Com sede no Tecnopuc, o Instituto Dia do Amor (@institutodiadoamor) é uma iniciativa de empreendedorismo social que promove o acesso à saúde física e mental, assim como o desenvolvimento feminino. Com sede física desde 2024, as atividades da organização se concentram em turmas com meninas e mulheres, incluindo processos de atendimento nas áreas da saúde.
Foi motivada pela vontade de ajudar os outros enquanto passava por um processo de internação decorrente de crises de ansiedade que Carla Müller, CEO e fundadora do instituto, começou o processo de idealização.
"Era uma época que eu não via muito sentido na minha vida e no que fazia. Precisei recalcular a rota."
A empreendedora, que sempre teve afinidade com projetos sociais, organizou, ainda do hospital, o Dia do Amor em lares de idosos, inspirada pela conexão com o seu pai, que convive com a doença de Alzheimer.
"A gente foi a um lar de idosos, onde a gente fez canto, levou lanche e fez doação de leite e de fralda. Pensei: 'está aí uma coisa que eu acho que eu preciso para me reconectar comigo mesma'", conta.
Antes do estabelecimento do instituto em seu espaço físico, a fundadora relata que várias iniciativas itinerantes foram realizadas, como ações de assistencialismo durante a pandemia de Covid-19 e programas de atendimentos oftalmológicos e odontológicos para crianças. Foi nesse momento que Carla começou a sentir a necessidade de uma profissionalização maior para o seu projeto.
"Pensei: 'preciso entender o que estou fazendo. Preciso que esses programas sejam mais estruturados e que o Dia do Amor seja mais robusto e que literalmente seja uma startup, uma empresa de terceiro setor'", detalha.
Foco e atuação
A chegada ao Tecnopuc concretizou o desejo de um espaço físico. Em meio às enchentes de 2024, a instituição se estabeleceu visando realizar um atendimento oftalmológico emergencial.
"Foi por causa dos óculos que as pessoas perderam nas enchentes. Como tínhamos uma gama de oftalmos, começamos a fazer os atendimentos oftalmológicos com óticas parceiras", relata.
Hoje, o foco das atividades do Instituto Dia do Amor é o atendimento a mulheres e meninas em suas turmas fixas. Elas participam de cursos voltados a assuntos diversos, como saúde vascular e menstrual. "A gente faz o curso em blocos e ele ocorre durante o ano inteiro", explica.
Entre os principais programas da instituição ela destaca o Empodera. "Ele começou com a educação menstrual e se transformou nesse programa maior."
Segundo Carla, o mesmo público que tem acesso aos cursos, que é encaminhado principalmente de outras instituições, tem acesso aos atendimentos de saúde.
Existem sete psicólogas que atendem durante a semana de forma voluntária, assim como os processos de atendimentos oftalmológicos, que incluem um mini consultório portátil.
"Isso ocorre durante todo o ano. A gente tem atendimento na área de cardiologia, endocrinologia, fisioterapia pélvica, reiki. Tudo que envolve a saúde, a gente atende".
Por mais que as atividades se concentrem neste público já interno, Carla explica que existem ações que também são realizadas fora, assim como atendimentos focados nos filhos das mulheres atendidas.
"A gente entende muito que uma mulher não vai conseguir se desligar e se entender se o filho dela não estiver bem."
Além da área da saúde física e mental, ela afirma que o desenvolvimento está colocado como um dos pilares do Instituto do Amor. "Acreditamos muito em agregar técnica, seja de trabalhos manuais, currículo, empreendedorismo", pontua.
Sustentabilidade do negócio
Além de Carla, a operação conta com mais quatro funcionários fixos e os voluntários que representam uma parte importante para a organização.
Já a fundadora, destaca que o seu papel na instituição é muito voltado para a área da sustentabilidade do negócio. "Essa é uma das minhas grandes funções, buscar editais e se inscrever. Buscar investimento, se inscrever em investimento", detalha.
Entre as formas encontradas para o investimento no projeto se destacam os editais de empresas, como a Droga Raia e a Drogasil, grandes apoiadoras, segundo a empreendedora.
"A gente tem várias empresas parceiras. Que vão desde a doação dos óculos, das lentes. Até quem doa o lanche. Todos os nossos atendimentos tem lanche, tem transporte. Tem empresas que acreditam na gente", destaca.
Existe também a área dos produtos próprios, como venda de camisetas e canecas personalizadas, assim como o modelo de doação por inscrição. "Hoje, a gente tem mais de 60 pessoas que apoiam mensalmente. E essas pessoas, todo mês, recebem um PDF, que é uma prestação de contas", explica.
Como estratégia mais recente, Carla conta sobre o Clube do Livro, disponível por vagas, em que o público paga para participar.
"Todo o dinheiro que as pessoas pagam para esse clube do livro volta para o instituto e dá a oportunidade de uma menina do Dia do Amor também participar do clube do livro", conta a empreendedora.

