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Publicada em 27 de Dezembro de 2024 às 17:35

IGP contradiz informações sobre arsênio no sangue das vítimas que comeram bolo em Torres

Duas pessoas que comeram o bolo seguem internadas em decorrência de intoxicação alimentar

Duas pessoas que comeram o bolo seguem internadas em decorrência de intoxicação alimentar

Polícia Civil/Divulgação/JC
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Fabrine Bartz
Fabrine Bartz Repórter
Com as investigações ainda em andamento, as primeiras perícias indicam envenenamento como provável causa da morte de três mulheres que faleceram após comer o mesmo bolo, em Torres, no Litoral Norte.
Com as investigações ainda em andamento, as primeiras perícias indicam envenenamento como provável causa da morte de três mulheres que faleceram após comer o mesmo bolo, em Torres, no Litoral Norte.
Análises laboratoriais coletadas pelo Hospital Nossa Senhora dos Navegantes apontam a presença de arsênio no sangue de uma das vítimas e de dois sobreviventes. Porém, o Instituto-Geral de Perícias (IGP), responsável pela análise do caso, afirmou na tarde desta sexta-feira (27) que as “informações sobre a presença de arsênio no sangue das vítimas hospitalizadas não são oficiais e não representam o posicionamento do IGP”.

A análise que apontou o envenenamento por arsênio levou em consideração o sangue da mulher que preparou a sobremesa, Zeli Teresinha Silva dos Anjos, do sobrinho-neto dela – uma criança de 10 anos – e de Neuza Denize Silva dos Anjos, que morreu. Segundo o Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, Zeli e o menino de 10 anos seguem internados em “decorrência de intoxicação alimentar”. Ambos são monitorados pela equipe da UTI e encontram-se clinicamente estáveis.
Arsênio é um elemento químico considerado impróprio para consumo humano. Sua venda é considerada restrita a laboratórios que produzem pesticidas. Sua ingestão pode levar a problemas cardiovasculares, de rins e fígados e, dependendo da quantidade, gera intoxicação crônica.

O caso ocorreu na última segunda-feira (23), quando sete familiares estavam reunidos, seis deles comeram o bolo e começaram a se sentir mal. A mulher que preparou o alimento foi a única pessoa da casa a comer duas fatias, de acordo com a investigação da Polícia Civil. Além de Neuza, as outras duas vítimas foram identificadas como Maida Berenice Flores da Silva, 58 anos, e Tatiana Denize Silva dos Santos, 43 anos.
Em nota, o Instituto-Geral de Perícias informou que o caso é tratado com a máxima prioridade e conduzido com base em protocolos rigorosos, aplicados em casos complexos que envolvem mortes violentas. O instituto ressalta que "a produção da prova científica é indispensável e depende de várias análises complexas que estão sendo conduzidas por nossos laboratórios de toxicologia e química forense”, complementa o IGP.
O ex-marido da responsável pela preparação do bolo morreu em setembro deste ano. Após a nova situação, a Polícia Civil vai pedir a exumação do corpo para investigar as causas da morte, informou o delegado titular de Torres, Marcos Veloso.

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