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Publicada em 14 de Novembro de 2025 às 14:29

Com 48 anos dedicados à Santa Casa, Julio Matos recebe Medalha da 56ª Legislatura

Julio Matos, que é o atual diretor-geral da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, diz que pretende se dedicar mais a família

Julio Matos, que é o atual diretor-geral da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, diz que pretende se dedicar mais a família

TÂNIA MEINERZ/JC
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Cláudio Isaías
Cláudio Isaías Repórter
Depois de 48 anos de trabalho dedicados à Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, o diretor-geral Julio Flávio Dornelles de Matos, 71 anos, já tem data para deixar a instituição de saúde: na próxima sexta-feira, dia 21 de novembro. Natural de Santiago, mas criado no distrito de Itacuruburi, o advogado, especialista em gestão empresarial, revela que vai se aposentar da direção executiva do complexo de saúde, composto por sete hospitais em Porto Alegre e um em Gravataí, na Região Metropolitana . "Vou continuar integrado ao complexo de saúde e contribuindo de alguma forma com a Santa Casa e com o provedor Alfredo Guilherme Englert", revela Matos.
Depois de 48 anos de trabalho dedicados à Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, o diretor-geral Julio Flávio Dornelles de Matos, 71 anos, já tem data para deixar a instituição de saúde: na próxima sexta-feira, dia 21 de novembro. Natural de Santiago, mas criado no distrito de Itacuruburi, o advogado, especialista em gestão empresarial, revela que vai se aposentar da direção executiva do complexo de saúde, composto por sete hospitais em Porto Alegre e um em Gravataí, na Região Metropolitana . "Vou continuar integrado ao complexo de saúde e contribuindo de alguma forma com a Santa Casa e com o provedor Alfredo Guilherme Englert", revela Matos.
Nesta sexta-feira, por proposição do deputado estadual Rodrigo Lorenzoni (PP), o diretor-geral da Santa Casa de Misericórdia foi homenageado pela Assembleia Legislativa com a Medalha da 56ª Legislatura. Sobre a carreira, Matos aponta os valores humanistas da instituição de saúde, que o motivaram a permanecer na gestão por 48 anos, sendo os últimos dez anos como diretor-geral do complexo hospitalar.
Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, ele faz u balanço da gestão e destaca os R$ 804 milhões investidos nos últimos sete anos, que modernizaram os hospitais do grupo, e aborda o déficit de sustentabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS) que a Santa Casa subsidia com recursos próprios. 
Jornal do Comércio - Após 48 anos, dos quais 10 anos dedicados à direção-geral da Santa Casa, qual o balanço que o senhor faz da sua gestão no comando da instituição?
Julio Flavio Dornelles de Matos - Foram 10 anos de grandes desafios. Empreendemos em desenvolver a instituição de saúde em sete anos de trabalho, algo que se faria em um processo natural em 30 anos. Foram investidos R$ 804 milhões nos últimos sete anos, dos quais R$ 490 milhões são resultados de  doações. A Santa Casa jamais faria o que fez de investimentos estruturais como a construção do hospital Nora Teixeira, o último do complexo, e projetos de acessibilidade através da construção de passarelas. Transformamos a Santa Casa na cidade da saúde e realizamos investimentos em tecnologias em todas as  unidades assistenciais do complexo hospitalar. Neste período, o grande destaque foi o processo de desenvolvimento que transformou a Santa Casa num dos hospitais mais modernos do País. Realizamos mais 1,5 milhão de atendimentos a cada ano, dos quais 62% são para o Sistema Único de Saúde (SUS). São mais de R$ 160 milhões que a Santa Casa coloca de recursos próprios para pagar o déficit que o SUS tem no processo assistencial desenvolvido pela instituição de saúde.
Jornal do Comércio - Quais são os principais desafios da saúde pública no Brasil?  
Matos - Os desafios da saúde pública necessariamente passam por questões de financiamento. Mas, também passam muito por gestão de origem pública. Não falo da gestão dos hospitais porque a maioria deles tem processos profissionalizados. Me refiro à gestão de origem pública dos governos federal, estadual e municipal, em que o contexto de políticas de Estado são absolutamente necessárias. Hoje, se trabalha no setor de saúde muito com políticas de governos, o que sempre tem um sentido de descontinuidade do governo seguinte. A saúde precisa ser olhada no longo prazo. Portanto, um dos grandes desafios do setor de saúde são as políticas de estado e a natureza permanente que permitam aos prestadores de serviços poderem planejar no longo prazo os investimentos.
Jornal do Comércio - Que projetos o senhor pretende desenvolver a partir de agora?
Matos - Pretendo continuar ajudando a Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre exercendo a atribuição de irmão e estarei junto com o provedor Alfredo Guilherme Englert até o final do mandato dele. Estarei  totalmente à disposição do novo diretor-geral Jader Pires. Além disso, fizemos um contexto de transição absolutamente planejada. A Santa Casa desenvolveu uma política de sucessão para todos os seus níveis hierárquicos, desde provedores, vice-provedores, mesa administrativa, conselho fiscal, direção executiva, diretores médicos e gerências. Eu pretendo estar à disposição do meu sucessor que está há sete anos na instituição. Além disso, tem o contexto familiar. Quero me dedicar mais à família. São quase cinco décadas que vivi para o trabalho. Agora eu quero viver um pouco mais e ter a Santa Casa como um horizonte de  atividade voluntária, sem nenhum ônus para a instituição e poder viajar um pouco mais. Tenho quatro questões que neste momento traduzem o meu sentido de vida. O primeiro deles é a plena realização profissional. A segunda questão é a responsabilidade com a continuidade da política de sucessão. A terceira situação é a gratidão. Eu não posso ter outro sentido na vida, a não ser a gratidão enorme pelas oportunidades que a Santa Casa me proporcionou na vida. E a quarta, é a plena felicidade. Eu sou uma pessoa feliz por tudo isso que de alguma forma ou de outra se fez para milhões de pessoas.
Rodrigo Lorenzoni, Julio Matos, Nora Teixeira e Alfredo Englert durante a cerimônia no salão Júlio de Castilhos | TÂNIA MEINERZ/JC
Rodrigo Lorenzoni, Julio Matos, Nora Teixeira e Alfredo Englert durante a cerimônia no salão Júlio de Castilhos TÂNIA MEINERZ/JC

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