Quatro décadas e uma história que é referência no segmento de malhas e tricôs. Assim se traduz a trajetória da Biamar, malharia de Farroupilha fundada em 1986. Hoje, o negócio vive o processo de sucessão familiar, com duas gerações atuando juntas para o crescimento da marca. Instalada em um espaço de 22 mil m² que reúne fábrica, loja e toda a parte administrativa, a Biamar lançou, para celebrar os 40 anos, uma peça comemorativa, inspirada em uma das primeiras blusas de lã lançadas pela marca.
Fundada pelos irmãos Devilda Marmentini Biazoli e Itacir Marmentini, a Biamar hoje vive um processo de sucessão familiar. Su Biazoli, gestora de criatividade e comunicação da Biamar, conta que a palavra-chave para o momento é respeito. "Acredito que a continuidade para esse legado é algo muito delicado e respeitoso. Costumo fazer uma analogia com a gente mexendo na gaveta de roupas íntimas das pessoas. Mas, de forma super-respeitosa, a gente tem vivido esse momento em que as duas gerações têm convivido e trabalhado juntas. Acredito que a palavra principal para que tudo isso dê certo é respeito. Respeito pela história que foi escrita até aqui e que a gente tem auxiliado eles a escreverem daqui em diante. É muito emocionante e honroso fazer parte dessa segunda geração", diz Su.
Devilda segue na rotina do negócio, trabalhando no desenvolvimento dos produtos. "Toda peça da Biamar passa pelas minhas mãos", orgulha-se a empreendedora, que hoje fica em uma sala que é praticamente um museu da marca, reunindo as primeiras peças e os objetos que contam a história do negócio. A Biamar começou como uma confecção, com tiptops para bebês e conjuntos em plush. Uma das peças que Devilda guarda com carinho foi usada por Suélen, hoje um dos nomes à frente do negócio. "Tenho 34 anos e, quando cheguei, isso já existia, mas claro que de uma forma completamente diferente. Mas quando olho para aquele tiptop tão pequenininho e vejo que eu também era tão pequena, consigo perceber como nossos sonhos podem ser grandes", define Su.
Su e Devilda com as primeiras peças da Biamar, quando ainda operava como confecção
Isadora Jacoby/Especial/JC
Estrutura industrial no meio de Farroupilha
A Biamar produz cerca de 700 mil peças ao ano, tendo 80% do quadro de 500 colaboradores composto por mulheres. A marca está no mesmo endereço, em Farroupilha, desde 1989, mas agora ocupa 22 mil m² em um prédio que une toda a parte administrativa, criativa, produção e venda. A loja de 5 mil m², voltada para o B2B, recebe uma média de 2 mil pessoas na alta temporada e reúne 100 mil peças. É de lá também que saem as peças vendidas pelo e-commerce, canal de venda com o consumidor final.
Em 2025, a marca registrou crescimento de 20% e projeta manter a mesma taxa neste ano. No horizonte, a Biamar prospecta o investimento de R$ 15 milhões em infraestrutura e R$ 9 milhões em atualização de maquinário. Hoje, são mais de 400 equipamentos compostos por teares japoneses, equipamentos de montagem chineses e acabamento italiano.
A loja de 5 mil m² é voltada para os lojistas e multimarcas, foco da empresa
Isadora Jacoby/Especial/JC
Sucessão familiar
Devilda e Itacir seguem no negócio enquanto a nova geração vai assumindo seus postos. Para a empreendedora, ver os filhos dando continuidade à história é motivo de orgulho. "Os três estão aqui, são três pilares dentro da Biamar. A Sílvia no administrativo, a Suélen no design e marketing e o Luciano tocando a empresa como gestor. É um orgulho, tenho certeza que a Biamar está em boas mãos", diz Devilda, que encara os números como um sonho que nem imaginava que pudesse ser realizado. "Foi um desafio, porque nunca imaginei chegar onde chegamos. Indo à luta, consegui chegar aqui e consegui com êxito. Passei por muitas dificuldades, mas sempre fui aquela mulher guerreira, que imagina vencer. Foram muitos passos, muitos desafios e uma família maravilhosa, que me dá suporte", orgulha-se.
A marca produz cerca de 700 mil peças por ano
Isadora Jacoby/Especial/JC

