O ano letivo já começou e a Sociedade de Oftalmologia do Rio Grande do Sul (Sorigs) está reforçando a importância da atenção à saúde ocular das crianças. A entidade lembra que o cuidado deve ser periódico, com a realização de acompanhamento de oftalmologistas e exames específicos da área, como o teste do olhinho. O indicado pela Sociedade Brasileira de Oftalmopediatria é que as crianças façam o primeiro exame com as pupilas dilatadas entre os 6 e os 12 meses e seja repetido entre os 3 e os 5 anos. Depois disso, deve ser feita a acuidade visual anualmente nos maiores de 5 anos.
Juliana Wagner Dada, oftalmopediatra da Sorigs, explica que os casos de miopia seguem crescendo, influenciados principalmente pelo fator genético, mas com impacto também de questões ambientais. “Redução das atividades diárias ao ar livre e exposição ao uso de telas têm sido apontadas nos estudos científicos como causa do aumento da miopia mundialmente e seu impacto visual a longo prazo preocupam a comunidade médica”, afirma.
Por outro lado, avalia a oftalmopediatra, as crianças estão sendo examinadas mais cedo e por isso percebe-se o aumento dessa faixa da população usando óculos. Nos últimos anos, conforme recomendação da Sociedade Brasileira de Oftalmopediatria, os pediatras têm criado a rotina de encaminhar os bebês ainda no primeiro ano de vida para uma consulta oftalmológica completa, o que faz com que problemas visuais que muitas vezes só eram detectados em idade escolar possam ser diagnosticados e tratados mais precocemente.
Entre os sinais que podem indicar problemas de visão, Juliana cita se aproximar muito da televisão ou do quadro para enxergar, apertar os olhos, piscar excessivamente, dores de cabeça, quedas frequentes, leitura lentificada e até mesmo dificuldade de aprendizado. “É importante lembrar que muitas vezes as crianças que precisam de óculos não têm sintomas e isso pode ser uma causa de baixo rendimento escolar”, ressalta.
As alergias oculares também prejudicam o rendimento escolar. Olhos vermelhos e coçando, piscar em excesso, visão embaçada, pálpebras inchadas são sintomas comuns em crianças que também tem rinite ou asma. O ato de coçar gera o risco de lesionar a córnea, e a coceira e o embaçamento visual podem atrapalhar as atividades do dia a dia. O tratamento é feito com colírios específicos.
Há ainda as conjuntivites infecciosas, onde os principais sintomas são olho vermelho, secreção ocular amarelada e coceira. Caso a criança tenha algum desses sintomas, a orientação é comunicar pediatra ou oftalmologista e não levar para a escola pelo risco de transmitir para os outros colegas. “Explique ao seu filho os principais cuidados preventivos, especialmente higienizar as mãos e evitar levar as mãos aos olhos”, recomenda.