Típico de setembro, o tempo nublado marcou o penúltimo sábado (12) de Acampamento Farroupilha. Mesmo assim, o movimento foi intenso entre os 236 piquetes e as 10 apresentações culturais que se dividiram nos dois palcos do evento. Entre celebrações à cultura japonesa, shows de chula, gaita e música, o destaque da programação da tarde foi a 3º edição do Pôr do Sol da Canção Piá, que mantém acesa a chama da tradição entre as novas gerações.
Foram 12 apresentações musicais — divididas nas categorias Mirim (8 a 11 anos) e Juvenil (12 a 15 anos) — que subiram ao palco Jayme Caetano Braun, a partir das 15h. Encantando o público, que se espalhava em torno do palco, os jovens músicos entoaram clássicos do cancioneiro gaúcho, como Boneca de Pano, Santa Helena Da Serra e Em tudo Leio teu Nome.
A campeã do ano passado na categoria Mirim, Isabela Tramontina, de 11 anos, foi a primeira a subir ao palco. A menina diz que canta desde os 7 anos e tem experiência em festivais. “Pra mim é bem bom ganhar, mas tudo bem se não ganhar também”, diz.
“Eu gosto muito de cantar e esses festivais abrem muitas oportunidades pra gente conhecer outras crianças que também gostam de música. Por exemplo, eu conheci o Matheus em um festival e agora nós temos uma dupla que faz show de Sandy & Júnior”, comenta Isabella.
Muriel Gaiteiro, de 13 anos, e Lara Labarte, de 15, também cantaram 'Catedral' e 'Santa Helena da Serra' respectivamente
TÂNIA MEINERZ/JC
Muriel Gaiteiro, de 13 anos, e Lara Labarte, de 15, também se apresentaram, mas na categoria juvenil. Cantando Catedral e Santa Helena da Serra respectivamente, os dois já acumulam alguns anos de estrada na música e ressaltam a importância desse tipo de evento para dar visibilidade a novos cantores, bem como para transmitir a tradição gaúcha de geração pra geração.
“Sempre tive muita influência do meu vô, que tocava gaita”, diz Muriel, campeão da primeira edição do Festival. “A partir daí fui buscar meus estilos e gostos. Hoje a música gaúcha não é muito popular entre as crianças, e eventos como este fazem com que novas gerações conheçam e, inclusive, subam no palco para cantar.”
Vinda de uma família musical, Lara tem pais cantores e que vivem da música há duas décadas. Agora, a pequena cantora segue por este caminho. “Sempre foi uma coisa muito natural, que eu via no dia a dia. Eu também me encontrei no dom deles, gosto muito de cantar, é a minha paixão!”, declara.
“Tirando a parte da competição, esses Festivais também nos dão muita experiência pra gente se aprimorar cada vez mais na função. É uma oportunidade da gente fazer o que a gente gosta e nos dá muita visibilidade, pra nós que temos esse dom desde pequenos”, diz a gravataiense.
O movimento também foi grande no pavilhão de agricultura familiar, que este ano conta com 44 empreendimentos rurais, sendo 35 agroindústrias familiares e nove espaços de artesanato rural e indígena. Oferecendo produtos como queijos, doces, mel, vinhos, embutidos, cachaças e artesanatos, os empreendedores vêm sentindo uma boa movimentação de público neste ano.
Luci Almeida inovou ao trazer para o Acampamento um sorbet 100% gaúcho, que, além de ser sem glúten e sem lactose, tem base de aipim para dar a liga. Com sabores típicos do nosso Estado, como butiá e erva-mate, o estande da SorbeTchê gerava filas de curiosos.
“Eu fui pioneira no movimento para abrir este espaço pra Agricultura Familiar no Acampamento e hoje estamos aí com toda essa galera. Graças a Deus, todos que vêm conhecer o nosso pavilhão, acabam levando alguma coisa. As vendas estão a mil”, diz Luci. “Sempre vendi sorvete e o sorbet foi lançado em 2022. É um produto sem leite, com frutas orgânicas e a proposta é contemplar o público com restrições alimentares.”
Luci Almeira comanda o SorbeTchê desde 2022, trazendo sabores gaúchos em produtos sem glúten e sem lactose
TÂNIA MEINERZ/JC
Pela primeira vez no Acampamento, Marcos Witt, 36 anos, e Natália Prestes, 37, estavam comprando os famosos sabores de butiá e erva-mate, carros-chefe da marca. “Viemos aqui só por causa desse sorvete. Sou fanática por chimarrão e tá aprovado! Muito bom. Ele começa doce e no final dá aquele amarguinho”, elogia Natália.
“É a nossa primeira vez aqui no Parque Harmonia e estamos adorando”, diz o leopoldense Marcos. “É sensacional, tem muita coisa diferente. E ano que vem vamos voltar, pra provar o sorvete de arroz doce e de caipirinha!”
No fim de semana passado, que incluiu o feriado de 7 de setembro, foram mais de 200 mil pessoas circulando pelo Acampamento Farroupilha. A projeção da organização é que até o fim do evento seja superado o público da última edição, que chegou a 2 milhões de visitantes.