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- Publicada em 02 de Setembro de 2022 às 13:43

Capítulo 2: Avenida José Bonifácio

Via ao lado da Redenção recebe o tradicional brique aos domingos

Via ao lado da Redenção recebe o tradicional brique aos domingos


LUIZA PRADO/JC
Juliano Tatsch
Margeando o Parque da Redenção, uma avenida discreta, densamente arborizada, vibra cheia de vida nos finais de semana quando as bancas do tradicional brique ocupam os seus cerca de 800 metros. Na placa nas suas esquinas, o nome de um homem que foi fundamental para a independência brasileira: José Bonifácio de Andrada e Silva.
Margeando o Parque da Redenção, uma avenida discreta, densamente arborizada, vibra cheia de vida nos finais de semana quando as bancas do tradicional brique ocupam os seus cerca de 800 metros. Na placa nas suas esquinas, o nome de um homem que foi fundamental para a independência brasileira: José Bonifácio de Andrada e Silva.
Considerado um dos mais brilhantes – se não o mais brilhante – político que já viveu neste país, José Bonifácio foi tão importante para os acontecimentos do 7 de Setembro de 1822 que ganhou o título de Patriarca da Independência. Não é pouca coisa.
Bonifácio era um ser político em sua essência. Articulador hábil, era mais do que um conselheiro para Dom Pedro I. Apesar de ter sido figura primal no processo que resultou na separação oficial do Brasil de Portugal, o paulista nascido na cidade de Santos tinha dúvidas a respeito da possibilidade de nos tornarmos uma nação coesa sendo uma terra com tantas diferenças e desigualdades. “Amalgamação muito difícil será a liga de tanto metal heterogêneo, (...) em um corpo sólido e político”, disse em 1812, uma década antes do grito do Ipiranga.
A emancipação brasileira coordenada por Bonifácio não era sangrenta como a norte-americana, tampouco caótica como a revolução que viu nascer in loco em Paris no fim do século 18.
A vida de Bonifácio era política. Para ele, as disputas, insatisfações, as rixas, os desentendimentos se resolviam na mesa de debates, e não por meio das armas. E foi pensando e agindo assim que se tornou o ideólogo da independência.
O trabalho do patriarca também foi primordial para que o Brasil mantivesse sua unidade territorial, diferentemente do que ocorreu na América espanhola, que se dividiu em quase uma dezena de nações.
Em artigo publicado em 1965, o célebre sociólogo Gilberto Freyre definiu assim o papel de Bonifácio na formação do estado nacional brasileiro:
"Não haveria o Brasil, tal como existe hoje, tão plural e tão uno, se no momento justo Bonifácio não tivesse agido, máscula e decisivamente, sutil e quase femininamente, juntando a arte dos grandes políticos à firmeza de ânimo dos grandes homens, contra os radicais de sua época, contra os desvairados nacionalistas da sua época, contra os furiosos anti-europeus dos seus dias.”
Os anos – três décadas e meia, de 1783 a 1819 – vivendo na Europa arejaram as ideias de Bonifácio, que chegou ao Brasil e não gostou de ver o atraso da sua terra natal. Após a independência, como deputado da Assembleia Geral, apresentou projetos que previam a extinção da escravidão negra e incentivavam a incorporação de indígenas à sociedade brasileira. Além disso, era um defensor da reforma agrária, com maior distribuição de terra para mais gente.
A solução monárquica, única entre os países do continente, também tem o dedo de Bonifácio. Um imperador teria muito mais ascensão sobre as províncias para manter a unidade nacional, evitando a fragmentação vista nas repúblicas vizinhas. “Não concorrerei para a formação de uma Constituição demagógica. Há 14 anos que se dilaceram os povos da América espanhola, os quais saíram de um governo monárquico para estabelecer uma liberdade sem limites”, disse na tribuna da Assembleia Constituinte, já após o 7 de Setembro.
Responsável por articular a solução plantada por Dom João VI antes mesmo de deixar o Brasil em abril de 1821, ele semeou a ideia da permanência de Pedro no país como a forma de manter a nação unida e forte e que somente uma monarquia seria capaz de evitar o esfacelamento visto nas novas repúblicas do continente.
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