No ano em que celebram três anos de operação, o Terreiro Bar Ancestral, localizado na Cidade Baixa, reinaugura o estabelecimento após uma obra de expansão no local. Para celebrar a ampliação do bar, o Terreiro organizou uma programação que inicia nesta quarta-feira (7) e segue até domingo (11).
Inspirado nas religiões brasileiras de matriz africana, o Terreiro Bar Ancestral nasceu em 2023 a partir de um negócio que o casal de empreendedores Roger Moraes e Helena Legunes já estava à frente: a Cervejaria Cabocla, aberta há oito anos. O primeiro empreendimento do casal já tinha como proposta homenagear religiões de matriz africana e o bar na Cidade Baixa veio com o mesmo intuito.
“Logo que o bar abriu, ele se tornou pequeno, para a ideia dele. Eu e a Helena sempre gostamos muito de samba, até tentamos resistir de início, mas no fim nos rendemos e deu muito certo, só que o bar ficou pequeno”, conta Roger, admitindo que a estrutura original não suportava confortavelmente clientes e os músicos que frequentavam o local. Segundo o empreendedor, uma parcela considerável da clientela deixou de frequentar o bar devido às limitações físicas. “Temos muitos clientes de mais idade, um público que só quer sentar e conversar. Alguns deixaram de vir no bar, e nos diziam: ‘O bar é maravilhoso, mas está sempre cheio.’”
O projeto de ampliação existe desde o início de 2024, porém a ideia inicial era ir para outro ponto do bairro. “Na época, não tinha possibilidade de expansão para os espaços vizinhos do bar”, comenta. O casal não esperava que, alguns meses depois, em outubro, o cenário mudaria. O restaurante Novo Sabor, ao lado do Terreiro Bar, se mudou, deixando o ponto vago. Os próprios proprietários do negócio procuraram Helena e Roger, oferecendo o espaço, já que sabiam da necessidade. “Éramos vizinhos de parede, foi perfeito”.
Após a reforma, a operação passa a comportar até 120 pessoas sentadas. A nova fase também conta com a contratação de novos funcionários para atender um público maior. Segundo os proprietários, a expectativa é passar a oferecer mais eventos de almoço aos fins de semana também. Além do espaço maior para os clientes, a cozinha e o bar do estabelecimento foram ampliados.
Com a ampliação, o espaço passa a comportar 120 pessoas
FABIOLA CORREA/JC
A programação de reinauguração do estabelecimento irá durar cinco dias, cada um com uma atração especial. Nesta quarta, o espaço oferecerá uma noite de acarajé; na quinta (8), a programação contará com uma discotecagem de vinil com convidados; e na sexta (9), ocorre o primeiro samba no espaço reformado. No fim de semana, a programação segue, com a roda de samba Patuá do Samba, no sábado (10), e um samba com o grupo Puro Asthral, domingo (11).
Território de resistência
A escolha de permanecer na Cidade Baixa foi uma premissa inegociável para o negócio. O bairro é visto como um espaço de resistência cultural para os empreendedores e possui uma ligação profunda com as religiões de matriz africana e a ancestralidade.
Embora Porto Alegre tenha tido outros bairros boêmios, como o Bonfim e o Menino Deus, Roger destaca que a Cidade Baixa se distingue por sua trajetória única e por ter se transformado em diversas "camadas" ao longo do tempo, mantendo-se como um centro de convivência pulsante. “A Cidade Baixa nasce como um bairro periférico. Era um banhado aqui, tanto que o nome já diz. Não foi um local pensado para ser o centro urbano que é hoje, então muitas terreiras famosas, pais de santo surgiram daqui”.
Sobre os desafios, Roger destaca que o processo exigiu uma gestão complexa para administrar a verba disponível e, simultaneamente, gerenciar financiamentos obtidos para custear a obra. O proprietário assumiu a responsabilidade por tarefas, acumulando a função de gestor da obra.
A reforma do local precisou ser concluída em apenas 60 dias e, enquanto ela acontecia, Helena e Roger enfrentavam outro novo desafio, dessa vez em casa: a chegada do Pedro, primeiro filho do casal. “Nos demandou uma atenção especial e fez com que outros projetos, como a atualização do cardápio, fossem temporariamente deixados de lado para que pudessem focar na obra e na família”, comenta Roger, emocionado ao falar do filho.
Helena Legunes e Roger Moraes já estavam à frente, a Cervejaria Cabocla, aberta há oito anos
TERREIRO BAR/DIVULGAÇÃO/JC
A confiança e a vontade de expandir o negócio são impulsionadas por alguns fatores. “A chegada do Pedro me deu uma vontade de viver muito grande e, além disso, o Terreiro se coloca no lugar de coisas em que acreditamos, eu e a Helena somos batuqueiros, a gente cultua a ancestralidade, isso faz parte das nossas vidas”, reflete.

