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Publicada em 19 de Maio de 2024 às 15:03

Em meio a "cenário de guerra", moradores de Porto Alegre começam a voltar para casa

Calçadas da rua Barão do Gravataí ficam tomadas por mobiliário retirado das residências

Calçadas da rua Barão do Gravataí ficam tomadas por mobiliário retirado das residências

PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
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Patrícia Comunello
"É um cenário de guerra, é um cenário de guerra", resume a educadora física Jaceia Netz, moradora do bairro Menino Deus, um dos mais afetados pelas inundações históricas em Porto Alegre. Jacéia retornou para casa nesse sábado (18). Nas calçadas, montanhas de mobiliário se avolumavam. Com a redução do nível do Guaíba, as pessoas tentam recompor suas vidas. 
"É um cenário de guerra, é um cenário de guerra", resume a educadora física Jaceia Netz, moradora do bairro Menino Deus, um dos mais afetados pelas inundações históricas em Porto Alegre. Jacéia retornou para casa nesse sábado (18). Nas calçadas, montanhas de mobiliário se avolumavam. Com a redução do nível do Guaíba, as pessoas tentam recompor suas vidas. 

JC NOTÍCIAS: Imagens mostram Menino Deus após inundação

"É uma tristeza ver a vizinhança toda com suas coisas na rua", reage Jacéia, enquanto caminha pela calçada da rua Barão do Gravataí onde reside. "Este carro fico submerso", aponta ela, para o veículo sujo e com marcas da água estacionado. Ela ficou mais de 10 dias no Litoral Norte, onde se refugiou depois de deixar o apartamento às pressas, no dia 6 de maio, com água pelo joelho. 
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"A região é boa de morar. O que faltou foram as bombas", reage a moradora Jacéia. Fotos: Patrícia Comunello/JC
"Estava há oito anos com meu consultório aqui. Era o sonho da minha vida. Coloquei todo o meu dinheiro aqui", conta a dentista Cristina Herve, após entrar no sobrado na rua, onde a água bateu em 1,70 metro, verificou ela pela marca na parede.
"Tinha toda uma estrutura, com 12 profissionais atendendo e fluxo de mais de 80 clientes por dia", descreve Cristina. A profissional vai enviar equipamentos para assistência técnica para ver o que é possível recuperar, mas sem muita esperança. "Tudo é digital. Para remontar o que tinha aqui, são cerca de R$ 500 mil", dimensiona a dentista. 
A zeladora Marilda Oliveira perdeu tudo. "Tudo fora. É terrível, terrível", desabafa Marilda, enquanto varre o barro de dentro do edifício onde trabalhar. Na calçada, estão colchões, sofás, cadeiras, mesa, armários, pedaços do guarda-roupa e outros materiais que fazem parte do seu apartamento no térreo. Com salário de R$ 1,9 mil, a zeladora ainda não sabe como vai comprar tudo de novo.
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Marilda Oliveira varre a lama do prédio, após colocar tudo que tinha na caçada e adotar o lema: "Força, foco e fé"
"Tem que se virar nos 30", descontrai Marilda, coma crença de que as pessoas no Rio Grande do Sul não se deixam vencer pelas tragédias. "É a vida do gaúcho. Peleia que tem mais". Para a nova fase que começa agora, após cheias, a zeladora vai adotar um lema: "Força, foco e fé".
Ao retornar para os imóveis, os moradores se lançaram primeiro a remover móveis e demais itens que não podem ser mais usados. Viraram literalmente luxo. Depois, a jornada foi de lavar e lavar pisos e paredes. Muita lama, difícil de remover, tomou conta.
Hanny Barcellos diz que perdeu a sala e cozinha. Tudo foi parar na calçada em frente à moradia. Para ela, o alívio é ter casa. "Muita gente não tem mais teto. O jeito é trabalhar e torcer que não tenha de novo", projeta Hanny, sobre eventual risco de mais inundação. 
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Dentista Cristina diz que a água ultrapassou 1,7 metro e cobriu equipamentos e materiais de pacientes 
"A região é boa de morar. O que faltou foram as bombas. Vamos seguir morando aqui", garante Jacéia.
A dentista, que deve retomar o atendimento de clientes em outros consultórios, acha que não vai voltar ao mesmo sobrado. Em meio às dificuldades na Capital, Cristina lembra que tem colegas em outras localidades, como Eldorado do Sul, Canoas e Roca Sales, em situação muito pior:
"Além de perder casa e consultórios, eles não têm mais cidade. Não têm dano para calcular. Não sabem nem onde vão recomeçar".

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