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Meio ambiente

- Publicada em 05 de Fevereiro de 2023 às 11:48

Quatro nascentes do Parque Saint’Hilaire estão degradadas, aponta pesquisa

Uma das nascentes apresentou eutrofização, quando há excesso de algas e prejuízo aos organismos do corpo hídrico

Uma das nascentes apresentou eutrofização, quando há excesso de algas e prejuízo aos organismos do corpo hídrico


Divulgação/JC
Bárbara Lima
O Parque Natural Municipal Saint’Hilaire, localizado no município de Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, tem mais de 50 nascentes e é classificado como uma Unidade de Conservação. Recentemente, uma pesquisa realizada pelo Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), do Campi Viamão, diagnosticou que quatro nascentes das 40 analisadas estão degradadas, entre elas a do Arroio Dilúvio; 12 estão moderadamente preservadas e 24 estão preservadas. O estudo, que entra na segunda fase em maio para analisar o restante das nascentes do parque, faz parte do projeto Água Para do Futuro, do Ministério Público do Estado (MPRS).
O Parque Natural Municipal Saint’Hilaire, localizado no município de Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, tem mais de 50 nascentes e é classificado como uma Unidade de Conservação. Recentemente, uma pesquisa realizada pelo Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), do Campi Viamão, diagnosticou que quatro nascentes das 40 analisadas estão degradadas, entre elas a do Arroio Dilúvio; 12 estão moderadamente preservadas e 24 estão preservadas. O estudo, que entra na segunda fase em maio para analisar o restante das nascentes do parque, faz parte do projeto Água Para do Futuro, do Ministério Público do Estado (MPRS).
Segundo o professor e coordenador da pesquisa, Robson Garcia da Silva, foram analisados, desde julho de 2022, 20 parâmetros para medir a qualidade, 14 nas nascentes e 6 no entorno, cerca de 50 m de onde há afloramento das águas (Áreas de Preservação Permanentes - APPs). "Fizemos testes para turbidez, cor, odor, presença de esgoto. No entorno, analisamos vegetação exótica, erosão. Esses são apenas alguns dos itens da lista", disse.
De acordo com o levantamento, intitulado "Diagnóstico ambiental de nascentes e APP´s do Parque Saint´Hilaire de Viamão", um dos maiores problemas, além da presença de óleo e lançamento de esgoto, foi, de fato, o lixo. "A pesquisa atestou para a forte presença de resíduos. São deixados por pessoas no local, mas também é lixo da vizinhança que viajou com o vento", comentou o pesquisador. Ele destaca ainda o problema das invasões frequentes no parque como um dos motores para a poluição das nascentes.
Mas a questão é complexa e engloba diversos fatores, incluindo falhas no tratamento de esgoto na cidade de Viamão, por exemplo. "A administração ainda é de Porto Alegre, mas o parque fica em Viamão. Então questões da cidade influenciam nos resultados", explicou. Além disso, na margem perto das nascentes, foram encontradas vegetação exótica, como eucaliptos, e regiões de queimadas. "A gente percebe que a Unidade de Conservação não é totalmente protegida, nem totalmente cercada, e os impactos são sistêmicos", lamentou Silva. 
Os impactos sistêmicos, como definiu, acontecem porque nada na natureza existe de forma isolada. O lixo a céu aberto, próximo à nascente, ou até mesmo nela, contamina a água, atrai roedores e insetos, possíveis vetores de doenças. "A nascente é a origem do curso da água, quando ela está degradada, causa desequilíbrio ambiental e compromete todo o ciclo hidrológico. Temos a perda da qualidade ambiental e isso significa menos disponibilidade de água potável para abastecimentos, já que é a nascente que alimenta os arroios até os grandes reservatórios naturais."
A degradação nas nascentes também pode afetar a fauna local, principalmente quando há eutrofização da água, ou seja, presença excessiva de algas, o que também foi constatado. "A eutrofização causa o excesso de fósforo da água, que vem do despejo de detergente no curso hídrico. Isso propicia a proliferação das plantas aquáticas que prejudicam outros organismos do corpo hídrico." 
A boa notícia é que é muito mais fácil recuperar uma nascente do que um grande reservatório ou arroios, como o Dilúvio. "As nascentes se encontram em um ambiente natural. Em locais como o Dilúvio, a recuperação é difícil porque há muita intervenção humana, tem drenagem e fica perto de uma região urbana, antropizada", afirmou o professor. As soluções para recuperar essas regiões dependem, é claro, do problema encontrado. "Se é o desmatamento, como constatamos, precisamos do replantio. Se é o esgoto doméstico, por que nada é feito no entorno da nascente para evitar o lançamento de esgoto? Será que a coleta é regular? Se é o lixo jogado pela população, precisamos de mais fiscalização e conscientização."
O engenheiro florestal do Parque Saint' Hilaire, Gerson Mainardi, afirma que a rotina da Unidade de Conservação é de fiscalizar e proteger as nascentes e que a gestão aguarda a entrega oficial do relatório para aplicar outras medidas. "Com base nesse diagnóstico, vamos direcionar ações mais específicas, de acordo com os dados da pesquisa, para minimizar os danos", relatou. 
O parque, que tem mais de mil hectares, divididos entre 240 hectares destinados ao lazer e 908,62 hectares para preservação permanente, é uma das principais áreas verdes da região metropolitana de Porto Alegre, tem significativa biodiversidade nativa e costumava receber cerca de 125 mil visitantes por ano. Atualmente, ainda é administrado pela Secretaria do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade de Porto Alegre (Smamus) e está fechado desde março de 2020 para visitação do público geral. De acordo com o órgão, não há previsão para reabertura enquanto não for concluída a transição da gestão para a prefeitura de Viamão. 
 
 
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