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Publicada em 22 de Setembro de 2025 às 13:12

Fechamento de emergência psiquiátrica do IAPI está suspenso e só deve ocorrer em 2026

Emergência do IAPI só fechará sua operação quando forem abertos seis Caps na cidade

Emergência do IAPI só fechará sua operação quando forem abertos seis Caps na cidade

Google Earth/Divulgação/JC
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Cássio Fonseca
Cássio Fonseca
A Emergência Psiquiátrica do Postão do IAPI, no bairro Passo d’Areia, na Zona Norte de Porto Alegre, que estava em vias de fechar, seguirá com a operação até 2026. Parte de um projeto da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) que visa reordenar o atendimento de saúde mental na cidade, o local cessará as atividades quando seis novos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) forem inaugurados.
A Emergência Psiquiátrica do Postão do IAPI, no bairro Passo d’Areia, na Zona Norte de Porto Alegre, que estava em vias de fechar, seguirá com a operação até 2026. Parte de um projeto da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) que visa reordenar o atendimento de saúde mental na cidade, o local cessará as atividades quando seis novos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) forem inaugurados.
O intuito é fornecer um tratamento contínuo e especializado aos pacientes, ao invés de priorizar internações momentâneas sem um acompanhamento posterior, conforme explica a psicóloga e coordenadora da Saúde Mental na SMS, Marta Fadrique. O fechamento da Emergência do IAPI, que estava previsto para ocorrer até o dia 31 de outubro, foi suspenso e não tem nova previsão por conta da resistência encontrada. Em agosto, por exemplo, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) realizou uma manifestação contra a decisão da prefeitura em frente ao espaço.
Agora, foram reunidos Câmara de Vereadores, entidades de classe, profissionais de Caps e profissionais de emergências para fazer um grupo de trabalho consultivo com a amostra de dados e a captação de opiniões e sugestões. “As conversas irão ocorrer entre outubro e novembro para depois, então, ser refeito o calendário de abertura dos Caps e fechamento da emergência”, relata a coordenadora.
Marta frisa que a principal barreira imposta pelos lados divergentes é o argumento de que “sempre foi assim”, contra mudanças na estrutura do atendimento psiquiátrico. Por outro lado, ela exalta a importância de escutar as entidades de classe e a sociedade civil e não demonstra grande insatisfação pelo atraso no processo.
Caps e emergências fazem parte da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), que também tem cuidados de atenção primária e a internação hospitalar, esta em casos de tentativas de suicídio, que costumam resultar em um quadro clínico, como a lavagem estomacal, destaca Marta. Ela entende que, apesar de a cidade suprir a demanda emergencial, “temos um número muito pequeno de Caps, que são os serviços para atendimento e tratamento continuado”.
São 16 operações na Capital, das quais oito são Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD). O atendimento é voltado exclusivamente ao uso de entorpecentes e ocorre à porta aberta. A maioria possui leitos para acolhimento e permanência noturna. “Não é uma internação porque a estrutura de Caps não é hospitalar”, afirma.
Quanto às emergências psiquiátricas, são duas na cidade. Além do IAPI, há a unidade Cruzeiro do Sul, na Zona Sul, que não fechará, mas passará por mudanças ainda não definidas, salienta a coordenadora. Vale ressaltar que, para que seja encerrada a operação no Passo d’Areia, deverão estar abertos os seis Caps propostos, sendo quatro para tratamento adulto com 20 leitos de permanência noturna e outros dois infantis, também com leitos à disposição.
“Temos facilidade para atendimento emergencial e dificuldade para oferecer tratamento continuado à população”, resume. Com um número maior de Centros de Atenção, a meta é receber pacientes com crises que não envolvam sintomas clínicos e, além de prover o atendimento emergencial, manter um acompanhamento especializado.
Trata-se de um mecanismo complexo referente aos transtornos mentais, e Marta exemplifica com outra doença crônica não transmissível: “É como se você tivesse diabetes, e em vez de ter um especialista ou um serviço te acompanhando para não ter picos e internações, você só tenha o fácil acesso à emergência para quando estabilizar crises. Sem um acompanhamento, vai precisar internar de novo e seguir com esse ciclo. É isso que tem acontecido muito em Porto Alegre”.
Quando aprovado o projeto, os Caps ficarão, em um primeiro momento, em casas alugadas, e depois serão transferidos para as construções da prefeitura, que serão suas sedes. Todo o funcionamento ocorre através do Sistema Único de Saúde (SUS).

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