Em meio ao fluxo constante de visitantes, o
Brique da Redenção começou a celebrar na manhã deste domingo (15) seus 48 anos de história. Localizado no Parque Farroupilha, o Brique foi inaugurado em 18 de março de 1978 e declarado patrimônio cultural do Rio Grande do Sul em 2005.
A tradicional feira ocupa todos os domingos cerca de 800 metros da avenida José Bonifácio, no bairro Bom Fim, reunindo centenas de expositores de artesanato, antiguidades, colecionáveis e gastronomia.
Entre bancas, apresentações culturais e encontros improvisados,
o Brique segue como um dos espaços mais democráticos da capital gaúcha. Ali se cruzam idosos, crianças, jovens, famílias inteiras e pets, enquanto visitantes percorrem a feira em busca de raridades ou simplesmente para aproveitar o passeio.
Parte da programação deste primeiro domingo de comemorações inclui também manifestações culturais e religiosas. Um dos destaques é o Rathayatra, festival indiano organizado pelo movimento Hare Krishna.
“O que está acontecendo hoje é o Rathayatra, um festival indiano que acontece em todo o mundo. Rathayatra significa o desfile das carruagens”, explica o artista Mir, adepto do movimento. Ele conta que a celebração marca o único dia do ano em que as deidades saem do templo para encontrar os devotos nas ruas. “É o único dia do ano em que essas deidades saem de dentro do templo para distribuir a sua misericórdia para a comunidade”, afirma. Segundo ele, após o desfile, o público também acompanha apresentações de música e dança e recebe refeições vegetarianas gratuitas.
As placas colecionáveis partem de R$ 70,00
JÚLIA FERNANDES/ESPECIAL/JC
Enquanto isso, nas bancas de antiguidades, histórias pessoais se misturam com a trajetória do próprio Brique. A comerciante Márcia Haubert, da loja Azul Cobalto Antiguidades, participa da feira há cerca de 20 anos. Para ela, o local é mais do que um ponto de vendas. “O Brique é tudo pra gente”, resume. “Tem muita diversificação de raças, de cores, de tamanhos, de povos diferentes.
O que você precisar no Brique você vai encontrar”, diz a feirante que tem entre os produtos do catálogo joias e bijuterias vitorianas.
Entre os produtos do catálogo joias e bijuterias vitorianas
JÚLIA FERNANDES/ESPECIAL/JC
A lógica de preservação também move a expositora Cléia da Silva, do box 52, que, assim como Márcia, está na feira há mais de duas décadas.
Ela vende itens de colecionismo como placas antigas de carros, livros e objetos vintage. “Eu acho que a ideia de trabalhar no Brique é preservar a história”, afirma. “É uma forma de respeitar a natureza, de não desperdiçar o material que já foi utilizado, dar uma vida nova para tudo”, reflete.
Algumas histórias atravessam gerações. É o caso de Fernanda Ordahy, que hoje comanda a banca
Casa Sheik de Antiguidades. Assim como a loja,
a banca de Fernanda tem como protagonista os relógios antigos, que podem chegar a R$ 4,8 mil. Filha de um dos fundadores do Brique, ela cresceu entre as bancas e assumiu o negócio da família há cerca de 15 anos.
A banca de Fernanda tem como protagonista os relógios antigos, que podem chegar a R$ 4,8 mil
JÚLIA FERNANDES/ESPECIAL/JC
“Eu tinha seis meses de idade quando comecei a vir pra cá”, conta. “Isso aqui é meio viciante. Por mais que seja cansativo, todos os domingos, com sol ou com chuva, o ambiente é muito legal”, destaca Fernanda, comentando que adora perceber o aumento do interesse do público jovem em antiguidades.