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Publicada em 02 de Novembro de 2026 às 10:46

Dia de Finados: cemitérios de Porto Alegre têm movimento intenso e missas especiais

Cemitério Santa Casa projeta movimento de cerca de 2 mil pessoas ao longo do feriado

Cemitério Santa Casa projeta movimento de cerca de 2 mil pessoas ao longo do feriado

Fernanda Bigio Davoglio/Especial/JC
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Jamil Aiquel
Jamil Aiquel Repórter
Os cemitérios de Porto Alegre registraram intensa movimentação em virtude da celebração do Dia de Finados. O feriado católico, dedicado a homenagear os mortos, atraiu milhares de visitantes na Capital, que preparou programações especiais para a data. No Cemitério Santa Casa, o movimento se estendeu ao longo do feriadão, com destaque para a tradicional Missa Campal, celebrada às 10h pelo Arcebispo Dom Jaime Cardeal Spengler, e para a apresentação do Coral Santa Casa.
Segundo a administração do espaço, a expectativa era receber cerca de 2 mil pessoas ao longo do dia. O responsável pelo cerimonial, Jorge Ramires, que atua há 22 anos na área, observa que, embora as novas gerações e práticas como a cremação estejam mudando o comportamento do público, a data segue essencial para muitas famílias.
"A geração mais antiga tem o costume de vir ao cemitério nessa data porque foi ensinada desde pequeno, ainda tem muita gente que valoriza, faz a sua homenagem. Sem os antepassados, nós não somos nada", reflete Ramires. Para acolher as manifestações de carinho, o cemitério criou um "mural da saudade", onde os visitantes podem amarrar fitas com mensagens aos entes queridos.
Esse valor de preservar a memória familiar é o que motiva o visitante Edson, de 61 anos, a frequentar o local todos os anos para visitar o jazigo da mãe e de dois irmãos. Ele conta que o hábito de ir ao cemitério foi ensinado pela matriarca ainda no Interior. "É o único jeito que tem de agradecer ela depois de morta. Ela, quando viva, nos ajudava e ajudava os outros. Agora, nós estamos fazendo por ela o que ela fazia antes", emociona-se o visitante.
Para outros, o Dia de Finados é um momento de reflexão profunda e um espaço para conscientização. Uma visitante, que preferiu não se identificar, perdeu o filho de 34 anos para a depressão e aproveitou o momento de luto para alertar sobre a gravidade da doença. "Ela não escolhe classe social", afirma. Para ela, o feriado ajuda as pessoas a se reconectarem e a entenderem um pouco mais a dor do outro. "Todo mundo vem, mas é muito doído. A depressão nada mais é do que a doença da alma", desabafa, lembrando que o transtorno interrompeu abruptamente os planos do filho, que deixou uma esposa e um bebê de apenas um ano.
Além das homenagens aos familiares, o Cemitério Santa Casa também atrai o público por abrigar personalidades ilustres da história gaúcha. O túmulo do músico Teixeirinha é um dos grandes destaques do local, sendo ponto de parada para fãs de diversas regiões. A popularidade do artista atrai turistas como Belani Chaves, de 66 anos. Moradora de Santa Catarina, ela aproveitou a visita a Porto Alegre para conhecer o jazigo do ídolo pela primeira vez. "É um dia para lembrar, fazer orações e rever os irmãos e amigos que se juntam no cemitério nesse dia", afirma.
Também vindo de Santa Catarina, mas acompanhado por uma comitiva de quase 10 familiares, José dos Santos, de 75 anos – conhecido como Ari –, fez questão de incluir o túmulo de Teixeirinha em seu roteiro. Natural de Soledade e criado ouvindo os sucessos do músico gaúcho, ele reforça a importância da visitação, que é um hábito desde a infância. Após já ter homenageado a filha, falecida no final do ano passado e sepultada em outro cemitério, ele resumiu o espírito e a importância da data.

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