O Dicionário Aurélio define a palavra “independência” da seguinte forma:
- Estado ou condição de quem ou do que é independente, de quem ou do que tem liberdade ou autonomia;
- Caráter de quem rejeita qualquer sujeição;
- Autonomia política;
- Restituição ou aquisição dessa autonomia.
Na placa da avenida que recebe este nome, no Centro Histórico de Porto Alegre, os dizeres que explicam para a população o motivo da via ter aquela denominação informam apenas o seguinte:
Independência
Av. Independência
Alusivo ao dia 07 de setembro de 1822, Independência do Brasil
Os dois estão certos, mas nenhum deles explica bem o que foi que aconteceu naqueles primeiros dias do mês de setembro de 1822 no Brasil. Em defesa do dicionário e da placa de rua, é impossível explicar os fatos que culminaram no famoso grito às margens do rio em tão pequeno espaço e tão poucas palavras.
A Independência do Brasil é complexa demais para ser explicada em um dicionário ou em uma placa de rua. Também é complexa demais para ser explicada em uma matéria de jornal ou site. Em um livro, talvez, seja possível. Talvez. Porque, muito provavelmente, para se embrenhar a fundo na história e nas pequenas histórias por entre a história, seria necessária uma coletânea com vários volumes. Grossos volumes, com muitas páginas.
Para quem acha que exagero de minha parte, aí vai um breve resumo:
Um território colonizado por portugueses que passaram 322 anos explorando a terra e a gente que ali vivia e que não tinham intenção alguma de se desfazer dessa posse. Esse território é governado pelo príncipe filho do rei que dá as cartas no reino colonizador. Esse príncipe é o primeiro da linha sucessória para assumir o posto quando seu pai morrer ou abdicar do trono. Ele chegou às terras colonizadas 14 anos antes fugindo, junto com toda a família real, da invasão de um poderoso (e famoso) imperador ao seu país. Esse príncipe tinha apenas nove anos de idade quando chegou por aqui. Foi nestas terras além-mar, calorentas, que ele cresceu e se tornou um jovem homem. Namorador, boêmio, afeito a noitadas, o rapaz, de nome Pedro, acabou se apegando àquela terra e àquela gente. Foi aqui que ele conheceu o grande amor de sua vida – que veio a se tornar sua amante (uma delas) - a quem ele daria um título de nobreza futuramente. Pois esse homem, nem de longe o arquétipo tradicional de um herói libertador de um povo, aos 23 anos de idade, resolveu, meio que em um impulso típico da juventude, incentivado por seus mais próximos asseclas, desembainhar sua espada e, montado em um burro às margens de um riacho e sofrendo de uma forte diarreia, gritar a independência e, assim, criar um novo país.
Sim, a independência do Brasil foi proclamada por um português filho do rei de Portugal. Alguns anos depois, ele próprio, o príncipe que rompeu com a coroa de seu pai, viria a se tornar rei de Portugal.
Confuso, não é?
Como bem disse Tom Jobim certa vez, o Brasil não é para principiantes. Nunca foi.