A integração da inteligência artificial (IA) na gestão hospitalar com o objetivo de devolver o tempo dos profissionais de saúde para o cuidado humano foi o tema central do painel “Experiência em saúde, pessoas no centro das decisões na era da inteligência artificial". O debate ocorreu durante o Health Meeting 2026, uma das maiores feiras de inovação, tecnologia e negócios em saúde do país, realizada no Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre (RS)
Moderado por Melina Schuch, superintendente de estratégia e mercado do Hospital Moinhos de Vento, o encontro reuniu quatro lideranças de grandes instituições de saúde do Brasil para discutir os impactos reais da tecnologia no cotidiano hospitalar e na experiência do paciente. O consenso entre os debatedores foi de que a nova tecnologia deve servir para resolver demandas burocráticas e analíticas, permitindo que as equipes voltem o foco para a assistência e o relacionamento com os pacientes.
Para Fernando Torelly, vice-presidente da regional sul do Rio de Janeiro da Rede D'Or, o tempo economizado por sistemas que geram análises de dados instantâneas deve ser reinvestido na gestão de pessoas, em conversas de qualidade e no contato com os pacientes. Ele ressaltou que, por melhor que seja o cenário tecnológico, o acolhimento humano ainda dita a escolha do paciente. “A internet e toda a tecnologia que tem no nosso sistema não substitui um profissional entrar no quarto com empatia, tocar no doente, porque isso é que vai fazer a diferença competitiva dos hospitais", afirmou Torelly.
Trazendo a perspectiva do acolhimento e comunicação, Marcos Riva, superintendente de pessoas, marcas e experiência no Hcor de São Paulo, destacou que a agilidade prometida pelas inovações não deve ofuscar a necessidade de escuta e comunicação eficaz. Ele alertou que o contato presencial de qualidade gera níveis de satisfação muito maiores do que um simples atendimento rápido e impessoal. “Eu espero que a inteligência artificial faça com que a gente seja cada vez mais humano. O cuidado não é artificial, o cuidado é humano", pontuou Riva.
No cenário de aplicação prática, Jader Pires, da Santa Casa de Porto Alegre, compartilhou como a instituição tem desenvolvido seu próprio núcleo interno de inteligência artificial. O hospital já utiliza a tecnologia para automatizar milhares de agendamentos por WhatsApp e analisar a autenticidade de atestados médicos, mas a validação humana continua sendo a diretriz principal do processo.
"A IA pode recomendar, ela pode sinalizar, mas a decisão difícil, ela precisa ficar para ti, pra tua responsabilidade, pra tua liderança", explicou Pires.
Representando os desafios do interior, Bernardo Almeida Marques da Costa, do Complexo Hospitalar Astrogildo de Azevedo, em Santa Maria (RS), relatou o esforço para modernizar processos em uma instituição centenária que atende a uma região de quase um milhão e meio de habitantes. Ele traçou um paralelo com saltos tecnológicos e reforçou que a automação na triagem e nos dados gerenciais mira diretamente no bem-estar do corpo clínico e do paciente. O foco, segundo Bernardo, é usar essas inovações para “tornar o nosso dia a dia mais produtivo, mas também mais saudável, para que a gente devolva tempo para que a assistência esteja na beira do leito"
Continue sua leitura, escolha seu plano agora!