Gustavo Marchant

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Estagiário do GeraçãoE

Gustavo Marchant

Gustavo Marchant Estagiário do GeraçãoE


Tecnologia

Estudante da Ufrgs cria solução em energia que reduz custos de empresas no RS

A SmartSpaar trabalha no modelo success fee: o cliente só paga quando há economia na conta de energia
Filho de eletricista, Fernando Libano, graduando em Economia pela Ufrgs, demonstrava interesse por energia e por como ela pode mudar o mundo desde pequeno. Tanto que muitas fotos de sua infância o mostram brincando com componentes elétricos, como isoladores. Hoje, ele se define como um explorador de novas soluções energéticas, especialmente após lançar, em 2025, a SmartSpaar (@smartspaar), empresa que utiliza análise de dados e linguagem natural para otimizar o custo do transporte de energia, ajudando negócios a evitar multas e pagamentos por demandas não utilizadas.
Filho de eletricista, Fernando Libano, graduando em Economia pela Ufrgs, demonstrava interesse por energia e por como ela pode mudar o mundo desde pequeno. Tanto que muitas fotos de sua infância o mostram brincando com componentes elétricos, como isoladores. Hoje, ele se define como um explorador de novas soluções energéticas, especialmente após lançar, em 2025, a SmartSpaar (@smartspaar), empresa que utiliza análise de dados e linguagem natural para otimizar o custo do transporte de energia, ajudando negócios a evitar multas e pagamentos por demandas não utilizadas.
A ideia embrionária, no entanto, surgiu em 2023, a partir de um projeto de extensão do curso. O jovem identificou que as empresas não tratavam a energia como um insumo produtivo estratégico. Pelo contrário, carregavam uma visão equivocada de que a conta de luz é apenas uma despesa mensal.
"A energia elétrica é vista praticamente como um aluguel, uma coisa que é consumida todo mês, só tem que pagar e acabou. Não. Ela é um insumo para a produção e operação dos negócios", defende Fernando.
O universitário entende que sua startup atua justamente na dor do cliente, que, muitas vezes, não consegue sozinho aprender ou tomar a melhor decisão na hora de contratar energia. "Dessa maneira, ele acaba não tomando escolha nenhuma e perdendo com isso", completa.

Resolver a dor das empresas

Para dar vida a essa solução tecnológica, Fernando não está sozinho. Ao seu lado, formam a linha de frente da startup Guilherme Goulart Brenner, sócio e CTO; Nathan Squefi, Tech Lead; e Rafael Veloso, engenheiro parceiro responsável pela modelagem das soluções de eficiência energética.
Incubada no Centro de Empreendimentos em Informática (CEI) da Ufrgs e apoiada pelo Fundo da Manhã, a empresa também ganhou força no Ecossistema Veleiro, hub de inovação em Dois Irmãos, no Vale dos Sinos.
Para explicar o problema que resolve, Fernando usa uma metáfora. "Vamos usar a analogia da água: não é o quanto se consome, mas o tamanho do cano", diz.
Ele explica que o principal gargalo para empresas em média tensão — com transformador próprio — é o custo de transporte da energia, ligado à reserva de capacidade da rede.
Como a operação não é estática e varia ao longo do tempo, como o gasto com ar condicionado, que muda conforme a estação do ano, assim como a produção industrial, que oscila em período de férias coletivas, o contrato de energia não deveria ser fixo. Sem esse pensamento de gestão, Fernando afirma que as empresas pagam multas por ultrapassar limites ou por possuir capacidade ociosa, gastos dos quais não precisavam.

Inteligência sem custos iniciais

A plataforma se estabelece como uma SaaS, ou EaaS, termo que Fernando quer popularizar. A chamada Energy as a Service é um modelo de negócios de assinatura onde empresas como a SmartSpaar gerenciam e otimizam a infraestrutura energética de um cliente. O sistema cruza dados históricos da fatura com informações operacionais do cliente, como projeção de demanda ou emissão de notas fiscais.
Com isso, a plataforma prevê o consumo energético e ajusta o contrato com a concessionária, garantindo que a empresa pague somente pelo que realmente utiliza.
O modelo de negócio é baseado em success fee, ou taxa de sucesso. "O cliente não precisa pagar nada antes. Ele só paga a partir do que conseguimos economizar para ele", afirma.
A startup atende 10 unidades consumidoras em Porto Alegre e no Vale dos Sinos, com expansão para o Noroeste do Estado e Vale do Taquari. A previsão conservadora é de R$ 100 mil de faturamento no primeiro ano.
As otimizações têm gerado reduções entre 10% e 15% na conta de energia, inclusive em empresas que já atuam no Mercado Livre de Energia — ambiente de negociação onde consumidores podem comprar energia elétrica diretamente de geradores ou comercializadores, fugindo das tarifas tabeladas da concessionária local. Um caso que Fernando sente orgulho de divulgar, foi quando sua análise identificou cobranças indevidas que representavam cerca de 20% da fatura, o que gerava créditos equivalentes a duas contas.

Impacto além da conta de luz

Para Fernando, reduzir custos é apenas o primeiro passo de uma transformação de impacto mais ampla, impulsionada pela enchente que assolou o Rio Grande do Sul em 2024.
Com raízes na cultura de cooperação do interior gaúcho, ele vê a tecnologia como ferramenta de reconstrução. "A enchente foi um chamado. O povo gaúcho pode usar a tecnologia para enfrentar a mudança climática sem abrir mão do desenvolvimento", diz.
O impacto, conforme o universitário, alcança o sistema elétrico como um todo. Com uma maior precisão em relação às demandas de cliente, a EaaS ajuda, de tabela, geradoras, transmissoras e distribuidoras a se planejarem melhor, evitando desperdícios e até a necessidade de acionar termelétricas em momentos críticos.
"O compromisso com as pessoas e o setor produtivo é coletivo", afirma. "Nosso propósito é impactar positivamente negócios e a vida das pessoas no Rio Grande do Sul, com tecnologia na vanguarda da transição energética", conclui.