Júlia Fernandes

Júlia Fernandes
Repórter

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Cultura

Bares e restaurantes são fundamentais para fortalecer a cena cultural, aponta músico

Marcos Jobim celebra carreira diversificada na música e reflete sobre papel dos negócios para artistas independentes
Carreira solo, projetos com múltiplos artistas, banda, ensaios, estudo e uma rotina que exige tanto criatividade quanto organização. A vida do músico porto-alegrense Marcos Jobim se movimenta entre diferentes palcos, repertórios e personagens, mas encontra na música autoral um ponto de convergência. Com o álbum Singelinha, lançado em setembro de 2025, o artista consolidou uma fase mais madura de sua trajetória e, ao mesmo tempo, ampliou o alcance de um projeto que ultrapassa a lógica de um disco: envolve identidade estética, produção audiovisual, circulação internacional e a construção de uma marca artística própria.

A relação de Marcos com a música, no entanto, começou muito antes de qualquer estratégia de carreira. Ela nasceu dentro de casa, entre sambas, choros e clássicos da música popular brasileira tocados em reuniões familiares. O avô, violonista, foi uma de suas primeiras referências. Foi nesse ambiente que o músico começou a construir uma relação com a música que, décadas depois, voltaria a aparecer de maneira mais evidente em seu trabalho autoral.

O caminho até esse reencontro, porém, não foi linear. Por volta dos 15 anos, Marcos começou a tocar de maneira mais profissional e encontrou no rock uma das primeiras portas para a atuação musical. Primeiro veio a guitarra, depois o contrabaixo e, com eles, projetos ligados ao gênero. Na vida adulta, o movimento foi quase de retorno. O músico aproximou-se novamente do violão e da composição e passou a olhar para aquelas referências que estavam presentes desde a infância. “É quase uma experiência de regresso a isso, assim, de um resgate daquilo que me forma, da minha essência”, define o músico.
Carreira solo, projetos com múltiplos artistas, banda, ensaios, estudo e uma rotina que exige tanto criatividade quanto organização. A vida do músico porto-alegrense Marcos Jobim se movimenta entre diferentes palcos, repertórios e personagens, mas encontra na música autoral um ponto de convergência. Com o álbum Singelinha, lançado em setembro de 2025, o artista consolidou uma fase mais madura de sua trajetória e, ao mesmo tempo, ampliou o alcance de um projeto que ultrapassa a lógica de um disco: envolve identidade estética, produção audiovisual, circulação internacional e a construção de uma marca artística própria.

A relação de Marcos com a música, no entanto, começou muito antes de qualquer estratégia de carreira. Ela nasceu dentro de casa, entre sambas, choros e clássicos da música popular brasileira tocados em reuniões familiares. O avô, violonista, foi uma de suas primeiras referências. Foi nesse ambiente que o músico começou a construir uma relação com a música que, décadas depois, voltaria a aparecer de maneira mais evidente em seu trabalho autoral.

O caminho até esse reencontro, porém, não foi linear. Por volta dos 15 anos, Marcos começou a tocar de maneira mais profissional e encontrou no rock uma das primeiras portas para a atuação musical. Primeiro veio a guitarra, depois o contrabaixo e, com eles, projetos ligados ao gênero. Na vida adulta, o movimento foi quase de retorno. O músico aproximou-se novamente do violão e da composição e passou a olhar para aquelas referências que estavam presentes desde a infância. “É quase uma experiência de regresso a isso, assim, de um resgate daquilo que me forma, da minha essência”, define o músico.

Carreira em construção 

A trajetória autoral começou a ganhar forma em 2018, quando Marcos participou do duo Cruz & Jobim, parceria com Jean Cruz que resultou no EP Solidão e no álbum Desencontro. Desde 2020, o músico segue em projeto solo, assinando os trabalhos com o próprio nome. Em 2022, lançou Ensaio Sobre a Vida e o Tempo, encerrando o ciclo desse álbum com uma apresentação em São Paulo, em março de 2025.

Paralelamente ao projeto autoral, outras versões do músico continuam ativas. Na banda Cosmic Jam, Marcos ocupa a guitarra e mantém vivo o lado ligado ao rock. No Pela Tangente Trio, revisita repertórios da MPB. Há, ainda, o trabalho com a poeta Beta Simon, no projeto Pulso Circular, que combina poesia e música. A multiplicidade, segundo Marcos, não se trata de uma dispersão, mas uma maneira de permanecer em movimento.

“Acho que a realização como músico é quase como a de um ator. A gente veste personagens. Sinto que consigo ser eu mesmo nesses projetos e vou passeando por isso. Acho que eu me divirto, me dá prazer fazer isso e também complementa. Eu me sinto mais pleno”, reflete Marcos.

É justamente nesse trânsito entre diferentes projetos que a carreira de Marcos também passa a ser encarada como um negócio. O músico precisa administrar agendas, negociar apresentações, manter repertórios, estudar instrumentos, ensaiar, produzir e, ao mesmo tempo, preservar espaço para a criação. A independência artística exige uma gestão permanente da própria marca, ainda que ele reconheça que o processo esteja longe de ser perfeitamente planejado.

“É uma organização meio caótica”, confessa, afirmando que, para ele, a própria existência de compromissos funciona como combustível.

Retorno às origens

Produzido e arranjado por Pablo Schinke, Singelinha nasceu a partir da peça instrumental que dá nome ao trabalho, composta em 2023. Com um repertório de 13 faixas, o disco foi gravado entre abril e junho de 2025, e reúne músicos ligados a diferentes experiências, além de percorrer caminhos que passam pela MPB, pelo folk, pela world music, pelo rock e pela música de concerto. Entre os participantes estão Edu Martins, Bruno Coelho, Ariane Rovesse, Sabryna Pinheiro, Wilthon Matos, Walter Schinke e Ana Paula Schmidt, além da participação de Betina Pegorini na faixa Clarice.

Entre as faixas, Silêncio é o destaque para Marco. “Ela traduz muito do que diz o disco. Fala dessa angústia de coisas que a gente cala, que tu queres ter voz para expressar e não consegue. E ela fala muito sobre ouvir o silêncio, sobre a eloquência do silêncio”, explica.

“Foi a primeira vez com um projeto meu. Foi uma recepção muito calorosa, muito interessante. A Argentina é muito passional e eu senti as pessoas muito interessadas na música autoral”, conta, apontando a necessidade de espaços que recebam artistas autorais.

Negócios como apoio à cena cultural

Marcos chama atenção para a importância dos bares, restaurantes, casas de show e demais estabelecimentos que abrem as portas para artistas independentes. Para ele, esses locais funcionam como parte da infraestrutura necessária para que uma cena cultural se desenvolva.

“Para a cultura, é fundamental que tenha um ambiente favorável a isso. É fundamental que nós tenhamos essas parcerias, que haja espaço para que isso seja fomentado”, afirma.

Na avaliação do músico, Porto Alegre vive um movimento de retomada. “Porto Alegre já teve uma cena cultural das mais importantes do País, de onde saía muito trabalho inovador, muitas bandas novas, muita coisa interessantíssima para o País. E era muito devido a esses espaços”, lembra.