Como no caso do técnico de enfermagem, entre os impactos mais sensíveis da tragédia está o abalo psicológico da população. No auge da tragédia climática, mais de 40 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) foram danificados, e equipes emergenciais foram acionadas para oferecer suporte. Ainda assim, a rede pública não deu conta da demanda. Apenas nos três primeiros meses após a enchente, foram realizados cerca de 30 mil atendimentos psicossociais, segundo a Secretaria Estadual da Saúde.
Um estudo conduzido pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre, com mais de 5 mil pessoas afetadas, revelou que cerca de 25% dos entrevistados ainda apresentavam sintomas de estresse pós-traumático oito meses após o desastre (quando foi realizado o último levantamento). Ansiedade e depressão também foram frequentes — sobretudo entre mulheres, jovens e pessoas em situação de vulnerabilidade. Entre os que buscaram ajuda, 30% afirmam que não conseguiram atendimento.
A pesquisa também chama atenção para os efeitos psicológicos nos voluntários que participaram dos resgates, muitos dos quais enfrentaram situações traumáticas, como encontrar corpos e lidar diretamente com o sofrimento das vítimas. Essas pessoas representam uma parcela significativa daqueles com sintomas psicológicos persistentes. Uma nova etapa do estudo será iniciada no próximo sábado (10), com o objetivo de medir os impactos do evento um ano após sua ocorrência.