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- Publicada em 21 de Fevereiro de 2013 às 00:00

Porto Alegre tem dia de alagamentos e morte


JOÃO MATTOS/JC
Jornal do Comércio
A quarta-feira começou com grande instabilidade no céu de Porto Alegre. Os momentos de nebulosidade eram rapidamente substituídos por céu aberto e sol forte. Com um cenário assim, ninguém imaginava, apesar de ter sido previsto, que a tarde reservaria uma chuva torrencial na cidade. Em apenas uma hora, o volume foi superior à metade da média histórica da Capital, que é de 108,6mm. O resultado foi pelo menos uma morte e uma série de transtornos no trânsito, no sistema de transporte e na distribuição de energia elétrica.
A quarta-feira começou com grande instabilidade no céu de Porto Alegre. Os momentos de nebulosidade eram rapidamente substituídos por céu aberto e sol forte. Com um cenário assim, ninguém imaginava, apesar de ter sido previsto, que a tarde reservaria uma chuva torrencial na cidade. Em apenas uma hora, o volume foi superior à metade da média histórica da Capital, que é de 108,6mm. O resultado foi pelo menos uma morte e uma série de transtornos no trânsito, no sistema de transporte e na distribuição de energia elétrica.
A chuva começou por volta das 14h45min. A precipitação caiu com tanta intensidade que, em cerca de uma hora, o trânsito na cidade ficou desordenado, e o número de ruas e avenidas alagadas, algumas com mais de um metro de água, multiplicou-se rapidamente.
A avenida Voluntários da Pátria teve de ser bloqueada por causa de áreas alagadas. Um taxista morreu afogado na altura do nº 2.581. O homem, identificado como Hélio Jorge Sá, de 61 anos, teria morrido afogado dentro do  veículo. As informações sobre as circunstâncias do óbito não foram confirmadas pelos órgãos de segurança.
O bairro Moinhos de Vento foi um dos mais afetados. Conforme a MetSul Meteorologia, em uma hora de chuva, desde o primeiro registro, às 15h05min, caíram 66mm no bairro - destes, 62mm se acumularam em apenas 35 minutos. A estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no Jardim Botânico registrou 73,6mm de chuva. O volume foi o maior em uma hora nos seis anos de existência da central de monitoramento.
Os maiores problemas nas vias da cidade se concentraram na região Central e nos bairros Moinhos de Vento, Menino Deus e Navegantes. Paradas de ônibus ficaram lotadas de pessoas esperando os coletivos que se “arrastavam” pelas vias cobertas de água. Às 16h, o acesso do Túnel da Conceição estava bloqueado, assim como as avenidas Erico Verissimo e Silva Só. A Ipiranga ficou congestionada em quase toda a sua extensão, com vários pontos alagados, como na esquina com a avenida João Pessoa. Na Coronel Bordini, junto à esquina com a rua Marquês do Pombal, dois grandes buracos, dos dois lados da via, se abriram no asfalto.
A circulação na Osvaldo Aranha ficou parada, assim como alguns pontos da Protásio Alves e da Aparício Borges. Quem transitava pela avenida Bento Gonçalves também sofreu com o alagamento. No bairro Cidade Baixa, contêineres de lixo ficaram à deriva, boiando e se chocando contra carros estacionados. A chuva, apesar de rápida, foi tão forte que obrigou o bloqueio da avenida Goethe, nos dois sentidos na região do Parcão, em razão de alagamento, situação que não se via desde a conclusão das obras do conduto Álvaro-Chaves, em 2008.
O acúmulo de água também foi muito grande nos arredores da rodoviária, onde o trânsito teve grande lentidão. A situação caótica nas vias de Porto Alegre fez com que a prefeitura pedisse que as pessoas não saíssem de suas casas. No total, conforme a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), foram registrados 26 pontos de alagamento.
A chuva forte e a cobertura de nuvens também obrigaram dois aviões a arremeterem no aeroporto Salgado Filho. Conforme a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), 20 pontos da Capital ficaram sem o fornecimento de energia. O temporal mostrou a fragilidade do sistema de escoamento e drenagem urbana da Capital. Mais uma vez, a justificativa oficial da prefeitura para os problemas foi a intensidade do evento em um curto período de tempo. Entretanto, a ausência de equipamentos básicos também foi responsável pelo o que foi visto ontem.
A falta de energia fez com que cinco casas de bombas de drenagem do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) não funcionassem. Os equipamentos não possuem geradores próprios para mantê-los ativados em casos de queda de energia. Com as bombas desligadas, a água tomou conta dos trilhos da Trensurb, obrigando o fechamento das estações Mercado, Rodoviária e São Pedro.

Precipitação foi isolada em pontos da cidade

Quem mora nas zonas Sul e Norte de Porto Alegre não entendeu direito o que estava ocorrendo ontem na cidade. Enquanto a chuva deixava as regiões Central e Leste da Capital embaixo de água, no Sul e no Norte pouco, ou quase nada, choveu. No bairro Lami, as estações meteorológicas apontaram 3,2mm de chuva. Na zona Norte, por sua vez, 1mm de acúmulo de água foi computado.
A avenida Nilópolis, no bairro Bela Vista, mais uma vez se transformou em um rio, com diversos carros boiando.
A chuva forte afetou até o serviço de saúde. O Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) suspendeu as consultas da manhã de hoje. “A chuva causou inundação nos pavimentos onde estão os consultórios”, informou o hospital, por meio de sua conta no Twitter. O ambulatório passará por limpeza e desinfecção. Ao final da manhã de hoje, o hospital comunicará se o local terá condições de funcionar à tarde.
A chuva, que havia cessado por volta das 16h30min, voltou a cair uma hora depois, com menos força, mas mantendo a dificuldade no escoamento das águas. Às 18h, o sistema de semáforos ainda apresentava panes em diversos pontos, como na avenida Vicente da Fontoura, em pontos da Protásio Alves, da Venâncio Aires e da João Pessoa. Às 20h, os reflexos do ocorrido mais de quatro horas antes ainda podiam ser vistos no trânsito, que  permanecia lento em alguns locais, como na avenida Carlos Gomes.
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