Com prejuízo de R$ 5 milhões, negócio se recupera e prepara sucessão


Há 34 anos no mercado de construção civil, a Madeireira Adrianna atravessou em maio de 2024  um dos momentos mais difíceis do negócio. O empreendimento, fundado por Loreni Bresolin, nasceu a partir de uma loja que comercializava somente cimento, estabelecimento que o empreendedor e um sócio comandavam. Com seis meses trabalhando apenas com o material, o empreendedor resolveu ampliar a gama de produtos a partir da procura dos clientes por outros artigos. Loreni comprou a outra metade de seu sócio e, em 1991, inaugurou a Madeireira Adrianna, em uma loja de 60m². Hoje, o estabelecimento tem cerca de 2 mil² e oferece um mix de produtos, composto por mais de 20 mil itens.
Há 34 anos no mercado de construção civil, a Madeireira Adrianna atravessou em maio de 2024  um dos momentos mais difíceis do negócio. O empreendimento, fundado por Loreni Bresolin, nasceu a partir de uma loja que comercializava somente cimento, estabelecimento que o empreendedor e um sócio comandavam. Com seis meses trabalhando apenas com o material, o empreendedor resolveu ampliar a gama de produtos a partir da procura dos clientes por outros artigos. Loreni comprou a outra metade de seu sócio e, em 1991, inaugurou a Madeireira Adrianna, em uma loja de 60m². Hoje, o estabelecimento tem cerca de 2 mil² e oferece um mix de produtos, composto por mais de 20 mil itens.
O estabelecimento, localizado no bairro Vicentina, em São Leopoldo, está entre os locais afetados pelas enchentes que atingiram o município em 2024. A água chegou na altura de 1,2 metro, totalizando um prejuízo em torno dos R$ 5 milhões. Entre as perdas, estão 60% da frota da madeireira, composta por carros, caminhões, empilhadeiras e motos. Foram 24 dias fechados para se recuperar minimamente e reabrir as portas. "Os caminhões que consegui salvar foram os que eu emprestei para os meus funcionários retiraram seus móveis e pertences de casa", conta Loreni
Ao lado da sócia e esposa, Adriana Bresolin, do filho, Patrick Bresolin, e dos mais de 50 colaboradores, Loreni voltou com a operação. "Para baixo de 1,2 metro perdeu-se tudo. Máquinas, mais de 60 computadores e os produtos, tudo foi fora", comenta.
O empreendedor conta que eles tiveram urgência em reabrir a loja, pois assim que a água baixou, a população começou a buscar materiais de proteção, produtos de higienização e ferramentas para realizarem a limpeza das casas. "Fiz uma reunião com a turma e disse 'olha só, vamos estancar a hemorragia que começa pela loja, já que na casa de vocês não dá para chegar ainda. Foi uma força tarefa. Os colaboradores que não foram afetados traziam marmitas para todos que estavam aqui limpando conosco", lembra Loreni.
Após uma estabilização inicial do negócio, a família de empreendedores passou a contribuir com a reconstrução dos lares dos colaboradores atingidos pela enchente. "Sou eternamente grato a eles", admite Loreni.
Atualmente, a Madeireira Adrianna passa por um momento de sucessão familiar. Patrick, de 23 anos, estuda Administração e atua no financeiro da empresa. O jovem cresceu vendo seus pais comandarem o negócio da família e, antes de ocupar um cargo na administração, passou por outras áreas da madeireira.
"Ele já está há cinco anos conosco. O Patrick nos acompanha desde pequeno e todos os colaboradores têm um enorme apreço por ele, que iniciou auxiliando a carregar e descarregar caminhão, passou para o setor de conferência de material e organização da loja. Então, ele pegou todos os setores da loja para entender como funciona cada processo", destaca Loreni.
O empreendedor lembra que no dia 3 de maio de 2024, enquanto ajudava nos resgates nas cidades vizinhas, o filho chegou a entrar em contato, pedindo para retirar os caminhões do depósito, mas Loreni não acreditava que a água chegaria até a loja. No sábado pela manhã, um dique próximo ao local rompeu e a água subiu rapidamente na região.
"O Patrick teve um baque bem grande. Ele dizia 'pai, tu não estás tomando a ideia da proporção do problema que nós estamos'. E eu disse 'meu filho, eu te entendo, mas há 34 anos nós não tínhamos nada e olha o que conquistamos'. Era hora de olhar para o lado, e perceber que tinha gente que, quando retornasse para casa, não teria uma cadeira para sentar", reflete. Loreni acredita que os pilares do negócio contribuem para a superação dos tempos adversos. "Atendimento, logística, materiais de qualidade, garantia e um preço competitivo. Esses são nossos fundamentos", destaca. Inclusive, o negócio leva o nome da esposa de Loreni, pois, no início, antes mesmo da loja ganhar um nome, os clientes ligavam à procura dela. "Na época, já tínhamos uma colaboradora no balcão, a Janaína, que está conosco até hoje. As pessoas ligavam, a Janaína atendia e elas pediam para falar com a Adriana. Ela dizia 'no que podemos te ajudar?' e o cliente respondia 'tem que ser com a Adriana'. Quando a Adriana respondia, era um pedido comum, que poderia ser feito com qualquer pessoa", conta o empreendedor rindo, enquanto explica que a relação que Adriana estabelecia com a clientela fazia a diferença no atendimento.
Entre altos e baixos, o negócio atravessa décadas. Loreni, que nunca havia atuado na área e que, antes de abrir a loja de cimentos, trabalhava com sucatas, destaca que a experiência obtida ao longo dos anos o ajudou a desenvolver habilidades para lidar com períodos difíceis. "Passamos pela crise econômica de 2008 e de 2015, passamos pela pandemia e agora isso. Tivemos de ser bem meticulosos para não fazer dívidas em um momento que o mercado estava com a economia estagnada. Essa habilidade de entender o momento de acelerar o momento de tirar o pé do freio, se dá na prática", afirma.