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Saúde

- Publicada em 06 de Fevereiro de 2023 às 20:04

Brasil terá 3,63 médicos por mil habitantes em cinco anos

Representando 49%, mulheres serão maioria na profissão em poucos anos

Representando 49%, mulheres serão maioria na profissão em poucos anos


/ROMAIN LAFABREGUE/AFP/JC
Atualmente, o número de médicos ativos no Brasil chega a 546 mil, o que representa uma proporção de 2,56 profissionais por mil habitantes. Para o Conselho Federal de Medicina (CFM), o aumento de profissionais ocorreu devido ao crescimento acelerado de escolas médicas e a disponibilidade de vagas na última década. Dentro de cinco anos, mantendo o mesmo ritmo de crescimento da população e de escolas médicas, o País contará com 3,63 médicos por mil habitantes.
Atualmente, o número de médicos ativos no Brasil chega a 546 mil, o que representa uma proporção de 2,56 profissionais por mil habitantes. Para o Conselho Federal de Medicina (CFM), o aumento de profissionais ocorreu devido ao crescimento acelerado de escolas médicas e a disponibilidade de vagas na última década. Dentro de cinco anos, mantendo o mesmo ritmo de crescimento da população e de escolas médicas, o País contará com 3,63 médicos por mil habitantes.
Conforme o conselho, o índice supera a densidade médica registrada na média dos 38 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE). O atual índice brasileiro, de 2,56 médicos por mil habitantes, já é compatível com o de países como Estados Unidos (2,6), Canadá (2,7), Japão (2,5) e Coreia do Sul (2,5), além de ser maior que o do Chile (2,2), da China (2) e da África do Sul (0,8). Com o incremento esperado, em cinco anos, o Brasil deve ultrapassar Nova Zelândia (3,4), Irlanda (3,3), Israel (3,3), Finlândia (3,2), França (3,2), Bélgica (3,2) e Reino Unido (3).
Segundo o CFM, desde 2010, a população brasileira passou de 190,7 milhões para 214 milhões, enquanto a proporção de médicos por mil habitantes foi de 1,76 para 2,56. No mesmo período, foram abertas mais de 200 escolas de medicina. A cada ano, cerca de 28 mil médicos se somam ao mercado. Com uma vida profissional longa - cerca de 43 anos -, alguns estudos estimam que o país deve alcançar quase 837 mil profissionais em cinco anos.
Os homens representam 51% do contingente ativo (277,8 mil profissionais) e as mulheres, 49% (267,7 mil), segundo dados da plataforma Demografia Médica no Brasil 2023, lançada nesta segunda-feira pelo conselho. A evolução indica que, em poucos anos, as mulheres serão maioria. Em 1990, elas eram apenas 30% da força de trabalho médica, passando para 39,9% em 2010, e chegando, agora, a quase metade.
Os números indicam ainda que a média geral de idade dos médicos em atividade no Brasil vem caindo nos últimos anos. Em 2015, a média era 45,7 anos. Agora, está em 44,9 anos. O fenômeno é resultado do crescimento do número de cursos e vagas de graduação em medicina e, consequentemente, da entrada de novos médicos no mercado de trabalho.
Para os homens, a idade média, em 2023, é 49 anos. Para as mulheres, 42,5 anos. Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul são os estados que têm idade média mais alta entre a população médica: 50,3 anos e 47,8 anos, respectivamente.
 

Sul e Sudeste concentram maioria dos médicos

Para o CFM, o Brasil possui médicos ativos, com registro nos CRMs, em número absoluto suficiente para atender às necessidades da população. Apesar do significativo contingente e um dos maiores do mundo, ainda há um cenário de desigualdade na distribuição e fixação desses profissionais e também no acesso a eles.

A maioria dos médicos permanece concentrada no Sul e no Sudeste, nas capitais e nos grandes municípios. Nas 49 cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes e que juntas concentram 32% da população brasileira, estão 62% dos médicos do Brasil. Já nos 4.890 municípios com até 50 mil habitantes, onde vivem 65,8 milhões de pessoas, estão pouco mais de 8% dos profissionais.

Apesar de juntas responderem por 24% da população do País, as 27 capitais brasileiras reúnem 54% dos médicos. Por outro lado, vivem no interior 76% da população e 46% dos médicos ativos no País. Os números mostram ainda que as capitais têm uma média de 6,21 médicos por mil habitantes contra um índice de 1,72 no interior.

As diferenças também ocorrem entre as regiões brasileiras. No Norte, vivem 8,8% da população brasileira e 4,6% dos médicos do país. O Nordeste abriga 27% dos brasileiros e 18,5% dos médicos. O Sudeste responde por 42% da população e 53% dos profissionais. O Sul e o Centro-Oeste abrigam, respectivamente, 14,3% e 7,8% da população e têm 15,7% e 8,4% dos médicos do País.

Para o presidente do CFM, José Hiran Gallo, o Brasil conta com diversas escolas de medicina sem a menor condição de funcionamento. "Não adianta colocarmos médicos bem formados nesses 5,55 mil municípios do Brasil sem ter infraestrutura de trabalho, leitos, equipamentos, medicamentos, acesso a exames e apoio de equipe multiprofissional", disse.

O coordenador do Sistema de Acreditação de Escolas Médicas do CFM, Donizetti Giamberardino, defende a elaboração de políticas de fixação do profissional de saúde em cidades de difícil provimento. "Os documentos sempre demonstraram que, mesmo formando mais médicos anualmente, a má distribuição persistiu. Temos mais médicos nas capitais e muitos municípios que não têm médicos."

De acordo com ele, é necessário um financiamento e uma avaliação que ocorra de forma adequada. “Uma política de recursos humanos de fixação do médico e de outros profissionais em cidades de difícil provimento. Não podemos confundir a desejada descentralização com a municipalização de sistemas", concluiu.

Plataforma mostra o perfil médico do Brasil

A plataforma Demografia Médica no Brasil 2023 constitui uma ferramenta dinâmica, intuitiva e online que possibilita aos usuários conhecer os números mais recentes sobre a distribuição e o perfil da força de trabalho médica no País. A versão disponibilizada pelo CFM apresenta dados de 31 de dezembro de 2022. Em seis meses, uma nova carga deve ser implementada.

A proposta é democratizar o acesso a informações sobre o perfil de médicos no Brasil. Com poucos cliques, é possível saber quantos profissionais em atividade há no País, incluindo recortes por estado, por capital e no interior de cada unidade federativa, além da proporção de médicos por habitante.

Também é possível saber detalhes como faixa etária, sexo e tipo de formação dos profissionais de saúde. Os dados, de acordo com o CFM, contam com atualização online, e os painéis contemplam os seguintes eixos e informações: médicos no Brasil; evolução populacional; indicadores de evolução; distribuição geográfica; ranking de estados e capitais; e indicadores internacionais.