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Publicada em 02 de Outubro de 2026 às 07:49

Pesquisador da Ufrgs aponta Rio Grande do Sul com potencial para terras raras

Estado já tem três cidades com os elementos encontrados: Caçapava do Sul, Lavras do Sul e Bagé

Estado já tem três cidades com os elementos encontrados: Caçapava do Sul, Lavras do Sul e Bagé

Gil Leonardi/Agência Minas/Divulgação/JC
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Cássio Fonseca
Cássio Fonseca Repórter
Em alta na economia global, os minerais críticos também ganharam destaque na pauta brasileira, principalmente com a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), instituída pela Lei nº 15.506, sancionada em setembro com foco no adensamento da cadeia produtiva e na transição ecológica. Neste escopo de minerais, que contempla elementos indispensáveis para o desenvolvimento tecnológico, a segurança e a economia de um país, estão as terras raras, um grupo ainda mais seleto de 17 elementos químicos da tabela periódica, também conhecidos como ETRs.
O professor de Geologia da Ufrgs, Edinei Koester, conta que esses componentes são vitais para a tecnologia moderna, a transição energética e a miniaturização de dispositivos, o que explica a diminuição dos telefones celulares, por exemplo. Isso se dá pelo neodímio, uma terra rara fundamental para a fabricação de ímãs permanentes de alta capacidade, utilizados nos motores de carros elétricos e em componentes internos de smartphones.
No Rio Grande do Sul, Koester fez das terras raras o seu grande foco de pesquisa desde a década passada. O gatilho para esse movimento foi a descoberta inicial das rochas carbonatiticas no Estado, em 2010, por uma empresa privada, focada na produção de fertilizantes.
Uma das motivações do professor é que, enquanto a iniciativa privada busca viabilidade comercial imediata, o papel do laboratório universitário é entender o "comportamento químico e a distribuição detalhada dos minerais nas rochas, conhecimentos indispensáveis para resolver gargalos técnicos e mapear novos depósitos".
Já foram encontradas terras raras em três municípios gaúchos, no eixo Caçapava do Sul, Lavras do Sul e Bagé. A primeira cidade foi o ponto de partida das descobertas, onde as rochas foram inicialmente encontradas em pesquisas de fertilizantes, descobrindo-se posteriormente que aqueles carbonatitos também contêm altas concentrações de terras raras, conta Koester.
Além disso, ele frisa que o eixo Porto Alegre, Pelotas, São Gabriel possui grande potencial para a busca destes elementos, embora tais áreas ainda necessitem de mapeamentos e estudos analíticos mais detalhados. Na Capital, o Morro Santana e o Morro Teresópolis são citados pelo pesquisador como áreas de potencial para estudos sobre a concentração de terras raras decorrente do intemperismo das rochas em solos.
Por outro lado, a Serra Gaúcha, incluindo municípios como Caxias do Sul e Gramado, além de cidades como Uruguaiana e Frederico Westphalen, já foram descartadas por conta das características dos terrenos.
Quanto à metodologia de trabalho na universidade, Koester explica que coletam-se amostras de campo em afloramentos e trituram-se os blocos de rocha até transformá-los em um pó ultrafino, como se fosse um talco. Então, o grupo separa os grãos minerais individuais para identificar em qual mineral específico as terras raras estão presas.
Porém, a principal dificuldade para a continuidade do trabalho é a mão de obra qualificada. “Existe uma constante dificuldade para atrair, capacitar e manter alunos de pós-graduação e pesquisadores especializados dedicados continuamente ao tema nas universidades”, diz Koester.
Além disso, apesar de contar com equipamentos de ponta, avaliados entre US$ 2 milhões e US$ 3 milhões de dólares, há recorrente escassez de verbas e investimentos para realizar a manutenção preventiva e corretiva dessas máquinas. Sem contar que a infraestrutura de alta tecnologia existente é disputada por diversos grupos de pesquisa, o que torna o ritmo das análises e resultados mais lento do que o desejado pela equipe, conforme o professor.

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