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Publicada em 28 de Março de 2026 às 11:02

Vacinação contra a gripe gera confusão no Posto de Saúde Modelo em Porto Alegre

José Américo Azambuja foi um dos idosos que encontrou o Posto de Saúde Modelo fechado

José Américo Azambuja foi um dos idosos que encontrou o Posto de Saúde Modelo fechado

TÂNIA MEINERZ/JC
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Osni Machado
Osni Machado Colunista
Moradores de Porto Alegre enfrentaram transtornos na manhã deste sábado (28) ao buscarem a vacina contra a gripe no Centro de Saúde Modelo, localizado na Avenida Jerônimo de Ornelas, no bairro Santana. Muitas pessoas chegaram ao local por volta das 8h acreditando que a imunização estaria disponível, mas encontraram a unidade fechada, o que gerou frustração, críticas à organização da campanha e uma série de relatos de indignação.
 
A situação ocorre no mesmo dia em que o Ministério da Saúde promove o Dia D de vacinação contra a gripe em todo o País com foco nos públicos prioritários, como crianças, idosos e gestantes. Em Porto Alegre, porém, a estratégia adotada pela prefeitura acabou causando um desencontro de informações. Enquanto a campanha nacional foi anunciada para este sábado, o município optou por iniciar a vacinação nas unidades de saúde apenas na segunda-feira, mantendo, neste fim de semana, apenas uma ação simbólica.
 
De acordo com a administração municipal, a Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre realiza, neste sábado, uma atividade no Loteamento Santa Terezinha, na rua Voluntários da Pátria, 1940, no bairro Floresta, das 9h às 17h. No local, além da vacinação, são oferecidos serviços por meio de unidades móveis, com atendimento voltado à saúde da mulher, incluindo solicitação de mamografias, consultas odontológicas, exames citopatológicos para detecção de câncer de colo do útero e outros procedimentos.
 
Apesar da programação, usuários relataram falta de comunicação clara sobre os pontos de vacinação, o que levou muitos a se dirigirem a unidades que não participavam da ação neste sábado. Entre os relatos, destaca-se a ausência de informações precisas como o principal motivo das reclamações.
 
Janete Lúcia Bufon foi uma das pessoas que aguardavam em frente ao posto fechado. Ela afirma ter recebido um aviso oficial pelo portal gov.br na noite anterior, convocando-a para a vacinação. “Eu recebi um comunicado ontem à noite dizendo para estar lá às 8h. A campanha deveria começar antes, porque leva cerca de 30 dias para a vacina fazer efeito”, criticou. A moradora também mencionou preocupação com a alta demanda em hospitais e aproveitou para relatar problemas de infraestrutura urbana na região.
 
O servidor público municipal Agnaldo de Paula também chegou cedo ao local e lamentou o deslocamento sem necessidade. “Gastei passagem à toa. Há idosos com cadeira de rodas aqui. Cadê a consciência de dizer que os postos estavam abertos hoje?”, questionou. Ele destacou a dificuldade de locomoção de pessoas do grupo prioritário, que enfrentaram deslocamentos mesmo com limitações físicas.
 
Renato Pedro da Silva disse que se baseou em anúncios veiculados na televisão e no rádio, que indicavam atendimento neste sábado. Para ele, a situação representa um “desrespeito”. “Fizeram pessoas com bengala e cadeira de rodas virem até aqui para encontrar portas fechadas”, afirmou.
 
Zenard Grziotim de Cuitino também chegou ao local no horário indicado e relatou surpresa ao ser informada de que a vacinação começaria apenas na segunda-feira. Já o aposentado José Amedeo Passambusi contou que saiu da região da Avenida Antônio de Carvalho após ver a divulgação do Dia D na televisão. “Se eu não me vacinar, posso pegar uma doença respiratória e até morrer”, disse.
 
A confusão foi agravada pela falta de sinalização e de profissionais no local para orientar a população, o que aumentou a sensação de abandono entre os usuários do sistema público de saúde.
Já a Prefeitura de Porto Alegre relatou à reportagem do Jornal do Comércio que a divulgação sobre o início da vacinação nas unidades ocorreu ao longo da última semana e atribuiu o problema ao desconhecimento por parte da população. “Os postos começam a vacinação na segunda-feira”, destacou a assessoria.
 
"A definição do cronograma considerou a organização necessária para garantir o pleno funcionamento da campanha nas 132 unidades de saúde, assegurando estrutura adequada, equipes preparadas e integração com outros serviços municipais, como a oferta de passe livre para facilitar o acesso da população. O Dia D de mobilização em Porto Alegre ocorrerá em 11 de abril, em todas as Unidades de Saúde", informou a prefeitura por meio de nota.
 
Na esfera federal, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou a importância da campanha em pronunciamento na noite de sexta-feira (27). Segundo ele, a estratégia busca antecipar a proteção da população antes do período mais crítico de circulação do vírus. “Vamos vacinar antes de o inverno chegar, que é quando a gripe circula com mais força”, afirmou. De acordo com o ministro, a vacina pode reduzir em até 60% o risco de internação, além de evitar casos graves.
 
Padilha também ressaltou que o País está retomando índices elevados de cobertura vacinal e destacou a ampliação da oferta de imunizantes no Sistema Único de Saúde. Entre eles estão vacinas antes disponíveis apenas na rede privada, como a contra o vírus sincicial respiratório (VSR) e a ACWY, que protege contra a meningite.
 
Enquanto o governo federal reforça a importância da imunização, episódios como o registrado em Porto Alegre evidenciam a necessidade de maior alinhamento na comunicação entre os diferentes níveis de gestão para garantir que a população tenha acesso efetivo aos serviços e não enfrente situações de desinformação como a deste sábado.
 

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