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Publicada em 27 de Agosto de 2025 às 20:50

Há uma nova vida após o diagnóstico

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Gabriel Margonar
Gabriel Margonar
"Desmielinizante. Nunca havia escutado essa palavra até ler em um laudo de uma ressonância magnética. Em uma rápida busca, descobri que se tratava de um termo que descreve o processo de degeneração da bainha de mielina.
"Desmielinizante. Nunca havia escutado essa palavra até ler em um laudo de uma ressonância magnética. Em uma rápida busca, descobri que se tratava de um termo que descreve o processo de degeneração da bainha de mielina.
Em alguns cliques, cheguei à Esclerose Múltipla. Foi assim que, há pouco mais de um ano, tive o primeiro contato com o que, hoje, é um norte na minha rotina. 
Estima-se que, no Brasil, 40 mil pessoas convivam com Esclerose Múltipla. A doença, que afeta o sistema nervoso central, pode causar inúmeros sintomas, o que, muitas vezes, é um desafio na hora do diagnóstico. Há quem leve anos e passe por muitos médicos até chegar em um diagnóstico final, pois os sintomas - como fadiga, visão turva, formigamento no corpo, fraqueza ou rigidez muscular, entre outros - são facilmente confundidos com questões do dia a dia. 
O meu caso fugiu à regra. Entre as primeiras pesquisas pelo celular e a internação foram poucos dias. No fim de maio de 2024, comecei a sentir minha visão embaçada e até duplicada em alguns momentos. Como passávamos aqui no Rio Grande do Sul por um dos períodos mais difíceis da nossa história, logo pensei que se tratava de estresse.
Com o passar dos dias - e com a permanência dessas dificuldades -, resolvi procurar a minha oftalmologista, julgando que talvez precisasse de um ajuste nas lentes dos meus óculos. Os testes no consultório foram excelentes, e os meus óculos continuavam com o grau correto. A médica me orientou a procurar outro especialista: um neuro oftalmologista, conduta fundamental para o diagnóstico rápido. O segundo médico, então, solicitou uma ressonância magnética. Foi assim que me deparei, pela primeira vez, com a palavra desmielinizante. 
O próximo passo foi consultar um neurologista: bateria de exames de sangue, punção lombar, testes de marcha e de reflexos e um extenso questionário. Assim, logo fui internada para tratar aquele surto - como são chamados os episódios de novos sintomas ou agravamento dos já existentes que podem ou não deixar sequelas. 
Não sabia muito sobre a doença, e o pouco repertório que tinha era cheio de preconceitos e estigmas. Quando comecei a aprender um pouco mais, temi pela falta de conhecimento dos outros, e os desafios que encararia a partir disso. Em todos os cenários, a certeza é que a minha vida acabava de ganhar um novo norte.
O último ano, então, foi marcado pela compreensão do diagnóstico. Ao lado da minha família e amigos, aprendi mais sobre a doença e sobre os múltiplos caminhos dela. Há muitos desafios em conviver com uma doença crônica. Exames, consultas e medicações passam a fazer parte da rotina. O tratamento, muitas vezes, pode ser exaustivo. A atenção vigilante aos sinais do corpo ganha novas dimensões. Não é fácil, e é preciso destacar que há, ainda, muitos recortes quanto ao acesso a tratamentos e a terapias complementares, como consultas com fisioterapeutas, psicólogos, fonoaudiólogos - parte da rotina de um paciente. 
Mas há, sim, vida após o diagnóstico de Esclerose Múltipla. Uma nova vida. Com diferentes rotinas e preocupações, sigo em busca de conscientizar as pessoas do meu entorno sobre uma doença que ainda é tão estigmatizada. Compartilhar minha jornada e o que aprendi neste um ano não é só uma forma de alertar sobre a importância de estarmos atentos a nossa saúde, mas também um desejo de espalhar informação. Doenças crônicas e raras existem, e as dificuldades nem sempre são visíveis. Por isso, respeito, acolhimento e informação são os melhores caminhos para trilhar no Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla."
Isadora Jacoby - Jornalista, editora do caderno GeraçãoE, do Jornal do Comércio
 

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