela
plataforma Lume. O relançamento oficial ocorreu nesta
terça-feira (3), em evento na Feira do Livro de Porto Alegre, promovido pela Matinal Jornalismo. A atividade debateu a atualidade do livro através de falas da
filha do ambientalista, Lilly Lutzenberger, e do professor do Instituto de Geociências da Ufrgs e coordenador do Atlas Ambiental de Porto Alegre,
Rualdo Menegat, com mediação de
Luís Augusto Fischer.
No bate-papo, Lilly destacou que, no livro e na vida,
seu pai apontava os erros do presente e os caminhos para um futuro melhor. O ecologista, que
faria 100 anos no próximo 17 de dezembro, lutou durante toda a sua vida para que a ecologia fosse entendida como “
uma ciência que busca manter o planeta funcional e fazer a manutenção da nossa própria sobrevivência, pois somos a espécie mais vulnerável”, como diz a primogênita.
“
O fim do futuro é muito mais provável para nós, humanos”, afirma Lilly. “A Terra vai continuar seus ciclos, vai continuar existindo de alguma forma, mesmo se perder 90% de suas espécies. Aqueles 10% vão continuar e formar uma nova Terra, uma nova ecologia.”