Com identidade visual jovial e mensagens de conforto escritas à mão nas embalagens, a Filhos do Reino Hamburgueria (@filhosdoreinohamburgueria) surgiu como uma hamburgueria cristã delivery, mas mudou de rota ao longo do caminho, ainda que a conexão com a religião permaneça.
Tudo começou em meados de 2022, quando Eliton Fonseca e Luísa Rassier se conheceram na Igreja Brasa, no bairro Azenha. O relacionamento veio no ano seguinte, junto com o desejo de empreender, que partiu dele. Na época, Eliton liderava o bistrô da igreja, onde preparava hambúrgueres voluntariamente aos sábados para os jovens.
Luísa, por outro lado, é formada em Direito, atuava como advogada e, inicialmente, não tinha planos de abrir um negócio. A decisão de empreender veio ao acompanhar de perto o envolvimento de Eliton com a cozinha e o amadurecimento da ideia. "Achava muita loucura abrir uma empresa no Brasil", lembra.
A ideia inicial era abrir uma "hamburgueria cristã", voltada principalmente ao público da igreja, inclusive como um espaço de convivência após os cultos. Esse posicionamento se manteve até o início de 2026, quando o negócio passou por uma inflexão.
Luísa, por outro lado, é formada em Direito, atuava como advogada e, inicialmente, não tinha planos de abrir um negócio. A decisão de empreender veio ao acompanhar de perto o envolvimento de Eliton com a cozinha e o amadurecimento da ideia. "Achava muita loucura abrir uma empresa no Brasil", lembra.
A ideia inicial era abrir uma "hamburgueria cristã", voltada principalmente ao público da igreja, inclusive como um espaço de convivência após os cultos. Esse posicionamento se manteve até o início de 2026, quando o negócio passou por uma inflexão.
Maturidade para mudar
Um vídeo publicado em janeiro, mostrando os bastidores da operação — como a compra de insumos — viralizou nas redes sociais e gerou uma onda de críticas ao negócio. "Me machucou bastante, disseram que a gente estava se apropriando da palavra", conta Luísa.
A repercussão acelerou um reposicionamento que já vinha sendo refletido internamente. Hoje, eles não utilizam mais a nomenclatura, por entenderem que o termo comunicava de forma equivocada a proposta e criava uma barreira com parte do público.
"A nossa missão é evangelizar. Não é mais para quem está dentro da igreja, é para quem está fora", afirma.
Esse processo acontece de forma sutil, e a principal estratégia está nas embalagens: cada pedido leva uma mensagem escrita à mão, com versículos ou palavras de conforto. Segundo o casal, o retorno tem sido positivo, inclusive de quem não se professa a fé cristã.
A repercussão acelerou um reposicionamento que já vinha sendo refletido internamente. Hoje, eles não utilizam mais a nomenclatura, por entenderem que o termo comunicava de forma equivocada a proposta e criava uma barreira com parte do público.
"A nossa missão é evangelizar. Não é mais para quem está dentro da igreja, é para quem está fora", afirma.
Esse processo acontece de forma sutil, e a principal estratégia está nas embalagens: cada pedido leva uma mensagem escrita à mão, com versículos ou palavras de conforto. Segundo o casal, o retorno tem sido positivo, inclusive de quem não se professa a fé cristã.
"A gente sempre recebe mensagens positivas, tipo: 'eu não estava esperando e essa palavra veio no momento certo', ou 'eu não tenho fé, mas achei muito legal como me ajudou'. Qualquer pessoa precisa, às vezes, de um abraço, e é exatamente isso que a gente acredita", completa Luísa.
A mudança de rota também contou com aconselhamento do pastor da igreja que frequentam. A partir disso entenderam que "estabelecimentos não têm religião, pessoas sim".
Outro conceito que influencia o negócio é o Business as Mission, movimento global que defende o uso do empreendedorismo como ferramenta de missão religiosa.
Outro conceito que influencia o negócio é o Business as Mission, movimento global que defende o uso do empreendedorismo como ferramenta de missão religiosa.
"Existe essa ideia de que missão é ir para outro país pregar. Mas tu podes fazer isso no teu próprio negócio", explica Luísa.
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Nomes inspirados na Bíblia
No cardápio, a proposta também busca diferenciação. Eliton diz que, ao invés de apostar no exagero comum em hamburguerias — com muito queijo processado e combinações volumosas —, o casal se inspira em operações de São Paulo, priorizando insumos de qualidade, como pão de fermentação natural e queijos não processados.
Entre os destaques está o Sinai, que leva o nome do Monte Sinai, no Egito, onde Moisés recebeu os 10 mandamentos entregues por Deus. Carro-chefe da casa, por R$ 46,00, ele é montado com pão australiano, creme de gorgonzola, cebola caramelizada, rúcula e maionese caseira. O Jordão, uma versão clássica com pão brioche e queijo fior di latte, custa R$ 36,00. Já o Serafim, que remete ao anjo de seis asas citado na Bíblia, aposta no agridoce, com geleia de pimenta com morango e rúcula por R$ 40,00.
Entre os destaques está o Sinai, que leva o nome do Monte Sinai, no Egito, onde Moisés recebeu os 10 mandamentos entregues por Deus. Carro-chefe da casa, por R$ 46,00, ele é montado com pão australiano, creme de gorgonzola, cebola caramelizada, rúcula e maionese caseira. O Jordão, uma versão clássica com pão brioche e queijo fior di latte, custa R$ 36,00. Já o Serafim, que remete ao anjo de seis asas citado na Bíblia, aposta no agridoce, com geleia de pimenta com morango e rúcula por R$ 40,00.
Os lanches têm nomes que remetem à bíblia, como o caso do Jordão, hambúrguer que homenageia o rio onde Jesus foi batizado
Leonardo Nogueira/Divulgação/JC
Todos os hambúrgueres levam discos com 180g de carne Angus, têm maionese caseira e contam com versões vegetarianas.
A operação registra cerca de 1,3 mil pedidos mensais, com uma taxa de recompra próxima de 70%. Eliton conta que o feito foi alcançado devido ao foco na qualidade, sem precisar "sangrar" o caixa com promoções agressivas.
No dia a dia, o negócio funciona de forma enxuta: ele na cozinha, ela no atendimento e um funcionário no pré-preparo durante o dia, além do suporte de três motoboys — atualmente, o casal busca mais duas pessoas para ajudar na cozinha. No início, porém, a realidade era diferente, já que a criação da marca foi financiada com os próprios salários. Nos primeiros meses, para economizar, Eliton ia de bicicleta garantir as entregas mais próximas.
A operação registra cerca de 1,3 mil pedidos mensais, com uma taxa de recompra próxima de 70%. Eliton conta que o feito foi alcançado devido ao foco na qualidade, sem precisar "sangrar" o caixa com promoções agressivas.
No dia a dia, o negócio funciona de forma enxuta: ele na cozinha, ela no atendimento e um funcionário no pré-preparo durante o dia, além do suporte de três motoboys — atualmente, o casal busca mais duas pessoas para ajudar na cozinha. No início, porém, a realidade era diferente, já que a criação da marca foi financiada com os próprios salários. Nos primeiros meses, para economizar, Eliton ia de bicicleta garantir as entregas mais próximas.
Hoje, com a operação mais estruturada, o casal já pensa nos próximos passos. A ideia é expandir o delivery para outras regiões de Porto Alegre antes de considerar um ponto físico. "A gente prefere um crescimento gradual, para não comprometer a excelência e o propósito", enfatiza o empreendedor.
Endereço e horário de funcionamento
A Filhos do Reino abre todos os dias, das 18h à meia-noite. A única diferença ocorre aos domingos, quando a operação começa um pouco mais tarde, às 19h30min. Para retirada, o endereço é na rua Silva Só, nº 471, no bairro Santa Cecília.

