Um grupo de moradores e ativistas realizou, na manhã deste sábado (28), o ato “Gonçalo Day – Venha defender o túnel verde”, em frente à saída do estacionamento do Shopping Total, na Capital. A mobilização reuniu participantes do movimento Viva Gonçalo, que contesta um projeto imobiliário previsto para a região e cobra mais transparência por parte da prefeitura e da construtora responsável.
A reportagem do Jornal do Comércio acompanhou a manifestação, que ocorreu por volta das 11h, e ouviu moradores da região. O principal objetivo do ato foi exigir informações detalhadas sobre o empreendimento e seus possíveis impactos urbanísticos e ambientais.
Moradora da área e integrante do movimento, Carolina D’Ávila afirmou que a comunidade ainda não teve acesso completo ao projeto. “A gente quer entender como ele realmente vai ser, porque hoje só tivemos acesso a documentos encontrados na prefeitura e a versões que indicam, inclusive, a possibilidade de mais torres no terreno”, disse.
Segundo ela, não houve comunicação prévia com os moradores, o que motivou a mobilização. “Foi tudo descoberto por nós. Durante o Carnaval, fecharam a área que era utilizada como espaço para cães, sem explicação. Depois fomos entender que havia um projeto de construção de uma torre de 60 metros na entrada da rua”, relatou. Conforme a Melnick, o cercamento com tapumes de um espaço do estacionamento não foi feito pela incorporadora, e sim pelo próprio Shopping Total.
A proposta, anunciada pela construtora Melnick em parceria com o Shopping Total, prevê a construção de um edifício residencial de 20 andares, além de quatro pavimentos de subsolo, totalizando 24 níveis e cerca de 163 apartamentos.
Em entrevista ao Jornal do Comércio, o CEO da Melnick, Leandro Melnick, explicou que o projeto – já aprovado junto à prefeitura de Porto Alegre – é mais amplo do que o edifício residencial, e prevê uma
revitalização na área do estacionamento do Shopping Total, com boulevard e nova área gastronômica de frente para a Gonçalo de Carvalho, e que estava há bastante tempo em análise pelo centro de compras.
O CEO afirmou ainda que o prédio será erguido em um espaço que hoje é totalmente asfaltado, que não se trata de um complexo de edifícios, mas, sim, uma torre residencial. "Esse prédio é distante um pouco da rua, não tem nenhuma interferência na Gonçalo de Carvalho. Pelo contrário, ele valoriza completamente aquela região que talvez carece de um movimento urbano um pouco mais renovado."
Conhecida internacionalmente pelo seu túnel verde formado por tipuanas centenárias, a Rua Gonçalo de Carvalho é considerada patrimônio histórico, cultural e ambiental do município desde 2006. Moradores temem que o novo empreendimento descaracterize a paisagem e traga impactos indiretos ao meio ambiente, como alterações na ventilação e na incidência de luz solar.
“Não somos contra a revitalização da região. Sabemos que ela pode valorizar os imóveis e melhorar o comércio local. O que exigimos é coerência com o Plano Diretor e estudos técnicos que comprovem que não haverá prejuízos ambientais”, destacou Carolina.
Entre as preocupações levantadas estão a possibilidade de formação de correntes de vento que afetem o túnel verde, aumento do fluxo de veículos em uma via estreita e impactos na infraestrutura urbana.
O movimento afirma já ter reunido mais de 7,2 mil assinaturas em um abaixo-assinado contrário à obra e promete manter as mobilizações até obter respostas oficiais. “Queremos garantias de que não vamos perder o que temos aqui hoje”, completou a moradora.