Júlia Fernandes

Júlia Fernandes Repórter


Negócios

Viralizou: jaqueta corta-vento domina a trend dos anos 1980

A década ganhou ainda mais destaque nos últimos dias com a trend de IA que recria imagens com cenários, figurinos, referências e filtros inspirados nos anos 1980
Processo de redemocratização do Brasil, o boom do rock nacional com bandas como Legião Urbana e Barão Vermelho, o primeiro Rock In Rio com o show histórico da banda Queen, a ascensão da Xuxa Meneghel, a Rainha dos Baixinhos. Do cenário político ao cultural, os anos 1980 marcaram não só a geração da época, mas as que vieram depois também. Na moda, as referências permanecem até hoje: jeans, blazers oversized, calças de cintura alta, ombreiras e - retornando para as vitrines mais recentemente - as jaquetas corta-vento
Processo de redemocratização do Brasil, o boom do rock nacional com bandas como Legião Urbana e Barão Vermelho, o primeiro Rock In Rio com o show histórico da banda Queen, a ascensão da Xuxa Meneghel, a Rainha dos Baixinhos. Do cenário político ao cultural, os anos 1980 marcaram não só a geração da época, mas as que vieram depois também. Na moda, as referências permanecem até hoje: jeans, blazers oversized, calças de cintura alta, ombreiras e - retornando para as vitrines mais recentemente - as jaquetas corta-vento

A década de 1980 ganhou ainda mais destaque nos últimos dias com a trend de Inteligência Artificial, que a partir de fotos atuais recria as imagens com cenários, figurinos, referências e filtros inspirados nos anos 1980. De acordo com o Google, a procura pelo tema trend anos 80 aumentou 5.000% em comparação com a última semana. Só no Instagram, a tag #trendanos80 acumula mais de 43 mil publicações

Nas imagens produzidas por ferramentas como ChatGPT, Gemini, entre outros agentes de IA, uma peça em especial dominou quase todas as criações: a jaqueta corta-vento. Febre nos anos 1980, a peça de tecido sintético voltou com tudo para as vitrines em 2026, com uma pegada esportiva retrô. E o que começa como uma brincadeira de redes sociais, tem potencial para se transformar em oportunidade de negócio e faturamento. Afinal, o mercado da nostalgia já provou ser rentável. Marina Giongo, à frente da Cós - Moda Sustentável e Upcycling, coletivo de costura e de impacto social em Porto Alegre, é um dos exemplos.

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Fundada em 2019, a Cós produz itens a partir de resíduos têxteis costuráveis e busca promover a autonomia e geração de renda para mulheres costureiras. Entre as peças da marca, o corta-vento feito a partir de guarda-chuva é o carro-chefe. A nova trend já gerou impacto positivo no negócio. “É muito legal que essas tendências aconteçam. A gente consegue ter retorno, inclusive, dos clientes, dos apoiadores da marca”, comenta Marina, destacando que, nos últimos dias, alguns clientes passaram a propagar a proposta da Cós, a partir da trend viral.

 “Alguns clientes compartilham e nos marcam falando ‘se quiser entrar na tendência, comprem a jaqueta da Cós que faz um trabalho legal de impacto’, porque conseguimos trazer para as pessoas uma alternativa mais durável e mais consciente”, relata a empreendedora. 

A ideia de apostar nos corta-ventos veio de uma percepção de necessidade local. “Partimos dessa ideia de que Porto Alegre é um pouco a terra dos temporais, e que os guarda-chuvas acabam sendo destruídos. Reaproveitamos esse material, que protege da chuva para fazer a jaqueta que é mais confortável para usar no dia a dia”, explica Marina. Além da questão do clima, as jaquetas também são tendência no esporte. “O pessoal da corrida, do ciclismo já usa há mais tempo. Este ano, com essa tendência dos anos 1980, estamos sendo mais procurados para moda casual, do dia a dia”, constata. 

Apesar do impacto positivo, só o viral pelo viral não vende. Marina considera que é importante usufruir da trend, mas sem esquecer o conceito do negócio. “Tem que entrar nessa onda, aproveitar a divulgação e o olhar que se dá para essas tendências, mas trazendo também a nossa autoralidade, contar um pouco da história e o que está por trás de cada projeto”, reflete.