Porto Alegre está em tratativas para implantar uma nova estratégia para tentar controlar os casos de dengue. A prefeitura, por meio da Diretoria de Vigilância em Saúde (DVS), iniciou, nesta quarta-feira (19), a aplicação de inseticida residual em locais que servem como abrigos temporários. A ideia é combater o Aedes aegypti, vetor da doença, e outros insetos que ficam nas áreas internas das residências. Nesse caso, o mosquito morre quando entra em contato com o inseticida.
Chamada BRI-Aedes (Borrifação Residual Intradomiciliar), a aplicação é feita em parceria com a Vigilância Ambiental estadual. De acordo com Roxana Nishimura, chefe da unidade de Vigilância Ambiental, essa técnica leva em consideração o "comportamento do vetor, que já está domiciliado", explicou. "Com as enchentes e as pessoas nos abrigos, locais de grande circulação de pessoas,
estes foram os locais definidos para aplicação do inseticida", complementou.
O procedimento é considerado seguro, mas exige que o local fique isolado por cerca de uma hora após a aplicação, que é o tempo necessário para que o inseticida seja absorvido. Além disso, as paredes precisam ser porosas. Roxana afirmou, ainda, que este é um projeto piloto na cidade, mas que a técnica já foi testada em municípios do interior do Estado.
"Optamos como projeto piloto iniciar a aplicação nos locais que estão servindo de abrigos que demorarão a ser desmobilizados, devido à grande aglomeração e circulação de pessoas", explicou. Segundo Roxana, no total serão sete abrigos com a nova técnica. Além disso, a ideia é borrifar o inseticida nas cidades provisórias (Centros Humanitários de Acolhimento).
Ela considera que a proliferação do mosquito pode aumentar por conta das enchentes com os moradores longe de suas casas e com os entulhos de lixo nas ruas. "Além disso, o calor com água parada favorece o crescimento dos criadouros", explicou. Nos próximos dias, a prefeitura voltará a ter os números de mosquitos capturados pelas armadilhas nos bairros, o que possibilita saber onde estão os maiores focos do Aedes.
A chefe da unidade de Vigilância Ambiental reforça a necessidade de manter os cuidados com as residências, eliminando possíveis criadouros e buscando atendimento nas Unidades de Saúde na presença de sintomas da doença, como dor de cabeça, febre, dor atrás nos olhos e dor no corpo. Para cuidar das residências é preciso retirar água parada e lavar com frequência potes de animais.
De acordo com dados informados pela prefeitura, Porto Alegre tem 7.933 casos confirmados de dengue em 2024 até o dia 15 de junho. Do total, 7.452 foram contraídos na cidade (autóctones), 309 são importados (infecção fora da cidade) e 172 têm local de infecção indeterminado. O total de ocorrências suspeitas notificadas à Equipe de Vigilância de Doenças Transmissíveis da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) soma 33.566 no ano. Em 2023, no mesmo período, foram 8.818 notificações e 6.050 casos confirmados.
Até o momento, houve oito óbitos por dengue entre moradores de Porto Alegre: sete do sexo feminino (um na faixa dos 21 aos 30 anos, três na faixa etária de 31 a 40 anos, um na faixa etária 50-60 anos, um na faixa etária dos 70 aos 80 anos e um na faixa acima de 80 anos) e um do sexo masculino, entre 70 a 80 anos.