Quem vive, trabalha, caminha, circula ou simplesmente passa vez que outra por uma discreta rua encravada no meio do bairro Partenon, em Porto Alegre, não tem ideia de quem é o homem que dá nome àquela via - a não ser que pare para ler o que escrito em pequenas letras nas placas que ficam na esquina da rua com as avenidas Ipiranga e Bento Gonçalves.
Evaristo da Veiga é um desconhecido. Nem na escola se fala dele. Na história dos 200 anos da independência brasileira, o poeta e jornalista é deixado de lado e, quando seu nome é citado, é “en passant”
A sua obra, porém, a letra do Hino da Independência, é bastante conhecida, ainda que, antigamente, fosse mais celebrada (esse jornalista, por exemplo, lembra perfeitamente de quando era aluno do Ensino Fundamental em escola pública nos anos 1990 e, durante o mês de setembro, toda a escola ia para o pátio antes de iniciar a aula e acompanhava o hasteamento da bandeira ao som da música criada por Dom Pedro I e da letra composta por Veiga).
Composto por 11 estrofes, a letra escrita por Veiga é longa. Dificilmente alguém há de se recordar de algo além das duas primeiras estrofes:
Já podeis da Pátria filhos,
Ver contente a mãe gentil;
Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil
Já raiou a liberdade,
Já raiou a liberdade,
No horizonte do Brasil.
Brava gente brasileira!
Longe vá temor servil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil;
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil.
Conforme registros, a letra teria sido escrita em 16 de agosto de 1822, sob o título de Hino Constitucional Brasiliense. A composição se popularizou e passou a ser cantada pelas tropas, com duas músicas diferentes, uma de autoria do maestro Marcos Portugal e a outra obra do próprio príncipe regente Pedro.
Como era de se esperar, ao príncipe foi creditada a autoria da letra pois, afinal de contas, se a música era dele, os versos também deveriam ser. Evaristo, deixou por isso mesmo, não quis competir com o filho do rei. Em 1833, no entanto, contradizendo ao Visconde de Cairu que havia escrito em um artigo que a autoria da letra de “brava gente” era do ex-monarca, Veiga reivindicou a autoria. Atualmente, os originais do hino escrito por Evaristo da Veiga estão na Biblioteca Nacional.