Após uma espera de dois anos ocasionada pela pandemia de Covid-19, foliões estão prontos para tomar as ruas neste Carnaval. A festa, celebrada com blocos de rua e desfiles de escola de samba, é marcada por música, dança, fantasias e, conforme o rumo da festa, beijos. A diversão de festa, entretanto, pode, às vezes, representar um risco para a saúde dos foliões. Doenças transmitidas pela saliva, como a mononucleose, têm um aumento de casos após os dias da festividade.
É o que explica o infectologista Celso Granato, diretor clínico do Grupo Fleury. Ele afirma que a contaminação pelo vírus Epstein-Barr, causador da chamada Doença do Beijo, na verdade pode ocorrer através de qualquer forma de troca de saliva, não apenas pelo beijo em si. O compartilhamento de copos e talheres, por exemplo, também pode provocar a contaminação. De acordo com o médico, a doença é mais comum no público jovem, dos 15 aos 25 anos.
Granato também esclarece que é possível carregar o vírus e não desenvolver a doença. Na maior parte dos casos, ele afirma que a mononucleose se manifesta cerca de um mês após o contágio e, por conta dessa demora, muitas vezes os indivíduos não associam o contágio a um episódio específico. Granato também reforça, que, na maior parte das vezes, a doença do beijo causa dores de garganta, febre, cansaço e inchaço nas glândulas. O infectologista explica que, na maior parte dos casos, a doença não evolui para um quadro grave, mas que é preciso estar atento, por que isso pode ocorrer.
Foi o que aconteceu com João Pedro Cherini, analista de investimentos de 22 anos. João contraiu a doença quando tinha 17 anos, e não tem certeza de como se deu o contágio. João explica que, antes de ser diagnosticado, ele não sabia o que era a mononucleose, e nunca tinha ouvido falar da doença. Ele conta também que o diagnóstico demorou um pouco a chegar. "De início achavam só que era gases, porque eu estava com muita dor de barriga, porque os órgãos tinham inchado", explica ele. O inchaço relatado por João, é algo comum nos casos mais graves da doença, e costuma atingir principalmente o baço, de acordo com Granato. Em casos extremos, a doença pode levar ao rompimento do órgão, bem como a inflamação de alguns tecidos.
A estudante de pós graduação, Giulia Reis, de 25 anos, sofreu com essa inflamação. Ela acredita que pegou a doença em uma festa. Giulia, assim como João, também não sabia o que era a mononucleose, até descobrir que havia sido contaminada. Entretanto, diferente de João, ela só descobriu que havia tido mononucleose depois de estar curada, em uma consulta a sua dentista. "Minha gengiva havia descolado do dente inferior. A dentista precisou cortar um pedacinho" explica. Desde então, ela afirma que precisa tomar cuidados mais intensos com sua saúde bucal.
O doutor Ceslo explica que o diagnóstico da mononucleose é feito com um hemograma. Ele afirma que é difícil evitar a doença ao beijar muitas pessoas diferentes, uma vez que uma delas pode estar contaminada e não saber. O infectologista reforça, porém, que é possível reduzir o risco de contaminação ao não compartilhar copos, talheres e cigarros. Ele também diz que a mononucleose não é a única doença transmitida pela saliva, e relembra que a herpes e a própria Covid-19, que impediu a folia nos últimos anos, também pode ser transmitida dessa forma.