Desde usos médicos até auxílio em processos para grandes indústrias, a impressão 3D é uma realidade que já alcança vários negócios. Segundo o Grupo IMARC, empresa global de pesquisas de mercado, espera-se que o mercado de impressão 3D no Brasil apresente uma taxa de crescimento de 17,20%, em CAGR — Taxa de Crescimento Anual Composta — até o ano de 2034. Este cenário advém desde a adoção no setor de saúde para implantes personalizados até os avanços em impressoras 3D mais acessíveis.
Estabelecendo essa crescente tendência em Porto Alegre, a 3Deras, empresa original de Florianópolis, Santa Catarina, expandiu há três meses suas operações para a capital gaúcha. Do pequeno empreendedor a grandes empresas, a marca oferta máquinas, insumos e apoio técnico.
Natural de Porto Alegre, Felipe Nassif é um dos fundadores da 3Deras ao lado do sócio Jonas Monteiro. A empresa que, segundo o engenheiro, iniciou de forma despretensiosa com a aquisição de apenas uma máquina de impressão, já operou através de licitações e revenda de equipamentos para órgãos públicos, firmando-se, posteriormente, como revendedora para o público final. Atualmente, o trabalho da 3Deras ocorre em parceria oficial e exclusiva com a Bambu Lab, fabricante de impressoras 3D.
"Em 2023, houve uma virada da tecnologia. A Bambu Lab desenvolveu a impressão 3D de uma maneira que é muito fácil para o usuário final, tanto para usar quanto para ele fazer pequenas manutenções se necessário", explica.
Natural de Porto Alegre, Felipe Nassif é um dos fundadores da 3Deras ao lado do sócio Jonas Monteiro. A empresa que, segundo o engenheiro, iniciou de forma despretensiosa com a aquisição de apenas uma máquina de impressão, já operou através de licitações e revenda de equipamentos para órgãos públicos, firmando-se, posteriormente, como revendedora para o público final. Atualmente, o trabalho da 3Deras ocorre em parceria oficial e exclusiva com a Bambu Lab, fabricante de impressoras 3D.
"Em 2023, houve uma virada da tecnologia. A Bambu Lab desenvolveu a impressão 3D de uma maneira que é muito fácil para o usuário final, tanto para usar quanto para ele fazer pequenas manutenções se necessário", explica.
Aposta no mercado gaúcho
Com a consolidação de duas unidades em Santa Catarina, sendo uma delas um espaço operacional em Florianópolis voltado para fabricação, manutenção e P&D, a marca chega a Porto Alegre investindo no mercado gaúcho da impressão 3D.
"Com uma pegada formal de revenda, de contato direto com a marca, de busca por disponibilidade ampla de cores, ainda somos os únicos. Mas em questão de poucos meses vai entrar bastante gente", compartilha Felipe.
Com a migração dos serviços pontuais de impressão, a 3Deras busca seu diferencial indo além dos produtos vendidos e ofertando um serviço especializado de acompanhamento para o comprador.
Com a migração dos serviços pontuais de impressão, a 3Deras busca seu diferencial indo além dos produtos vendidos e ofertando um serviço especializado de acompanhamento para o comprador.
"Tem esse apoio técnico, um grupo no WhatsApp para perguntar sempre que precisar, cursos gratuitos e uma loja física para olhar o painel e escolher a cor", detalha.
Principais máquinas
Entre as máquinas líderes de venda, o empreendedor destaca a 3D Bambu Lab A1 Combo, considerada o carro-chefe da loja e do mercado mundial, comercializada por aproximadamente R$ 5 mil.
Já os principais insumos disponibilizados contam com variedade de filamentos em um catálogo entre 180 e 200 cores. Para o empreendedor, um dos diferenciais de trabalhar com esses materiais está na necessidade de disponibilizar variedade de marcas, visto a diferença de catálogos de cores.
Já os principais insumos disponibilizados contam com variedade de filamentos em um catálogo entre 180 e 200 cores. Para o empreendedor, um dos diferenciais de trabalhar com esses materiais está na necessidade de disponibilizar variedade de marcas, visto a diferença de catálogos de cores.
"Cada marca tem entre 30 a 50 cores. Para disponibilizarmos de 180 a 200, precisamos trabalhar com uma gama ampla de fornecedores", compartilha Felipe, acrescentando que os valores variam entre R$ 100,00 a R$ 130,00.
Mas, segundo ele, o destaque da loja foi desenvolvido de forma original, resultando na fresadora de bancada Davi. Nomeada em homenagem à Davi de Michelangelo, o equipamento é voltado principalmente ao mercado educacional e competições de robótica nas escolas, sendo vendida entre R$ 18 mil e R$ 20 mil. Como aponta Felipe, o produto foi criado após a percepção de que todas as fresadoras de bancada estavam abandonadas em laboratórios.
Mas, segundo ele, o destaque da loja foi desenvolvido de forma original, resultando na fresadora de bancada Davi. Nomeada em homenagem à Davi de Michelangelo, o equipamento é voltado principalmente ao mercado educacional e competições de robótica nas escolas, sendo vendida entre R$ 18 mil e R$ 20 mil. Como aponta Felipe, o produto foi criado após a percepção de que todas as fresadoras de bancada estavam abandonadas em laboratórios.
"O único player do mercado vendia uma fresadora por R$ 150 mil que era muito boa, mas é uma máquina que, se tivesse qualquer problema, era R$ 10 mil para resolver. Desenvolvemos uma máquina por 15% a 20% do custo que não entrega 100% do que aquela outra, mas entrega a 80%", explica.
Necessidade de expansão
Ainda em fase de adaptação após três meses de portas abertas, os sócios acreditam que o maior desafio se concentra nos gargalos operacionais. "A loja em muitas situações, principalmente nos sábados, já está pequena . Então, muito provavelmente, nós teremos que ter uma loja maior em breve", compartilha.
Situada em um mercado com expansão em fase inicial, mas acelerada, como aponta Felipe, a 3Deras prospecta a atuação nos ecossistemas locais de inovação, como os hubs, assim como em ambientes de educação.
Situada em um mercado com expansão em fase inicial, mas acelerada, como aponta Felipe, a 3Deras prospecta a atuação nos ecossistemas locais de inovação, como os hubs, assim como em ambientes de educação.
"A grande expansão local que a gente vê é na área da educação, se envolvendo com escolas e colégios para trazer a fabricação digital para esses centros", aponta
Endereço e horário de funcionamento
A 3Deras está localizada na rua Tenente Coronel Fabrício Pilar, n° 147, Mont'Serrat. O estabelecimento opera a partir das 9h30min.
Unindo design à impressão 3D, marca de Esteio aposta decoração
Propondo explorar ao máximo as vertentes do design, a Bresco busca se desprender do estereótipo visual característico da impressão 3D
Com apenas três meses de atuação, a Bresco é uma empresa gaúcha que opera com a produção e venda de itens decorativos e utilitários feitos a partir de impressão 3D. Propondo explorar ao máximo as vertentes do design, a marca busca se desprender do estereótipo visual característico da impressão 3D, juntando diferentes processos criativos que culminam nos produtos finais.
Fundada pelas irmãs Isabela e Isadora Bresciani, junto à sua cunhada Emanuelle Carrar, a marca iniciou a partir do desejo de seguir uma tradição familiar. "Os nossos pais têm um vasto conhecimento na área da produção e fabricação, porque eles têm uma fábrica de produtos plásticos há mais de 20 anos", conta Isabela.
Segundo a publicitária, o objetivo do negócio consiste em "ter a peça como o protagonista", fugindo do padrão visual comum a peças feitas por impressão 3D. "Geralmente, as pessoas olham para os nossos produtos e só muito depois percebem que é impressão 3D", revela.
Com produção sediada em Esteio, a empresa possui um catálogo que combina modelos de autoria própria com modelos licenciados de outros designers, mediante pagamento de direitos.
Segundo Isabela, a confecção envolve etapas que vão muito além de apenas imprimir. "Tem que estar sempre olhando e vendo se realmente vai sair impresso direitinho, porque, muitas vezes, acontecem falhas nas impressões e se perdem peças", explica a empreendedora, detalhando que a equipe busca sempre aprimorar os conhecimentos sobre os programas de impressão para entregar os melhores resultados.
"Uma parte muito importante é trabalhar no programa, que chamamos de fatiador. Ele envia à impressora, e temos que deixar com o melhor acabamento possível", conta.
Trabalhando com filamentos de dois tipos de materiais, o PLA, um bioplástico sustentável, e o PETG, um termoplástico da família dos poliésteres, a empreendedora explica que a técnica envolve tanto possibilidades, quanto limitações.
A marca produz de vasos até luminárias e realiza projetos sob encomenda. Entre os itens mais vendidos estão a luminária Coliseu, pelo valor de R$ 150,00, e os vasos, disponíveis por R$ 55,00, no tamanho médio e R$ 75,00 grande. Com diferentes opções de acabamento, permitindo trabalhar diversas intensidades de passagens de luz, ambos os produtos contam com diferentes finalizações, como opaco e translúcido. "Dá para deixar tanto brilhoso, quanto com mais textura", conta.
Com vendas que englobam desde marketplaces, para dar alcance às vendas, até o Instagram, canal central de posicionamento visual e relacionamento com o público, Isabela aponta as feiras como modelo de vendas diferenciado, que propicia um contato mais direto com o cliente. "É muito legal ir às feiras e ver a reação das pessoas quando percebem que é impressão 3D. Elas chegam ao nosso estande por curiosidade e, quando explicamos, ficam deslumbradas", compartilha.
Processo de expansão
Com um crescimento considerado rápido pelas sócias, ela detalha que, atualmente, a empresa já se encontra em processo de expansão, com planos para a construção de uma sede própria para o final de 2026. "Quando percebemos que estava escalando de forma rápida e gradual, vimos que tínhamos de nos movimentar para ter um espaço maior e, no futuro, contratar pessoas para trabalhar conosco", explica.
Com nove máquinas e alguns gargalos operacionais, os planos incluem o aporte de 80 máquinas a longo prazo. "Queremos em breve ampliar, porque vai ser necessário."
Jogos de tabuleiro e miniaturas do RS: designer cria brinquedos minimalistas
Doutora em Design pela UFRGS, Simone Sperhack faz em casa peças sem pilhas nem telas, do Laçador à Casa de Cultura Mario Quintana
O barulho ritmado que vem das impressoras 3D no estúdio da SisperDesign não lembra em nada o som de uma fábrica tradicional. Em meio a carretéis de filamentos coloridos e projetos espalhados pela mesa, o clima é de um ateliê de invenções. Na sua casa, a designer Simone Sperhacke dá vida a jogos, brinquedos e objetos que não usam pilhas, nem emitem luzes piscantes e muito menos têm tela.
Em 1994, quando morava na Alemanha, ela entrou em contato com a tradição europeia do design lúdico e nunca mais largou. "Ali, eu me apaixonei perdidamente por esse universo e decidi no mesmo instante: ia ser designer de brinquedos. Desde então, estou na luta, na batalha, matando dois ou três leões por dia", conta a empreendedora, que abriu o CNPJ em 2001.
Foi na Ufrgs, onde cursou mestrado e doutorado em Design e passou anos ensinando e pesquisando o pensamento visual por meio de jogos, que ela tomou gosto pela tecnologia. "Conheci a impressão 3D e disse para mim mesma que não conseguiria mais viver sem ela. Ela me deu a chance de desenvolver e produzir meus próprios brinquedos de ponta a ponta, sem terceirizar nem depender de uma grande indústria", explica.
Tecnologia a serviço da sustentabilidade
Os brinquedos da marca têm um detalhe curioso: não possuem rostos ou expressões desenhadas. A escolha é proposital e fundamentada na pedagogia do brincar. "O minimalismo dá liberdade para a criação. Os adultos se enganam ao pensar que a criança só quer aquilo que é fácil, pronto e rápido. Quando o brinquedo não vem engessado, ela inventa a história que quiser, trabalha a coordenação motora, sente a textura e cria os próprios universos", defende Simone.
O catálogo traz jogos de tabuleiro, como o Dominove e o Jogo da Velha Come-Come, além de capivaras, coelhos e cavalos com rodinhas, bem como carrinhos, chaveiros, apoios de celular e placas customizadas. Em 2024, a coleção de esculturas da fauna brasileira do estúdio foi finalista do Prêmio Bornancini de Design.
Apesar da liberdade poética das peças, um dos lemas de Simone é a técnica, que anda lado a lado com a sustentabilidade. Ela usa o PLA, um bioplástico biodegradável e atóxico feito de cana-de-açúcar, milho e beterraba. A energia que move as máquinas vem de placas solares do seu apartamento, e os brinquedos passam por testes rigorosos de ergonomia e segurança para obter o selo do Inmetro.
"Hoje, muita gente baixa arquivos da internet e vende brinquedo impresso sem teste algum. Todos os meus projetos passaram de primeira nos testes. É um investimento alto e burocrático, mas, para mim, é inegociável. A criança precisa brincar com segurança total", alerta Simone.
Uma das criações mais especiais nasceu de uma memória de infância nos anos 1970, quando Simone ouvia o clássico disco Os Saltimbancos, adaptado por Chico Buarque.
"Como não tinha internet e eu não achava os bichinhos para comprar, fazia meus próprios personagens em papel. Anos depois, desenhei a coleção de Os Músicos de Bremen no estúdio para realizar o desejo daquela menininha", relembra.
A valorização da cultura local também inspirou uma linha com diversas miniaturas de pontos históricos de Porto Alegre, como a Usina do Gasômetro, a Ponte dos Açores, o Laçador e o Monumento Ao Expedicionário — os dois últimos, com os devidos créditos ao escultor pelotense Antônio Caringi. A Casa de Cultura Mario Quintana também entra na coleção, com uma edição comemorativa.
"Vão ser só 120 unidades por causa dos 120 anos de nascimento do Mario Quintana", diz.
Além do site e das redes sociais, quem deseja ver e tocar as peças de perto encontra os produtos em duas lojas colaborativas de Porto Alegre. No Moinhos de Vento, o Armazém Colab, na rua Padre Chagas, nº 415, reúne o catálogo completo da marca. Já no bairro Três Figueiras, a loja Caixinha Mágica Presentes, na rua Dr. Jorge Fayet, nº 624, conta com uma seleção especial de jogos e brinquedos.

