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Publicada em 10 de Setembro de 2026 às 20:14
Nos últimos 11 anos, o mês de setembro ganhou mais um significado, a conscientização sobre a prevenção ao suicídio e a valorização da vida tornaram-se uma pauta significativa. A campanha Setembro Amarelo faz com que a população reflita sobre a importância da saúde mental, no entanto, falar sobre sentimentos e sobre si ainda é um tabu para muitos.
Com isso, na avaliação de Suellen Santos, psicóloga e psicanalista da clínica Ponto Psi, há uma procura maior e bem característica, para os serviços de ajuda psicológica durante esse período. “Talvez exista uma espécie de inconsciência que, ao falarem mais, essa mensagem seja mais transmitida a necessidade de pedir ajuda, tanto conscientemente quanto inconscientemente. Ao ler e escutar mais sobre o assunto, permite que elas acessem mais os serviços de saúde mental, que busquem mais ajuda psicológica”.
A especialista ainda diz que não é um sinal de fraqueza demonstrar e falar sobre saúde mental, e é necessário naturalizar o falar de si e o falar das coisas negativas. “É justamente o contrário de um sinal de fraqueza, porque falar de si, do quanto as coisas são pesadas, das crises, dos seus conflitos, isso é coragem. É uma força quando se consegue compartilhar isso com alguém, que possa compartilhar com o outro essa dor e não se sentir envergonhado com isso”, afirma.
Segundo dados do Atlas da Violência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) referentes ao período entre 2009 e 2024, o Rio Grande do Sul registra 12 mortes por 100 mil habitantes por suicídios, acima da média nacional, que é de 6 a 8 óbitos por 100 mil habitantes. Vale ressaltar que, desde 2000, o RS nunca esteve abaixo de 9 mortes na escala.
Conforme Cristiane Steigleder, diretora de Grupos de Estudo da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RS), antes da pandemia do Covid-19, o Brasil já era o país mais ansioso do mundo e, após o período, só aumentou. “No ano de 2025, meio milhão de pessoas foram afastadas do trabalho por conta de transtornos mentais no Brasil. É muito significativo, não podemos negar as estatísticas. Isso está permeando as empresas, as relações, temos que enfrentar de forma responsável, orientando e acolhendo as pessoas”, relata.
Nesse cenário, Cristiane ressalta que as empresas devem cuidar dos riscos psicossociais, buscando maior bem-estar e minimizar os problemas de saúde mental. “É necessário que as equipes de recursos humanos façam um diagnóstico desses riscos, avaliando como está a liderança da empresa, como está a carga de trabalho do profissional, como está a pressão por metas, como está o equilíbrio entre a jornada de trabalho e a jornada pessoal e como está o ambiente de trabalho”, explica.