Gustavo Marchant

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Estagiário do GeraçãoE

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Gustavo Marchant Estagiário do GeraçãoE


Negócios

Empresa gaúcha leva lúpulo selecionado dos EUA a cervejarias no Brasil e no mundo

A Hops Company atua junto a fazendeiros para garantir previsibilidade ao mercado cervejeiro global
Uma vez que percebeu que o avanço da Inteligência Artificial impactaria drasticamente o setor de tecnologia, o até então desenvolvedor de software Eugenio Pretto buscou empreender em um mercado distante, que envolvesse sensorialidade, algo difícil de ser replicado por IA. Foi nessa direção que, em 2016, nasceu a Hops Company (@hopscompany), empresa especializada exclusivamente na distribuição de lúpulo, importando a matéria-prima de fazendas nos Estados Unidos e abastecendo cervejarias pelo Brasil e pelo mundo.

Ao lado de Thiago Galbeno, cervejeiro que integra o time da Hops desde 2019, a empresa foi desenhada para seguir um modelo de negócios voltado à alta eficiência, focado em fugir dos altos custos de uma estrutura industrial tradicional no Brasil, o que explica a equipe enxuta com menos de 10 integrantes.

A escolha pelo sócio partiu da busca por um perfil profissional que entendesse as dores diárias da produção e soubesse falar a "linguagem da fábrica". Thiago atua no relacionamento com os fazendeiros, orientando mestres cervejeiros na escolha de lotes e na adaptação de receitas, enquanto o fundador fica com a parte estratégica e financeira do negócio.

Os empreendedores afirmam que o principal diferencial da Hops no mercado cervejeiro nacional está na recusa em tratar o lúpulo como uma "mera commodity". Enquanto grandes importadoras costumam vender produtos que misturam várias safras e produtores, a empresa optou por focar em um nicho técnico. "O mercado atingiu um grau de maturidade onde ele começa a ter necessidade e espaço para fornecedores especialistas que conseguem atuar de forma mais próxima", avalia Thiago.
Uma vez que percebeu que o avanço da Inteligência Artificial impactaria drasticamente o setor de tecnologia, o até então desenvolvedor de software Eugenio Pretto buscou empreender em um mercado distante, que envolvesse sensorialidade, algo difícil de ser replicado por IA. Foi nessa direção que, em 2016, nasceu a Hops Company (@hopscompany), empresa especializada exclusivamente na distribuição de lúpulo, importando a matéria-prima de fazendas nos Estados Unidos e abastecendo cervejarias pelo Brasil e pelo mundo.

Ao lado de Thiago Galbeno, cervejeiro que integra o time da Hops desde 2019, a empresa foi desenhada para seguir um modelo de negócios voltado à alta eficiência, focado em fugir dos altos custos de uma estrutura industrial tradicional no Brasil, o que explica a equipe enxuta com menos de 10 integrantes.

A escolha pelo sócio partiu da busca por um perfil profissional que entendesse as dores diárias da produção e soubesse falar a "linguagem da fábrica". Thiago atua no relacionamento com os fazendeiros, orientando mestres cervejeiros na escolha de lotes e na adaptação de receitas, enquanto o fundador fica com a parte estratégica e financeira do negócio.

Os empreendedores afirmam que o principal diferencial da Hops no mercado cervejeiro nacional está na recusa em tratar o lúpulo como uma "mera commodity". Enquanto grandes importadoras costumam vender produtos que misturam várias safras e produtores, a empresa optou por focar em um nicho técnico. "O mercado atingiu um grau de maturidade onde ele começa a ter necessidade e espaço para fornecedores especialistas que conseguem atuar de forma mais próxima", avalia Thiago.
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Na prática, essa proximidade significa viajar para o exterior a fim de garantir sintonia com fazendas produtoras, especialmente nas regiões de Oregon e Washington (EUA), para analisar e selecionar lotes específicos ainda na mesa do produtor durante a colheita, uma prática conhecida no setor como "Brewer's Cut". Eugênio explica que essa escolha criteriosa garante às cervejarias algo valioso na indústria: a previsibilidade. "O pessoal sabe que pode regular o processo da fábrica só uma vez no ano e executar ele o ano inteiro. A gente entrega uma comodidade para ele dizer: 'com o lúpulo, eu não preciso me preocupar'", explica, ressaltando que, atrás do lúpulo, a previsibilidade na entrega da flor é o principal aspecto que garante o sucesso da Hops.

Logística e ciência

Lidar com o lúpulo, no entanto, exige cuidados extremos, já que a planta é altamente sensível à oxidação. "O lúpulo tem um detalhe muito interessante, ele dura anos na prateleira se for refrigerado, mas se tu abrires o pacote, ele estraga em dois dias", alerta o fundador, explicando que, após esse processo, a flor ganha rapidamente um cheiro característico de "chulé". Por esse motivo, o modus operandi da empresa evita fracionar embalagens em prol do frescor da planta.

Além do rigor no manuseio, a empresa investe em dados. Por meio de um QR Code impresso nas caixas, os cervejeiros têm acesso a laudos laboratoriais detalhados, elaborados por empresas terceirizadas nos Estados Unidos. Os relatórios mostram a quebra completa de terpenos e tióis (óleos essenciais) de cada lote, permitindo que os mestres cervejeiros façam ajustes milimétricos e científicos em suas receitas.

A expertise também transformou a Hops em uma parceira estratégica contra as mudanças climáticas. Com o aquecimento global afetando o terroir de diferentes variedades — incluindo fortes restrições de irrigação nas fazendas da Europa —, os sócios orientam seus clientes a substituírem lúpulos que estão perdendo qualidade muito antes que eles faltem no mercado.
Thiago Galbeno e Eugênio Pretto comandam a Hops Company | Hops Company/Divulgação/JC
Thiago Galbeno e Eugênio Pretto comandam a Hops Company Hops Company/Divulgação/JC

Mercado cervejeiro e novas tendências de consumo

Hoje, a empresa atende mais de 200 cervejarias apenas no Brasil, número que, segundo Eugênio, representa cerca de 10% do total de fábricas artesanais do País. Desde 2023, o negócio expandiu suas fronteiras e passou a exportar para a Europa, atendendo mais de 30 cervejarias em países como Espanha, França, Portugal e no Leste Europeu. Segundo Thiago, eles perceberam que "existia essa mesma falta de acesso a lúpulos selecionados para cervejarias médias e pequenas" no mercado europeu.
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Apesar das fábricas artesanais representarem uma fatia muito pequena do volume total de cerveja consumido no Brasil — dominado por gigantes da indústria —, os sócios mantêm os olhos no futuro e nas mudanças de comportamento do consumidor. De acordo com eles, há uma clara tendência global de diminuição no consumo de álcool, impulsionada pelas novas gerações. Considerando essa redução, a Hops vem adaptando seu portfólio, com importações de extratos botânicos que ajudam a compor o aroma de bebidas low alcohol e sem álcool.

Embora vivam desse mercado, os sócios não enxergam essa mudança como uma crise, pelo contrário, a celebram, reforçando o mantra do setor de "beba menos, beba melhor".

"Sinceramente, é um carma trabalhar com álcool. Sabemos que tem gente que abusa e não consegue sair", confessa Eugênio, referindo-se à responsabilidade social que a Hops possui. "Estamos bem felizes de ver a tendência de redução do nível alcoólico, porque vai ao encontro do que acreditamos: equilíbrio e mais qualidade de vida", conclui Thiago.