"Primeira vez que vejo uma inundação como esta", diz Dunga sobre cheia do Guaíba

""Primeira vez na minha vida que vejo uma inundação como esta"

Por Arthur Reckziegel

Dunga
Um dia após o Guaíba atingir a marca histórica de 3,18 metros e avançar sobre vários pontos de Porto Alegre, entre eles a avenida Guaíba, que teve ondas de mais de 1 metro na praia de Ipanema, o calçadão amanheceu com cenário de destruição. Areia, terra, galhos e lixo são alguns dos materiais encontrados no local na manhã desta quinta-feira (28). Apesar disso, pessoas circulam pelas ruas da região. Alguns curiosos, alguns limpando a calçada e outros fazendo seu exercício físico. Foi o caso do tetracampeão mundial de futebol Dunga, que aproveitou a trégua na chuva para dar uma caminhada matinal. 

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Carlos Caetano Bledorn VerrI, o Dunga, é morador de Porto Alegre desde 1980 e se mostrou muito surpreso com a situação. "Primeira vez na minha vida que vejo uma inundação como esta", comentou o ex-jogador, fazendo um alerta: "Vejo os destroços e tenho o sentimento que precisamos nos preparar melhor para isso. Não podemos parar uma enchente, mas podemos diminuir os riscos. Nas cidades localizadas perto de rios, já se sabe que existe uma grande possibilidade disso acontecer".
Após a água avançar sobre a rua, o calçadão de Ipanema calçadão amanheceu com areia, terra, galhos e lixo . Foto: Arthur Reckziegel/Especial/JC
 
Dunga ainda fez comparação com a forma na qual países estrangeiros lidam com situações de desastres naturais. "Já vimos coisas assim no Japão diversas vezes. O país sofre com terremoto e tufões, e está preparados para esse tipo de coisa", afirmou. 
O trabalho de reconstrução das áreas atingidas na Capital já se iniciou, mas não será fácil. "Hoje estamos vendo o pessoal da prefeitura trabalhando, mas deveríamos ter uma equipe bem maior para recuperar a cidade o quanto antes", aconselhou o ex-técnico da seleção brasileira. 
 
Assim como Dunga, o morador da região Alexandre Andrade Ribeiro lamentou a situação do local que chama de lar há 30 anos. "A destruição foi grande, muito lixo. Caos total. Muitos bichos mortos, cobras, vermes no meio dos destroços. Cheiro muito ruim de esgoto", descreveu. 
Ribeiro não mora na beira da praia, mas diz que casas mais  próximas tiveram diversas perdas. "A minha casa não foi atingida, porém casas mais próximas da beira sofreram com a altura da água", avaliou o morador da Zona Sul.